domingo, 11 de dezembro de 2011

Rhinoceros

Este blog é meio diário de bordo, meio blog genérico. Tem a vantagem (propagandeando ) de não ser um micro diário que descreve cada momento da minha vida, como um facebook estúpido (por sinal, as pessoas estão perdendo a linha com o facebook:

a pessoa tem dor de cabeça- facebook
aumento de salário - facebook
orgasmo clitoriano- facebook...
...

e ficam nessa sensação falsa de participarem umas das vidas das outras ao interagir por meio de "likes" e comentários.... acho que o fb está virando uma doença.)

E por falar em doença, ontem uns amigos me convidaram pra sair e beber uma cerveja. O pessoal já sabe que eu não gosto de luta livre, essas coisas, mas falaram que era tranquilo ir, mesmo que só pra beber umas; iria no bar e não olharia a tv, estava decidido.

Difícil descrever a experiência de ter ido; a única vez que vi coisa do tipo no Brasil foi em jogo de futebol: ontem, um monte de gente - homens e mulheres... talvez mais mulheres do que homens - gritando por dois caras que se arrebentavam, se machucavam num ringue. Ouvia comentários como

"porra!!! pq que ele não vai lá e dá uma joelhada na cabeça do cara, mata ele..."

É o extremo da desumanização... me senti na Roma antiga...panis et circensis. Aí rola aquela pergunta machista do pq vc não curte tbm:


" Vc é uma mulherzinha que não gosta de ver sangue?"

Não, não gosto, mas não é só isso; não consigo deixar de imaginar que um cara como aquele está sendo pago pra agredir uma outra pessoa para que um monte de gente se deleite, beba suas cervejas e volte pra casa pra dormir sãos e salvos debaixo de edredons quentinhos, não sem antes tomar um leite com ovomaltine. Alguém pensa que aquele cara tem pai e mãe? Que ele mesmo pode ser um pai? Sei lá, talvez eu esteja virando um cristão inrustido rsrsrsrs mas pra mim isso é desumanizar, é reduzir a bicho...a fera, no caso: bichos são as pessoas assistindo.

Não aguentei mais de duas cervejas no lugar: gritos histéricos, uuuuuhhh's, ahhhhh's, ai's... ahhhhh, ui's  As pessoas vidradas naquilo: a tv, o sangue, a tv.... a cerveja... nunca se esqueça de dar gorjeta pro bartender, mesmo que ele te atenda mal e nem olhe na sua cara.

Não sei o quanto isso entra nos "valores" em que uma sociedade se fundamenta. Estou num estado ultra conservador, e vejo isso no comportamento desses estudantes todos. Acho uma pena ver mais uma geração sendo moldada em forma e semelhança à geração anterior... às vezes acho que as gerações passadas só nos legaram miséria.

Acabei então por lembrar de um trecho de um filme que exemplifica muito bem tudo isso. Quando o vi pela primeira vez eu pensei:

" -nããão... só podem estar caricaturando o pessoal que vê essas coisas. Isso não acontece." 

Mentira. Gostaria de acreditar nisso, mas o público que vcs verão neste filme é igualzinho ao que eu vi ontem.

A parte interessante aqui é que o Sacha Baron Cohen dá um soco no coração do público, e faz uma coisa bem pra chocar mesmo. E oque ele fez é algo muito corajoso, mto mesmo: num país em que muitos raps - música mais ouvida pra cima e pra baixo - falam que vc tem que ter uma casa milionária e só andar com correntes de ouro no pescoço, que mulher é puta e só gosta de dinheiro, que gays não são gente etc.... você não pode esperar uma mudança se não por meio de um choque muito, mas muuuuito forte. E o Sasha Baron Cohen fez isso muito bem aqui.





Foi um desabafo. Me desculpem, mas tinha que relatar isso (pra não me esquecer depois)


ps: o título do post é uma menção àquela peça do Eugene Ionesco - "Rhinoceros", onde as pessoas, por um motivo que não dá pra explicar em tão poucas linhas, começam a se transformar em rinocerontes.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Desaniversário.... óó ...

Ahhhhhh...nada como começar um dia de aniversário vendo um bom desenho pela manhã Parabéns para mim!!! =)

Recomendadíssimo o vídeo abaixo!!! Nem tenho muitas palavras pra dizer o quanto esse filminho é bom!!!

Se vc for uma criança, por favor, não assista.. não..não... pérai... não sei... o vídeo tem umas cenas de nudez... mas a nudez é algo comum, então não sei

Um desenho nu é nudez tbm?

bom... veja o filme!!!

=)


Bob's birthday - de Alison Snowden e David Fine




ps: é genial como os criadores colocaram o lance da amizade bem em evidência; o cara criticando os amigos, falando mal dos que estão perto, criticando coisas nos amigos que o irritam... etc

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Thanksgiving, algumas vidas, apple pies -> 10^5 Km

Meu segundo thanksgiving nos eua... o primeiro com "nativos", no meio de uma família americana. Meio estranho... me senti todo desengonçado, um pássaro diferente entre os colibris ( apesar de ter sido ultra bem acolhido)




Sempre contrasto eventos como estes com os que acontecem na minha família... meu olhar curioso, meu corpo aberto pra receber, ver e aprender.  Logo, já no começo, as pessoas se juntam de mãos dadas pra rezar antes do almoço:


" - E seu eu fosse um muçulmano ou budista? "

...não há muito tempo para "aceitar", pois minhas mãos já são parte daquele círculo: a mão esquerda pra uma criança, um dos 8 filhos, a direita para um dos tios. Muitos olhos fechados, gratidão nas palavras, as crianças ainda brincando, a avó sentada, uma apple pie dando sopa em cima da mesa, o avô ex piloto de avião na guerra da coréia, um cachorro... eu pensando... um súbito desentendimento: de quando em sempre o desconhecido me deixa estarrecido/ensimesmado.



Calhou do Thanksginving ser bem no dia do aniversário do meu pai; não tenho muito contato com ele, desde pequeno. Vem como uma lembrança tbm.... As pessoas ainda rezam, vejo o campo lá fora pela janela da cozinha...vejo a chuva que se prepara para vir.. vejo um ciclone no estilo wizard of oz que vai levar aquela casa dali a 6 minutos e 21 segundos - corram, escondam-se debaixo das camas ... fujam para o estábulo. Penso em mim mesmo, penso nos 4 anos de eua. Penso em como a distância pode aproximar as pessoas.... lembro do Matsuo Bashô nas suas viagens pelo Japão, penso no meu pai...  lembro da voz do Milton naquela música que parece não dizer muito, não ter significado algum, mas que às vezes tem todo o significado do mundo,  todos os teoremas possíveis, todos os acordes e tonalidades, todas as palavras ditas e não ditas... uma grande caixa cheia de tudo, tudomesmoaomesmotempo.



Alimente-se

Aquelas pessoas na sala de jantar,  preocupadas com a crise que assola o estado e os eua, preocupadas em morrer, será que a cia que matou JFK, quantos pounds a mais o turkey deste ano tem quando comparado com o do ano passado... saio da casa e tento ligar para o meu pai; a primeira vez que tenho vontade em alguns tantos anos. Tento, mas não consigo... ocupado.

Me pego/me vejo bem longe mais uma vez: pensativo... contemplativo...
as mudanças como novos dias,
                a diferença e suas cores...
                    os amigos a gente escolhe...
                        certos fatos a gente aceita...
                    da família a gte traz alguma coisa...
                             
                                         ... só não se sabe ao certo oque
                                                               
           Enfim... amanhã já volto pra casa

sábado, 19 de novembro de 2011

Ode ao inverno (em forma de "haikai tropicalizado")















Inverno, 
           aqui prometo:
        quando chegares
                     te faço uma sopa


domingo, 13 de novembro de 2011

Da estrutura das revoluções - sobre o novo de novo =P



" Se me perguntassem qual foi a maior façanha de Cristóvão Colombo ao descobrir a América, minha resposta não seria que ele se beneficiou da forma esférica da Terra para chegar às Índias pela rota ocidental (essa idéia ocorrera a outros antes dele), nem que preparou sua expedição meticulosamente e equipou seus navios com extrema perícia (também isso, outros poderiam ter feito igualmente bem). Seu feito mais notável, foi a decisão de sair das regiões  conhecidas do mundo e navegar para o Ocidente, até muito além do ponto a partir do qual seus suprimentos poderiam levá-lo de volta pra casa.
Também na ciência, é impossível abrir novos campos se não se estiver disposto a deixar o ancoradouro seguro da doutrina aceita e enfrentar o perigo de um arriscado salto à frente em direção ao vazio.
[...]
Em geral, o progresso na ciência não exige mais do que a absorção de idéias - e esse é um chamado que a maioria dos cientistas se compraz em atender. Entretando, quando se trata de enveredar por novos territórios, a própria estrutura do pensamento científico ( e não apenas seu conteúdo ) pode ter que se alterar, para que seja possível entender o novo."

Weiner Heisenberg  - A parte e o todo, capítulo 6   
"Explorando o novo campo,  1926-1927"



Tropecei no trecho acima num livro do Heisenberg, A parte e o todo - muito bom, recomendo - no qual ele versa sobre a ciência, descobertas, a estrutura que há por traz dessas revoluções científicas (se é que há alguma ). O perigo da viagem... acho que nisso a gente raramente pensa quando se depara com esta parte da história.

[Esse post estava na pasta de rascunhos há tempos, só que eu não via muito o pq de postá-lo. ]
[Digamos que eu o esteja compartilhando com vocês =)  ]
[Na verdade, era pra ter sido postado junto com aquela "série" sobre o novo que eu fiz há tempos...]
[... que você podem ver aqui, e aqui, ó ]

sábado, 5 de novembro de 2011

Um post-radiofônico

[Este post é um post linear]
[Se vc não tiver tempo para lê-lo agora então leia depois]
[Ou então você pode fazer o seguinte: você escolhe um trecho ao acaso e começa dele]
[Como se vocẽ tivesse ligado o rádio enquanto o programa já estivesse no ar] 
[Não há vírgulas muitas vírgulas por uma questão de velocidade e dinâmica;] 



[como um locutor que não dá tempo às pausas e já emenda uma frasidéia uma na outra...]
[...como um bando de elefantes seguindo em fila...]
[... um ligado ao outro]









Bomdia bomdia!!!

Você rapazesforçado queacordou cedo e já está no trem prair trabalhar ....vocêmenina bonita que sai de Ipanema prair trabalhar em Realengo... você meu senhormíííínhasssssenhora vocêdôôna de casa!!! Está no ar mais um programa ....


[este programa é um programa sem nome]
[nome incógnita]

É... uma manhã linda na cidade X... pessoas passeando com seuscachorros, opãozinho quente saindodo forno na padaria dedona Manuca mas o rádio-post-blog ouvinte/leitor está ávido por notícias!!!


[pausa de semicolcheia]
Como...?

[pausa de colcheia]

[O locutor parece falar com alguém]


O Eusébio diz aqui que gostaria de enviar um desenho pro filho deleláem Verdejante interior de Pernambuco sob os dizeres: "- estuda moleque!!!"

[Eusébio é o assistente do programa]
[Ele nunca pronuncia uma palavra ao vivo]
[E os ouvintes - mais particularmente "as" aouvintes -  vivem se perguntando como ele deve ser]
[Ele até tem um fã-clube, sediado em Macau - China]




Ahh nada com'um bom desenho pelamanhã...não? Poisagora vamos paras notícias: um homem invadiu 23 casas esta manhã no bairro de Jandirópolis ...roubou todosos gatose saiu distribuindo osanimais pelo topo de árvores de grandesavenidas da cidade. O trânsito, côôônsequentemente,

[este é um "consequentemente" todo rebuscado,]
[que este locutor considera uma de suas marcas mais evidentes]
[oque o caracteriza e o diferencia]
[mas continuando...]


 está parado nas regiôes mais movimentadas da cidade. Os bombeirosestão removendos pobresanimais dasárvoreseos devolvendo à seus devidos lugares.

Agora mais uma canção: desta vez um pedido do sr F paraa senhorita bailarina




Eugênia Sanches manda uma figura do Miró para o senhor Felpudo Eu-Eu Brava:

"- Será queeu devo fazer uma lipo?"


E mais notícias, esta diretamente do Piauí Heralds:  A presidenta Dilma Rousseff abandonou a ideia de ressuscitar a CPMF para financiar os gastos com a saúde. "Num ataque de bom senso bastante incomum, achei que não pegava bem exigir esse sacrifício da população em meio a tantas denúncias por aqui. Pedi para a Ideli fazer umas contas e achamos melhor taxar em 5% as verbas desviadas. Decidimos, portanto, criar o ICP: Imposto sobre Circulação de Propinas", tergiversou a presidenta. Uma estimativa feita pela ONG Sou Laranja estimou que os recursos oriundos do ICP serão capazes de financiar a construção de 127 hospitais, 9.343 postos de saúde, 343 creches. Com o que sobrar, ainda será possível lançar campanhas de vacinação tão amplas que incluem até mesmo a imunização de animais de estimação, plânctons e personagens de ficção. "Mesmo levando em conta orçamentos superfaturados e o descumprimento da maioria dos prazos, estimamos que o impulso dado ao PIB por este novo impostos é da ordem de pelo menos 15 pontos percentuais ", disse Eliézer Roriz, doutorando em Caixa 2.


Mais informações podem ser encontradas neste link que o bleitorouvinte recebe agora.

Stravinsky Pascoal da cidade de Andirá d'Oeste manda para Hermeto Igor d'Itapopoca city:



" - Você daria bom dia pra este cara?"



Agora, mais uma canção para alegrar o sêêêu ...

....como?

[internvenção]
[O lopcutor parece falar com alguém..]
[Provávelmente o Eusébio]

Sumiu o disco?


[Mais silêncio...]
[...numa pausa de semibreve]

tem alguma outra coisa pra tocar?.. ...que que tem por aí? Eaquelesambãodosoriginaisdosamba?


[ansiedade no ar]
[AMsiedade]
[dissipada em ondas hertzianas =P]


bom.. ficaprapróxima... coloca"qualquercoisa"aí.




E estavai deste bloglocutor para seus amigos/ouvinte/leitores espalhados pelo mundo: Holanda- Brasil-Alemanha-Espanha-PolôniaEstadosUnidos etc ....Vocês são sempre bem vindos =)







Esta vai da Judite Plorange parao senhor Raphaello de Btown:  "não se preocupe com essassuas mudanças... ao menos você ( ainda) não viroumonstro =)"




E agora vamos para os comerciais.


[musica entra pela esquerda... mas logo é puxada pelo colarinho, saindo do palco]
[O locutor entra novamente "em cena" para dizer]


...e à tempo: o próximo blocoainda é algo dinâmico e, consequentemêêênte, nosso programestáaberto aos blogouvinteleitores queainda podemandar suasugestões e pedidos por comentários.





quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Companhia

Semana passada, ainda no estado de fossa em que me encontrava, um amigo me disse:

" - Man... I guess I know what you need...
[pausa longa de quem chegou a uma solução depois de muito pensar]
.... A CAT!!!"

Na hora eu ri muito, e acabei me lembrando de um desenho muito bom do Cordell Barker: The cat came back.





Uma das melhores coisas nos vídeos do Cordell Barker é que sempre tem música, e as música são bem legais (ele é o mesmo diretor que fez o "Runaway", que eu postei aqui, ó  e do "The big snit", que eu postei neste outro post).

Bom, divirtam-se =)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Interlúdio: um aviso dos nossos patrocinadores









[O instrumental dessa música é perfeito para essa propaganda...]
[... tirando o simples fato de que a letra não tem nada a ver com o assunto hahaha, chegando até a ser indecente. Seria uma propaganda daquelas proibida em países nórdicos, aposto =)  ]

[Mas  não seja por isso: num país "letrado" como o nosso as pessoas nem ligam pro conteúdo das coisas (e olhe, as coisas por aqui não são muito diferentes... cultura de massa existe e é consumida em doses exageradas em todo lugar )]

[De qualquer forma, a música é muito animada:  eu tive uma tarde relativamente produtiva ouvindo-a, regado de sol na biblioteca, fazendo minha prova de sistemas dinâmicos]
[E quando imaginei-a como pano de fundo pra esta propaganda eu falei: " - caramba... fazia tempo que não via uma propaganda boa como estas."]
[vi na minha cabeça, claro =) ]

[Ahh!!! Guidelines: você deve ouvir a música e imaginar a seguinte cena: 

uma imagem aérea de uma floresta,
só verde, verde, verde.
até que a câmera chega numa clareira, 
onde frutas e pessoas estão dançando.]

[ A propaganda na verdade é curta, então só um trecho bonito da música já bastaria.]
[O problema agora é que eu ouço as músicas do Belle and Sebastian e fico imaginando frutas e  bichos dançando.]
[Será que é fome?]

domingo, 23 de outubro de 2011

Para aprender a não cantar vitória antes do tempo





Às vezes você pensa que o grande espaço que te separa do resto do mundo é tanto e tão grande, que cada segundo te passa como um mês, cada minuto passa como se fosse um ano, que cada dia é um infinito... e você quer reaver/manifestar/abraçar tudo num átomo de tempo. Oque é impossível, insensato...

 Hoje lembrei de um poema/música do Itamar Assunção com o Leminski:


Um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado,
como se chegando atrasado
andasse mais adiante

Carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa
um milhão de dólares
ou coisa que o valha

Álcool, éter, analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
morrer vai ser
a minha ultima obra

e vi que eu tenho caído nessa falácia da dor elegante. Pois bem: vou tirar minha coroa de papelão, extinguir meu grito pra não me sufocar na angústia.... respeitar o tempo das coisas, e assim esperá-las amadurecer. 

Ok, senhor tempo: nós temos um acordo.


ps: a música tem um significado lindo que fala muito sobre o tempo das coisas "crescerem e ganharem cor de novo".... por mais que hoje elas estejam soando meio fora do ritmo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Dias de porco-espinho #3: memórias do fundo do poço (última parte, acho)





Volver a los 17 - Milton Nascimento & Mercedes Sosa



Talvez dizer fundo do poço seja muito... talvez poça...uma poça de lama: lá, eu, preso, sem conseguir sair por um tempo..mas me livrando disso \o/

Hoje logo cedo veio um momento muito único de estranhentendimento  - "todo entendimento repentino parece uma aguda incompreensão". Eu estava logo cedo indo nadar, quando comecei a enumerar o que estava se passando comigo. Resumindo, "mudança & processo".

A palavra "processo" então ficou quicando dentro da minha cabeça por um tempo, até que me remeteu a um trecho do livro  - qual qual? - "O processo", do Kafka. Eu, particularmente, não sou um grande fã do trabalho dele, mas me lembrei desse livro por dois motivos:

A personagem principal fica o livro inteiro sem saber porque as coisas estão lhe acontecendo (como eu, confuso e perdido como estava), até que no final ele entende o porque, mas já é tarde.

Felizmente já consigo ver uma certa ordem em tudo oque aconteceu. Ainda frágil como um segundo, me pergunto se saio disso mais forte(?). Assim espero... mas isso é um caminho, um trajeto: keep rowing, Rafaello!!!! \o/


[Gritam os passarinhos da beira do casco do meu barco]


Mas no entanto, não foi isso que me pegou... e sim um trecho esquecido, antes jogado às traças pela minha memória não muito boa. Há uma história dentro do livro, e eu nem mesmo me lembro o pq dela ser contada, mas eu me lembro dela. Enfim, fala de um homem que chega num portão enorme, no qual há um guarda. Ele pergunta

" - Posso passar"

O guarda:

" - Se você realmente pudesse passar eu não estaria aqui, não?"

E o homem espera....espera (paciência é uma virtude a ser assimilada...). Mas aí ele já esperou demais!!!Pergunta de novo para o guarda:

"- E se eu passar, oque acontece?"

O guarda:


"- Primeiro você teria que passar por mim;  e você até pode conseguir isso, mas saiba que depois deste há outro portão, com um guarda ainda maior e mais forte, e mesmo depois dele há outros portões cada vez piores, com guardas cada vez mais truculentos."

O homem então é demovido de sua idéia de tentar passar. Mesmo assim ele espera e espera....

Passam-se anos e, já velho, o homem não tem mais forças nem pra andar; nem mesmo ousa encarar o guarda. O tempo continua passando, e ele já não tem mais esperança de ir adiante. Então, já prestes a morrer, ele chama o guarda com dificuldade: força para falar também lhe falta. Sussurra então para o guarda, que se agacha para poder ouví-lo:


"- eu sei que o senhor não vai me deixar passar, e nem é isso que lhe peço. Somente me responda algo: porque nunca vi ninguém além de nós dois aqui? Porque outras pessoas não tentaram passar por você?"

O guarda se levanta...suspira...abaixa de novo para dizer:

" Por que este portão foi feito para que você o atravessasse."

O guarda então fecha o portão e vai embora.


[provavelmente ele foi tirar um dia de folga, beber uma cerveja com os amigos e levar as crianças no parque]
[Vou tentar colocar um desenho aqui depois... não dá pra escanear nada por agora]


Bom... por hoje é só, pessoal. Boa sexta feira a todos. Cuidem-se!!!

=)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dias de porco-espinho #2: da relação com os outros

Por que será que ainda existem porcos-espinho no mundo? Se um porco-espinho não consegue chegar perto do outro, como será que eles se reproduzem?


[Qual será o plural correto de porco espinho? Ó, dúvida]

Estou num processo... o de me encontrar. Não consigo chegar perto dos amigos, embora neles encontre conforto, embora neles encontre parte de mim. Não consigo chegar perto de outras pessoas por achar que vou machucá-los. Isso quando você não as machuca mesmo, falando e fazendo as coisas mais insensatas e confusas do mundo.

Será que vai demorar muito pra que eu durma um porco espinho e acorde um menino de novo?




Skhizein! - de Jérémy Clapin


Trazendo à tona um trecho da "Paixão segundo G.H." que ficou na marcado na memória: não há como continuar com uma visão fragmentada das coisas, pois o mundo teria que se modificar todo para que eu coubesse dentro dele.... mas isso, certamente,  não existe.

Sigo por momentos de súbita compreensão, acompanhados de desentendimento e dúvida, que seguem momentos de angústia e paz, com outros de coceira no pé e ansiedade. Não adianta pneumotórax, nem cair um meteoro sobre mim que me traga para onde estou agora... me traga do Brasil, onde eu acho que deixei uma vida, uma bicicleta, um amor, um samba, um tudo. O meu tempo é hoje, e eu realmente quero voltar a vivê-lo... não sob a sombra do que poderia ter sido, mas sob um sol que queima-e-me-dá-vida: quero voltar a ser eu mesmo, quero fazer fotossíntese.

Isso tudo é um caminho... há de se começar de algum lugar: espero ler tudo isso daqui a algum tempo e pensar: "caraleo, eu passei por tudo isso..."

Rafael mãos de tesoura
entra num casulo
para criar asas

... assim espero

=|

[ps: não vou cortar meus pulsos, estejam certos disso]

sábado, 8 de outubro de 2011

Os ventos do norte não movem moinhos

Assumo os pecados pelas mentiras que jurei. Lanço no espaço este desabafo, este grito.




Oque será que nos resta? =|


[Este post foi feito para ser ouvido de olhos fechados, e não para ser lido]
[para que a música adentre e fique]

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Letras gregas e matemática - a origem de um tormento

Hoje eu posto no contexto post-terapia ("post" de postar, não de pós ): estudo matemática há alguns anos já e até hoje não aprendi o nome de muitas das letras gregas. Eu até gostaria de tentar mudar as coisas e colocar nomes que seguissem muito mais a minha intuição, mas eu só consegui fazer isso num seminário uma única vez:
quando chamei a letra do foguete - abaixo -  de Saturno, e a letra  ao lado de "fork" - garfo.   Funcionou e todo mundo entendeu. Pra que complicar, não? Infelizmente os institutos de matemática ao redor do mundo não têm um curso chamado " introdução à nomenclatura e grafia em matemática". Bem provável que eu seria reprovado num curso desses =P


Apesar de todo esse drama, esses "entes" matemáticos acabam me lembrando diversas coisas:


  Essa letra, que eu acho que é a letra eta, parece um mochileiro indo pra Ilha do Bonete.

 Um foguete, sem dúvidas!!  Será que o nome dela em grego tem a ver com isso? Será, pensando em termos mais Asimovianicos, que os gregos anteviram o ser humano voando? Que questão intrigante, vejam só.... nunca tinha pensado no assunto.



A letra epsilon (essa eu sei )... meio indecente falar das possibilidades que ela proporciona






Essa eu nunca tenho certeza qual é. Sigma ou phi?

[Deveria fazer uma votação]
[Será que outros matemáticos tbm têm este problema?]

Me lembra uma menina meio estabanada que anda todo engraçado, com umas botas de chuva vermelhas, mexendo os braços.




Bom, vou voltar pro trabalho.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Penúltimo capítulo de uma história ( ou "Dias de Sísifo")

Numa das manhãs cinzas que passam insistentemente pelos meus dias, eu acordei decidido a terminar o livro da Clarice Lispector que estava na minha mesa há tempos. Abri o penúltimo capítulo do "a paixão segundo G.H." pensando só em riscar a tarefa " terminar Clarice" da minha lista de afazeres, mas sem saber oque me esperava ao certo.

Bom... o trecho abaixo é um pedaço do livro. Pra situá-los na história, G.H. é uma mulher que mora sozinha num apartamento e que decide dar uma geral no quarto da empregada que a deixara naquele mesmo dia.  Entrando lá ela encontra um universo que acho que só a Clarice poderia ver. O livro é muito doido e intenso, com um lirismo numas partes sem igual.


"Estar vivo é uma grossa indiferença irradiante. Estar vivo é inatingível pela mais fina sensibilidade. Estar vivo é inumano - a meditação mais profunda é aquela tão vazia que um sorriso se exala como de uma matéria. E ainda mais delicada serei, e como estado mais permanente. Estou falando da morte? Não sei. Sinto que "não humano" é uma grande realidade, e que isso não significa "desumano", pelo contrário: o não humano é o centro irradiante de um amor neutro em ondas hertizianas
Se minha vida se transformar ela mesma, oque hoje chamo sensibilidade não existirá - será chamado de indiferença. Mas ainda não posso apreender esse modo. É como se daqui a centenas de milhares de anos finalmente nós não formos mais oque sentimos e pensamos: teremos oque mais se assemelha a uma "atitude" do que a uma idéia. Seremos a matéria viva se manifestando diretamente, desconhecendo palavra, ultrapassando o pensar que é sempre grotesco.
E não caminharei de pensamento em pensamento, mas de atitude em atitude. Seremos inumanos, como a mais alta conquista do homem. Ser é ser além do humano. Ser homem não dá certo, ser homem tem sido um constrangimento.O desconhecido nos aguarda, mas sinto que este desconhecido é uma totalização e será a verdadeira humanização pela qual ansiamos. Estou falando da morte? Não, da vida. Não é um estado de felicidade, é um estado de contato.
[...]
Mas agora, através do meu mais difícil espanto - estou enfim caminhando em direção ao caminho inverso. Caminho em direção à destruição do que construi, caminho para a despersonalização.
Tenho avidez pelo mundo, tenho desejos fortes e definidos, hoje de noite irei dançar e comer, não usarei o vestido azul, mas o preto e branco. Mas ao mesmo tempo não preciso de nada. Não preciso sequer que uma árvore exista. Eu sei agora de um modo que prescinde  de tudo - e também de amor, de natureza, de objetos. Um modo que prescinde de mim. Embora, qto a meus desejos, a minhas paixões, a meu contato com uma árvore - eles continuem sendo para mim como uma boca comendo.
[...]
Aquilo de que se vive - e por não ter nome só a mudez pronuncia - é disso que me aproximo através da grande largueza de deixar de me ser. Não porque eu então encontre o nome e torne concreto o impalpável - mas porque designo o impalpável como impalpável, e então o sopro recrudece como na chama de uma vela.
[...]
A deseroização de mim mesma está minando subterraneamente o meu edifício, cumprindo-se à minha revelia como uma vocação ignorada. Até que me seja enfim revelado que a vida em mim não tem o meu nome.
[...]
A deseroização é o grande fracasso de uma vida. Nem todos chegam a fracassar porque é tão trabalhoso, é preciso antes subir penosamente até enfim atingir a altura de poder cair - só posso alcançar a despersonalidade da mudez se eu antes tiver construido toda uma voz. Minhas civilizações eram necessárias para que eu subisse a ponto de ter de onde descer. É exatamente pelo malogro da voz que se vai pela primeira vez ouvir a própria mudez e a dos outros e a das coisas, e aceitá-la como a possível linguagem. Só então minha natureza é aceita, aceita com o seu suplício espantado, onde a dor não é alguma coisa que nos acontece, mas o que somos. 

[...]
Por destino tenho que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas - volto com o indizível. O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu.
E é inútil procurar encurtar caminho e querer começar, já sabendo que a voz diz pouco, já começando por ser despessoal. Pois existe a trajetória, e a trajetória não é apenas um modo de ir. A trajetória somos nós mesmos. Em matéria de viver, nunca se pode chegar antes. A via crucis não é um descaminho, é a passagem única, não se chega senão através dela e com ela. A insistência é o nosso esforço, a desistência é o prêmio. A este só se chega quando se experimentou o poder de construir, e, apesar do gosto de poder, prefere-se a desistência. A desistência tem que ser uma escolha. Desistir é a escolha mais sagrada de uma vida. Desistir é o verdadeiro instante humano. E só esta é a glória própria de minha condição. 
"
A paixão segundo G.H. - Clarice Lispector 


Os dois últimos trechos são ...fodas. Não há outra palavra pra descrevê-los. Lendo o trecho de novo eu me propus o seguinte: fazer um desenho logo após a leitura, com a primeira coisa que me viesse na cabeça. Deu no seguinte:


















Oque foi curioso, por que acabou me remetendo ao mito de Sísifo. Na hora, acho que não tinha me dado conta dessa possível ligação entre uma coisa e outra.


[Me perdoem pelos rabiscos no canto... eu fiz o desenho durante uma pausa nos estudos,]
[ no meio de uns rascunhos]

Não sei se entendi ao todo o que esse mito tem a ver com o que li. O mito não fala sobre o drama de se ter uma tarefa que não termina nunca ou que, no caso de um simples mortal como eu, parece nunca terminar. Talvez fale sobre o drama de se tentar construir algo quando se sabe que não há nada a ser construído; talvez o infinito não esteja somente na natureza repetitiva da tarefa, mas também no quão infinitamente sem sentido ela parece ser. É aí que entra o papel do homem... o "homem que não se banha duas vezes no mesmo rio": a tarefa parece a mesma aos nossos olhos, mas o homem não: este muda.

Me senti assim nesse período: rolando essa grande pedra montanha acima, sabendo que ela só tinha como destino vir morro à baixo....


...realmente, acho que ainda não consegui entender

=|

sábado, 17 de setembro de 2011

Sobre a arte de ser/ter um roommate

Continuando sobre o tema "morar junto".  Agora, oficialmente, eu sou uma pessoa que mora sozinha! \o/ \o/

Isso me trouxe à lembrança vááários e vários casos de quando eu morei com mais gente. Afinal, qual é o grande porém em se morar em uma república?

Primeiro, o termo república pode gerar controvérsias. Não quero entrar no mérito da questão aqui, mas existe uma diferença muito grande entre vc ter um lugar no qual a única coisa que te importa é o seu quarto (a única coisa pra qual vc liga) e num lugar onde todos zelam pelo bem estar um do outro. Já morei nos dois tipos de casa... o último, definitivamente, foi o que me senti melhor.

Uma grande diferença tbm em se morar com gente "estranha" é que eles no geral não são parte da sua família. Então, quando o seu roommate deixa louça suja na pia, ou toma banho e seca com a sua toalha de rosto ( poréns de se morar com gente de outros países, que não compartilha dos seus hábitos "culturais"), vc não vai sair gritando , entrando no quarto do indivíduo(a) xingando, dizendo que ele(a) não faz porra nenhuma, é um preguiçoso do caraleo, fdp, eu não sou seu escravo etc etc...


Não. Isso não funciona.

Nessas horas vc acaba aprendendo a conversar um pouco mais de leve com as pessoas. A tentar entender, a tentar ensinar-aprender...Aprender, sim sr, pq a gte sempre acaba fazendo besteira, ou coisas que vão/podem incomodar o seu amigo-colega-roommate que mora no quarto ao lado.


Dividir o espaço... complicado =/





[Nature break - roommates , de Mike Hollingsworth]



Dividir a geladeira... nossa, complicadíssimo. As "geladeiras da minha vida" seguiram um curso histórico que pode ser representado como o seguinte...



ops...me desculpem...essas são as capitanias hereditárias =)(mapa extraído de http://viajarnotempo-historia.blogspot.com/2007/12/diviso-do-brasil-em-capitanias.html. Parece  ser um blog legal.)

O mapa da evolução dos tratados de ocupação de geladeiras (as que "conquistei", ao menos, é o seguinte:




A primeira é...bom, pra dar um tom lúdico à coisa toda, ligue o desenho à descrição:








  • Tratado família;
  • Tratado vamos  evitar inconvenientes (como quando alguém vai e ocupa toda a geladeira e não sobra espaço pra vc guardar o seu... leite, por exemplo);
  • Tratado "não houve acordo" - Quando tudo fica uma zona...(dica: esta geladeira parece o mapa da África, ou o dos Estados Unidos);
  • Tratado "você aqui, eu lá", quando se mora em duas pessoas, ou em dois grupos distintos de pessoas (duas famílias, por exemplo).


Caminho pra uma "outra vida", talvez. Não sei o quanto aprendi neste meio tempo, de vidas-geladeiras divididas. Muito? Definitivamente, muita muita coisa. Dividir é uma arte, que eu só fui aprender em estágios bem distantes da minha vida... e ainda estou aprendendo outras maneiras e coisas a se dividir: tempo, paciência, tempo, salário.... tempo...etc

Vou pedir pra alguns que moraram comigo darem uma olhada neste post: eles devem ter muito a acrescentar, já que  acho que esqueci muita coisa.

É isso. Agora vou limpar a casa pra remover os "vestígios" do meu antigo roommate (são muitos, acredite)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Dias de páprika





Quando se está em crise tudo tenta nos levar mais pra baixo: a primeira figura apareceu naturalmente durante meu almoço de ontem. Tentei modificá-la pra inserir um sorriso e uma gravata borboleta...

Apesar do sorriso, o lado negro/broto de brócolis ainda estava à espreita.

Saio dessa inteiro...

... espero

sábado, 10 de setembro de 2011

Sonhejamento familiar

O sonhejamento familiar  é algo inerente à natureza humana: a gte nasce, brinca de lego construindo casas, vai pra escola e aprende um monte de coisas (há controvérsias) vai pra faculdade e aprende mais um monte de coisas... (bom, melhor ficar quieto... ) e depois pensa:

"bom...estou adulto já. Hora de ter minha própria casa..."

Aí chega aquele período de dúvidas...vc pensa: "será que fico mais um tempo com meus pais e economizo uma grana que eu posso gastar em viagens pra europa todo ano, comprar besteiras na amazon etc, ou eu saio, num vôo solo, mundo a fora...?"

O caso acima, vcs devem ter desconfiado, foi o meu (exceto pelas viagens à Europa e compras na amazon). O vôo solo, no entanto, não se deu antes de viver em repúblicas: algumas com pessoas às quais hoje sou indiferente, outras com pessoas que hoje tenho como irmãos (irmãs, na verdade =).... Know-how o bastante pra pensar que morar junto segue um princípio galileliano: deve ser a mesma coisa em qqr lugar do mundo. Vim pros eua com essa idéia na cabeça, e achei que fosse ser parecido. Bom, falo disso no próximo post (sobre roommates e outras coisas)

No geral,  eu gosto de planejar as coisas: acordo de manhã e penso nos teoremas que vou estudar (não nos que vou entender..isso é mais complicado), no horário em que vou nadar, no horário que sairei da aula, no que pegarei minha bicicleta pra ir não sei aonde....  Nesta linha, o sonho da "casa própria" seria realizado depois de uns dois anos em terra estrangeira. Claro, veio todo aquele sonho da casa com cerca branca, um cachorro com nome esquisito....como... maçaneta

(hummmm...pq o nariz dele é engraçado, meio torto e grande )



Pois bem,  aconteceu de ser antes do que eu esperava... e eu vou adentrar o mundo das pessoas "solitárias" que moram sozinhas em breve ( em alguns dias): meu roomate vai embora!!! \o/


Detalhes dessa pequena novela mais adiante. Vou lavar roupa agora (puts...to ansioso, com medo de ter manchado minhas roupas .,,, =/  Um dia lavar roupa ainda me mata do coração, vcs vão ver só )

 =|

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Everything is free in America, for a small fee in America - um ano na terra do Tio Sam

Incrível pensar nisso, mas hoje faz um ano que cheguei a esta terra. Eu, Rafael A M Staden, acreditando que seria devorado por selvagens nesse dysneylândinóspito país, acabei resistindo. 

É pessoal... um ano....

Depois das férias no Brasil, em que eu li o livro do Amyr Klink, eu passei a ver essa minha passagem por aqui como uma longa jornada em que eu tenho que remar e remar pra atravessar um oceano de conhecimento, saudade, pessoas, junk food e outras coisas.... para poder aportar enfim em alguma terra e encontrar algo que eu não sei oque pode ser.


[ou seja... futuro vago e incerto =]



A saudade, chega uma hora, deixa de vir tão frequentemente; os selvagens locais já não são mais tão hostis a você, que começa a se adaptar melhor e a ver o que te cerca mais amigavelmente. Acho que aquela frase do Old Boy:

ria e o mundo rirá com vc, Chore, e vc chorará sozinho.  


[acho que era isso]

expresa bem essa mudança de perspectiva. Ter isso em mente faz as coisas fluirem mais facilmente....e então você pode seguir remando, remando...


Embora já há um ano por aqui, sempre me lembro da supresa inicial, do choque, e da angústia. Não houve muito deslumbramento, oque me fazia pensar muito em Pero Vaz quando se dirigiu ao rei de Portugal na sua carta em que descrevia essa terra chamada Brasil.

Termino o posto roubando as palavras de despedida de Pero Vaz:


[meus poucos leitores: a vocês deixo o papel de alteza =]

"Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!

Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!
E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo."
[a parte em que ele fala em "salvar a gente" local é demais]
[ hahahaha]


Passando pelo miúdo então, me despeço por hoje




[mentira...não vou passar pelo miúdo não, mas ir ao supermercado, isso sim ]


=)



sábado, 6 de agosto de 2011

Sobre aquilo em que "podemos" acreditar e também sobre aquilo em que queremos acreditar...

Os posts anteriores, sobre a arte de se acreditar no que se quer  me levam a escrever aqui sobre oque separa, no pequeno- grande universo que cada um de nós levamos dentro de nós, nossas crenças daquilo que realmente vemos. Há um outro trecho no livro do Heisenberg- a parte e o todo -no qual eles falam sobre a descoberta do méson-pi. Aí o Heisenberg levanta a questão de se fazia mesmo sentido analisar a trajetória de um átomo por conta do princípio da incerteza; como se oque se visse não fosse a real trajetória do átomo.... pois, pensa-se, pode se ver o átomo ali por que ele deixa um traço numa câmara de vapor (acho que é câmara de vapor... se algum físico ler isos, pfv, corrija-me =), mas pode se pensar no átomo, ou suas partículas componentes, como objetos?

Acreditar é em parte ver, e ver  é um motivo para se acreditar... uma simbiose; posso eu acreditar num átomo se nunca vi um? Posso eu acreditar em deus se nunca o(s) vi? Oque é a indicação direta de uma existência, da presença, de uma verdade, uma realidade, um indício, um princípio? Como no post anterior, onde eu falo sobre aquelas imagens que aparecem em vidros e chegam a reunir algumas mil pessoas, pronunciamento do papa à respeito.


[Para vcs verem como isso vai longe, há outros vídeos sincronizando álbuns de rock com filmes. Vou deixar um link nos comentários aqui a título de curiosidade, sincronizando parte do álbum The wall, do Pink Floyd, com Alice no país das maravilhas]
[Há versões sincronizando o the wall com O Grande ditador, do Chaplin] 




Pensando/refletindo e lendo sobre isso tudo, eu me lembrei de um momento da minha infância- deveria ter uns 7, 8 anos- no qual eu e um amigo ( o mesmo do post da lasanha ) estavamos no último andar do prédio em que nossas famílias moravam, tentando subir para o terraço pra ver oque havia lá. Para colocar mais lenha na fogueira da nossa curiosidade, a chave de entrada pro telhado (sim, há um telhado no terraço) estava ao lado da porta, dentro de uma caixa protegida com um vidro. Aí a nossa imaginação foi longe né:  ter que quebrar aquilo, pegar uma chave (quem precisa de Harry Potter num mundo como estes? =)...  Para dar um clima de terror à coisa toda, havia um barulho muito, mas muuuuito alto mesmo que surgia de tempos em tempos neste corredor à medida que andávamos em direção à caixa com a chave.


[Depois a gente soube que aquele era o barulho da casa de máquinas do elevador, mas a gente acreditava piamente que aquele barulho acontecia porque estavamos pisando nos pontos errados do chão]
[ =P]


 Bom, nem preciso dizer que a gente deve ter perdido por volta de uma hora pulando de um lado pro outro naquele corredor, até que fomos lá, quebramos a caixa com a chave, subimos no terraço do prédio, o síndico descobriu, nossos pais descobriram... e levaram uma multa por conta disso.

Acho engraçado lembrar disso pela "ingenuidade" em acreditar em todo aquele acaso mirabolante do pisar nas pedras erradas ou certas... como no post sobre o dark side of the moon e o mágico de oz: a gente acreditava no que a gente queria acreditar.. talvez não exatamente isso; acho que no que nossa realidade nos permitia acreditar.

Que post confuso, nossa... merda, cheguei num beco sem saída =|

De qualquer forma, há uma animação ilustrando tudo isso que eu falei; talvez seja um dos filminhos mais fodas que eu já vi, no enredo e na qualidade gráfica.



A suspeita - José Miguel Ribeiro, 1999









Incrível ver como o homenzinho articula toda uma história, vendo as coincidências de uma maneira que chega até a convencer a mulher magricela... mas a coisa toda perde todo o sentido quando a verdade vêm à tona, que ele fica até embaraçado por ter ido tão longe em sua imaginação.

Divirtam-se =)

terça-feira, 26 de julho de 2011

The great gig in the sky + Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen (addendum)

Merecida continuação ao post anterior, bem lembrado fui do assunto: citei o livro Wizard of Oz por conta da lenda urbana que há por trás dele e o álbum Dark side of the moon... nunca tinha visto o filme usando o disco como soundtrack, por isso deixo uma palhinha aqui


Wizard of Oz, DSotM, video 3 from kevin gilmore on Vimeo.


De qualquer forma, não acredito na história de que o álbum foi feito como um acompanhamento ou inspirado no filme. Acho isso balela, e acredito que, certamente, se vc colocar um álbum onde as músicas são interconectadas (como...por exemplo... humm deixe-me pensar num exemplo. Não sei de nenhum agora... acho que o Ok computer, do Radiohead, junto com Corra lola, corra





Ahh!!! A música!!! =P



GUIDELINES!!!!!

Agora a gente tem que criar um ponto de inicio... vc deve começar o disco no momento em que a câmera fica totalmente escura na boca do monstro do relógio (parece não fazer sentido...veja o filme e entenda =)

Buscando coincidências:

  • Deixe o filme no mudo!!! O bom é que dá tempo de fazer tudo e vc não precisa gritar pra alguém no quarto: " - o leão rugiu uma, duas...três!!! vezes!!! Corre pra sala pra ver com a gente, já tá pardendo o filme!!! "
  • Repare que quando ele fala na letra "in an interstelar burst" aparece o policial. Não fique muito surpreso com essa dentre tantas outras coincidências, mas o  policial tem uma estrela no chapéu;
  • Quando ele fala " I am born again" aparece uma mãe com um filho;
  • Note que a música tem um momento de calmaria no momento que o policial chuta a bola pro alto e então, quando a bola "penetra" exatamente no centro da letra "ó", a música fica agitada de novo  (será coincidência?);
  • A música tem uma parte de calmaria quando o cara está desesperado na cabine do telefone e o filme apresenta uns trechos em preto e branco;
  • A música fica tensa de novo quando Lola fala que está com medo e e o rapaz diz que vai ser morto se não pagar a dívida que tem;
  • A música da primeira faixa acaba justamente quando o carro pára na frente de uma casa.
  • Obviamente, vc deve correr pra colocar a segunda faixa... eu é que não tive tempo de fazer isso.
  • Há muitas outras coincidências... mas eu não quero falar aqui,  se não vou parecer chato rsrsrs

Façam o teste e espalhem!!! Será que vira lenda tbm? (mas acho que o filme foi feito depois...bom, que seja. Pode-se falar ainda que o filme foi baseado no álbum rsrs)


Só pra vcs verem que a gente vê as coincidências que quer, onde quer, como quiser e com o sabor que mais  - ou menos - gostar.

Vemos oque quisermos, acreditamos no que queremos acreditar; que sua(eu) namorada(o) te trai só porque vc nao conseguiu falar com ela(e) no celular ontem (e ela(e) disse que estava fora de área), que a Capitu traiu traiu mesmo ( puta), que A, que B, que Ó, que....


Por exemplo, tem gente que acredita que deus existe (ou se manifesta aos homens)  porque vê uma mancha numa janela

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55045.shtml

Oque leva muita gente a peregrinar e se reunir


http://www.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55074.shl

 Ter ao que se apegar: uma pedra, um uso de pelúcia, um toco, uma bóia, um patinho de borracha, um guarda chuva que o avô deixou...... Bem, vá fundo e acredite. Eu acredito no axioma da escolha; é como uma fé, que %99,9999999 dos matemáticos (já me designo como um, qdo convém =) nutrem. Acreditar é ter motivo pra seguir adiante... mas isso é tema pra outro post.


Divirtam-se

sábado, 23 de julho de 2011

The great gig in the sky + Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen

Eu ia deixar pra mais tarde, mas eu acho que é melhor vc leitor dar play agora e seguir lendo, muitíssimo bem acompanhado      

Ontem rolou uns caras tocando Pink Floyd num bar. Engraçado e curioso que uma das músicas que eles tocaram, "the great gig in the sky",  me lembra a ária da rainha da noite, da flauta mágica, de Mozart .



Não em forma ou estrutura!!!! Não é disso que falo!!! Creio que no que diz respeito ao sentimento de angústia, desespero e, de certa forma, alívio que a música passa.Fiquei sabendo depois (viva Wikipedia o/  ) que a música/peça trata de morte. Alguém que morre no desespero, pra quem a morte é uma angústia e um alívio ao mesmo tempo? Seria isso?

 Eu ouço a música e não posso deixar de ter uma imagem na cabeça: uma mulher desesperada (talvez como a do post do violino e violão), mas poderosa, que canta/grita/ sofre de angústia no alto de uma torre em um castelo. Gritar é parte deste desespero, mas tbm um alento, um alívio. A imagem da bruxa (uma das ) do Mágico de Oz tbm me vem à mente: morrendo, no alto da tal torre.

Dá pra imaginar seu chapéu é como uma chaminé enraivecida, cuspindo cinzas, pó, poeira e asfixia . Todos na cidade vêem o céu enegrecendo por conta dessa fúria e temem diante do poder que emana de uma mulher como esta, mas tbm acham belo (que mistura de sentimentos estranha... acho que o mais próximo do que posso imaginar que isso seja são essas músicas).



Aí vejo imagino os dedos da mão bem magros, engruvinhados, dobrados, rígidos como se fossem garras...  garras de corvo, oqual não tem mais nada a que se garrar senão à morte.


Enfim: as músicas são lindas. Espero quevcs curtam (e compartilhem suas impressões, claro!)

sábado, 16 de julho de 2011

Ser diferente parecendo igual + variações Goldberg + sonecotron

Tenho uma tarefa mto grande pra fazer, então resolvi postergá-la pro Domingo.... Decidi então escrever um pouco.

O post de hoje é uma mera continuação do anterior, sob uma diferente perspectiva: no post anterior eu falava sobre como pessoas diferentes tocam a "mesma" música colocando sensações, emoções e elementos diferentes, que a música chega a ser outra.

Aí fiquei pensando em como isso se dá quando a mesma pessoa toca a música, só que mudada (a pessoa, digo). Oque, por sua vez, me fez lembrar de uma frase  -Fernando Pessoa, acho - que diz que uma pessoa não se banha no mesmo rio duas vezes. Quando ouvi isso pela primeira vez - época do colégio - eu fiquei meio "insatisfeito", porque a frase não acrescentava nada. Eu poderia dizer que eu não teclo a tecla p da mesma maneira duas vezes, não digo oi da mesma forma duas, ou mesmo três vezes... enfim.  Uma frase que me deixou assim....  não acrescenta nada, é isso.

Acho que essa imprecisão das palavras para descrever sentimentos e sensações perdurou durante muito, até que eu admitisse que o essencial nessa frase ( a meu ver) não é o rio, mas a pessoa que se banha nele.

[ok..isso pode te parecer óbvio pra vc, leitor. Mas pra mim era a arte de ser totalmente incompleto. Pra que fazer uma arte que não acrescenta? Não que arte que não acrescenta não seja importante, isso quando ela é feita com este intuito.... bom... isso foi uma indignação minha, enquanto adolescente. Só estou contextualizando =]

Mais tarde eu tive oportunidade de perceber o quanto isso era possível. E oque eu trago hoje não é nada mais que um exemplo disso.

Podem até dizer que o Glenn Gould estava melhor em questão de técnica na segunda versão, mas acho que este não é bem o ponto da peça - a técnica será nossoo rio aqui: a pessoa era outra. Mais velho, mais sóbrio, menos vivacidade, mas uma paixão tão grande quanto a que tinha na juventude, senão maior, por aquele ectoplasma-algo-coisa intocável que emana da música de.... (adivinhem?) Bach!!!

Ok... estou ultra repetitivo. Lá vem ele com essa de Bach de novo! Tá virando religião já... daqui a pouco ele tá tomando o chá do Daime com coca-cola e falando de...

Bom, pessoal... não há muito oque dizer quanto a esta peça. As variações, pelo que eu saiba, foram feitas por Bach para um rei que sofria de insônia. Então, quando o rei não conseguia dormir, ele ia apurrinhar o pobre do seu pianista  - o tal de Goldberg- que tinha que ficar lá, tocando as variações pra tentar fazer o rei cair no sono. Oque me traz à memória tbm um filme do Wallace and Gromit, sobre o sonecotron


[eu queria um]
[embora eu ache um desaforo com o coitado do Gromit]

que é muito, mas muito bom (quem me dera eu tivesse um mecanismo deste para me salvar nos momentos de insônia =)




Mas voltemos a Johann. Oque vocês estão prestes a ouvir é a primeira parte das variações Goldberg, tocada pelo mesmo pianista em dois períodos diferentes de sua vida: o primeiro, no ápice da juventude. O outro, no ápice da velhice (se é que há ápice na velhice rsrsrs...


[ai ai... um dia eu ainda leio isso e me arrependo]
[ =) ]

Esta primeira versão tem todo esse lance de juventude que eu falei: abraçar o mundo, velocidade, agir de maneira desmesurada às vezes... Paixão, muuuuuita paixão por algo. Intensa.

(1955)


A segunda eu acho a mais foda de todas (as versões que ouvi): comedida, sóbria e de uma vivacidade única quando parece que isso é necessário. Não há mais espaço pra palavras não ditas ou para se desprezar o silêncio: o silêncio é importante (não só em música, acredito). Saber respeitar o tempo das coisas, o tempo necessário para que cresçam e tomem forma; sairem pra ganhar o mundo, à sua maneira. E paixão; sempre/muita/desmesurada

(1981)


Durma bem hoje

Bons sonhos =)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O violino e o violão

Oi, pessoal

O post de hoje nasceu de uma leitura da bíblia... hahaha piada =)

nasceu enquanto eu lia um livro do Heisenberg (A parte e o todo) no qual ele começa a descrever uma reunião de jovens na alemanha pós primeira guerra. Pelo que ele conta, ele estava andando na rua quando recebeu um folheto explicando sobre essa reunião, que iria acontecer num castelo.  Vários discursos, jovens falando sobre como reconstruir um país devastado, inflação altíssima, que teve que assumir a culpa pela primeira grande Guerra... oque aquela geração poderia fazer pra mudar aquele estado? Aí, durante uma das tantas discussões acaloradas (lembrando, tudo dentro de um castelo!!! Imaginem a cena!!! ) um cara aparece numa das janelas e começa a tocar a Chaconne de Bach. Puts!!! O pessoal deve ter ido ao delírio!!! Gente subindo no palco e dando uns moshs, rodinhas... Imagina...nada melhor para restaurar a paz entre os homens do que a música divina que vem de Bach

A Chaconne de Bach é uma peça linda.. linda mesmo. E, curiosamente, ela foi escrita pra violino, mas a versão qeu eu mais curto é a pra violão.  Engraçado ser a "mesma peça" que, quando tocada por instrumentos diferentes, ganha novas cores. Bom...talvez as mesmas cores, embora em outros tons...o  violão a deixa mais sóbria, menos estridente. Quanto ao violino... hummm.... como dizer?




O violino pra mim soa como uma mulher  louca que mora numa casinha pequena, em cima de uma barbearia... e nunca paga seu aluguel no dia certo.

Ela fica na janela, olhando para o horizonte por horas a fio, esperando o marido voltar da guerra. Pra sufocar a saudade, ela canta umas árias na sacada; o coração pesado, vazio por dentro. Os vizinhos saem nas janelas, se emocionam....  e ficam lá embaixo da tal sacada, chorando a saudade dela.



E o violão é um senhor simpático, boa praça e galanteador, que vai todas as tarde à padaria
 comer um sonho, conversar com o dono do estabelecimento, e cantar uma daquelas músicas antigas..tipo um Carlos Gardel





Mas, voltando ao ponto central deste post, a comparação entre estes dois seres maravilhosos, figuras marcantes de um vilarejo minúsculo ao sul da Itália, ouviremos a Chaconne de Bach!!!..

A primeira versão que vocês vão ouvir é a da mulher louca que canta maravilhosamente ... digo, a versão do violino


Itzhak Perlman - parte I





Itzhak Perlman - parte II






Como todos os homens únicos, o violão têm seus imitadores, que ficam se engraçando em outros tantos  bares/padarias pelas esquinas do mundo. Eles cantam a mesma canção, mas não com o mesmo vigor e alegria.


A primeira versão é a que eu acho a mais original e bonita ( do John Williams). É daquelas que vc tem que ouvir pela manhã, quando o sol está entrando pelas frestas da janela do seu quarto, querendo te dar bom dia ( forçosamente). Todas as nuances muito bem trabalhadas... um crescendo ultra lindo, carregado de um peso duro e sofrido, mas ao mesmo tempo de uma beleza que, por mais que a gente não possa tocar, está evidentemente ali.
Infelizmente deixaram o arquivo dividido (um crime!!!! ), mas vocês não vão me condenar por isso, vão?  A culpa não é minha, acreditem

John Williams - parte I



John Williams - parte II



Aqui tem uma versão do Manuel Barrueco. Não acho bonita como a do John Williams, mas... gosto é gosto (tá...de certa forma eu estou induzindo vocês a não gostarem. Me desculpem.... é que este blog prima pela sinceridade rsrs Sempre! =)

Manuel Barrueco




Essa outra é do Leo Brouwer. É boa tbm... mas a do John Williams... (ok...vou ficar quieto )

Leo Brower




Há uma outra, com o David Russell... mas aí já é apelar pra paciência de voc... tá, vou colocar. Mas pq acho que essa é uma das versões legais- legais mesmo.


David Russell




Pra quem nunca ouviu essa peça, espero ter trazido um pouco de luz à vida dessa ovelha desgarrada! =P

Aos que já ouviram, ouvir uma vez mais é sempre um prazer; vcs vão curtir novamente.

=)