quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Ithaka

As you set out for Ithaka
hope the voyage is a long one,
full of adventure, full of discovery.
Laistrygonians and Cyclops,
angry Poseidon—don’t be afraid of them:
you’ll never find things like that on your way
as long as you keep your thoughts raised high,
as long as a rare excitement
stirs your spirit and your body.
Laistrygonians and Cyclops,
wild Poseidon—you won’t encounter them
unless you bring them along inside your soul,
unless your soul sets them up in front of you.

Hope the voyage is a long one.
May there be many a summer morning when,
with what pleasure, what joy,
you come into harbors seen for the first time;
may you stop at Phoenician trading stations
to buy fine things,
mother of pearl and coral, amber and ebony,
sensual perfume of every kind—
as many sensual perfumes as you can;
and may you visit many Egyptian cities
to gather stores of knowledge from their scholars.

Keep Ithaka always in your mind.
Arriving there is what you are destined for.
But do not hurry the journey at all.
Better if it lasts for years,
so you are old by the time you reach the island,
wealthy with all you have gained on the way,
not expecting Ithaka to make you rich.

Ithaka gave you the marvelous journey.
Without her you would not have set out.
She has nothing left to give you now.

And if you find her poor, Ithaka won’t have fooled you.
Wise as you will have become, so full of experience,
you will have understood by then what these Ithakas mean.

[C. P. Cavafy]

domingo, 11 de dezembro de 2016

Chuva quente sobre um garoto de cílios grandes

Resolvi trocar memorias para o meu aniversário.
Duas imagens que as pessoas guardam de mim.
Ouvi coisas boas,
e outras das quais me envergonhei um bocado.

(Acho melhor terminar o post em poucas palavras mesmo)



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Snow birds

Algo estranho na min apple por estes dias

Um monte de passarinhos, brincando pra todos os lados,  na porta das casas, nos arbustos

Deve ser alguma especie de conferencia

Ou uma reuniao pre migracao :)

sábado, 19 de novembro de 2016

Good morning, mini apple

O dia não amanhece na mini apple. São 7 da manhã e nada de sol, de luz. Frio lá fora pr'aqueles que vão pro trabalho. Frio lá fora pr'aqueles que vão nadar antes do trabalho. 

Ou seja, um dia como todos os outros.... bem... exceto pelo não amanhecer, que espera, deixa os outros esperando, e chega cada vez mais atrasado.

Nessas duas últimas semanas, um grande choque: esperar pela eleição americana e se deparar com isso antes de ir pra cama.






  E com isso na hora de acordar.






É, meus amigos.... o egoísmo triunfa, o ódio triunfa... 

como uma péssima rima, vejo no celular pela manhã algo que nunca me passaria pela cabeça. Acordo com medo... fico reticente ao sair de casa. Mal consigo olhar pras pessoas, pra cara delas. 

"Será que aquela senhora fofinha que passeia com o cachorro e que acabou de me dar bom dia seria capaz disso?"  

" E todos aqueles hipsters que trabalham no café ao lado de casa...?! "

Estou estarrecido.. e me leva um tempo pra perceber que outros, locais, também estão frustrados, cansados e com medo. Muitos não faziam idéia do quão "feio" o país deles era. 


Oportunidades no Japão, Canadá e outros nunca me pareceram tão tentadoras quanto agora. Os próximos quatro anos hão de significar muito pro mundo. Será que o mundo está mesmo "dando uma guinada à direita?"  A se ver... Eu por aqui, sigo com um tanto de medo, tão assustado quanto meus alunos negros, muçulmanos e latinos. 


domingo, 30 de outubro de 2016

sábado, 15 de outubro de 2016

Japan

Afff.... meio da noite, recebo um email do Japão  com uma oferta de postdoc.... Sei lá oque pensar à respeito.

Sem falar que eles querem tudo pra amanhã, e eu quero é ficar aqui mais um pouco.

Japoneses...


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Home?

Entrevista com japoneses no comeco da semana...

... caramba, onde sera que vou morar no ano que vem?!?!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Amarga mas....

Você sabia

Que dentro de um pêssego

Há uma amêndoa?

Amarga, mas amêndoa

Hey, isso não é um poema

(ai, que besta :)

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Invalido

Meu deus.... que drama pra validar um diploma no Brasil... :/

Estou mais que frustrado.. as vees fico com o receio de nunca mais voltar pra la (como naquele poema sobre Passargada).

Tah foda hoje... :|

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Life crisis # 1.000.003

Incrível como procurar emprego + iminência de mudar de país podem te transformar numa pessoa assustada.

=|

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

8 pm/sexta-feira

20 hrs de uma sexta-feira e eu ainda no trabalho... 

...essa vida de postdoc é só exploração 


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Ansiedades alheias

Acho que toda vez que eu converso com meu chefe e vejo as desmesuradas reações dele diante de uma vírgula errada, de algo não cem por cento claro, algo que não lhe apetece (seja uma área de pesquisa, um livro etc) eu penso em como não me engajar emocionalmente em coisas que poderiam me afligir.

Não me deixar perder no meio de angústias que não são minhas (não que as minhas sejam melhores, de maneira alguma). Ansiedades alheias não são minhas ansiedades.

Acho que a palavra paciência cada dia me faz mais e mais sentido (além de adquirir outras formas e facetas).


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Chinatown (San Francisco)



[Acho que pela primeira vez na vida eu vi que meus traços têm muito a ver com a minha personalidade]
[Mesmo pra alguém que só rascunha e rabisca, acho que faz sentido]
[Acho que a análise é "obscura demais" pra se dividir publicamente , então melhor parar por aqui hehe]

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Office-mate turca e volta pra casa hashtag pra onde eu vou ?

Desde que voltei da Europa eu tive uma office mate turca que nunca parava no escritório. E também nunca falava muito. O máximo que soube é que estava fazendo pós na turquia e que deveria voltar pra lá pra lecionar após o período nos eua.

Rolou a tentativa de golpe e ela foi chamada de volta. 

Tudo oque soube é que a encontrei por acaso (fora do escritório) e ela me disse que o governo a chamou de volta. 

Fiquei me perguntando oque é regressar pra um país num estado daqueles.

:O



domingo, 24 de julho de 2016

domingo, 19 de junho de 2016

Ramadan

It's been a year since I started volunteering here in Minneapolis, teaching math to adults. Most of my students are refugees from Somalia, hence most of them are Muslims.

Today I arrived in class and, due to Ramadan there was only one student. She had a book in front of her. Not a math book, though: she was reading the Koran. 

I, atheist, asked her if she could read a bit for me. 

"-I just wanna hear the sound it has", I said. 

She smiled and nodded.

I sat by her side and then she started reading in Arabic: I closed my eyes. It was like hearing a beautiful song for the first time. Because she was not just reading, she was singing! It sounded like a Bach suite for cello or something as beautiful. 

She kept reading for a few minutes and throughout the reading I kept my eyes closed, enjoying those beautiful sounds that came from the God she believes. 

(Needless to say: it was in Arabic and I couldn't understand a word).

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Passos lentos



Boogarins - San Lorenzo
Passos lentos 
escrevem
VONTADE DE CHEGAR
Precisa andar como quem

Já chegou 
chega de chegar  

De pressa 
é muito devagar

Paulo Leminski



terça-feira, 12 de abril de 2016

Faça chuva ou faça sol

Há tempos não batia uma dessas: vontade de voltar ao Brasil... mas dessa vez não é como nas vezes anteriores, em que a vontade tropeçava em diversas impossibilidades como terminar estudos, arrumar oque fazer depois: eu tenho pensado seriamente em voltar.

Acho que esses dias todos aqui na Europa... essa quantidade enorme de mudanças de casa no último ano (até agora, 6). Estou em todos os lugares mas não estou em lugar nenhum. A impessoalidade enorme de casas em que você está mas não é tua, das cidades em que está mas só de passagem, dos dias que vive mas que - por dentro - tem dúvida se quer que passem rápido ou devagar. Parece-me que há uma necessidade fora do comum em me manter compacto e coeso, enquanto o mundo me pede para ceder e deixar acontecer, viver etc. Parece bonito, poesia, romance, mas não é: a realidade me exige presente a todo o momento e não há instante para ceder e me deixar largado por aí.

Vulnerabilidade? Hummmm.... talvez. Sempre penso duas vezes quando chego a situações assim. Uma realidade "hostil" aumenta e muito a nossa sensação de fragilidade/vulnerabilidade. Mas há outras coisas boas nisso: talvez eu comece a me sentir satisfeito com o que tenho construído, com o que tenho buscado pra mim mesmo. Isso tudo é um processo. É não só aceitar aquilo que o mundo me dá, mas também aquilo que  carrego dentro de mim. 

É curioso que essa dúvida - "volto-não-volto"- oprime, mas não há muito como dividí-la com outras pessoas. Mais e mais sinto que o desenvolvimento emocional das pessoas que amo é frágil demais pra atender minhas dúvidas e angústias bestas, meu cotidiano no qual fazer frio ou fazer calor tanto faz: meus maiores dilemas moram dentro de mim, e não lá fora. Nessas horas é melhor o silêncio. Assim você poupa os outros de micro-mágoas, de hostilidades gratuitas que poderiam destruir qualquer forma de relação mais adiante.

Peço pela paciência dos que estão longe querendo estar perto, e tento me fazer presente praqueles que estão próximos (no caso, ninguém hahaha). Seja presente, esteja presente e se faça presente. 

Últimos dias na Alemanha. Não sei quando posto de novo (e de qual país o farei). 







sábado, 9 de abril de 2016

Bonhommes/Fellows



Bonhommes - Fellows by Cecilia Marreiros Marum


[Assisti esse filme, que me fez pensar e muito em acontecimentos recentes]
[Em como é comum nos apegarmos ao que nos parece hostil e transformar aquilo em sofrimento]
[É o muito frio do mundo, é a distância, é a falta de praia, é a falta de algo]
[É sofrer por querer que oque nos cerca fosse outra coisa: outro lugar, outras pessoas.]
[Claro, isso não faz com que deixemos de ter preferências, de gostarmos mais de A do que de B]
[Mas as preferências devem guiar nosso caminho, e não fazer com que os lugares pelos quais passamos e as pessoas com as quais interagimos nesse meio tempo sejam atrelados a sentimentos e objetos hostis que nos trazem sofrimento.]
[O destino final é o caminho que percorremos para atingí-lo.]
[E vice-versa.]
[Enfim... divaguei =P haha]

ps: aproveitando, esse filme também explica o símbolo no "quem sou eu" ali ao lado ;)


quinta-feira, 31 de março de 2016

Gosminhas

Curiosamente, cada cultura estabelece uma relação singular com gostos, formas, cheiros e texturas. 

Em mais um dia de batalha em refeitórios alemães, nosso explorador favorito (não, não... falo de Rafaello: 1984 ---) esbanjou coragem extrema e pura ousadia ao se deparar com gosminhas. Sim, por que alemães adoram "dressings": aquelas coisas líquidas e de cores duvidosas - branco, verdegrama, amarelo calcinha, vermelho tapete - que algumas pessoas despejam na comida. 

Aflito e sem ter para onde escapar, Rafaello interrompe a batalha de tempos em tempos: olha ao redor num suspiro e busca um ponto de conforto distante, no infinito. Apesar de se sentir realmente desconfortável, nosso viajante dispendeu força sobrehumana ao encarar esse monstro. Felizmente o fez com louvor e sucesso, enquanto seus colegas de mesa se deleitavam ao encarar com seus próprios "monstros líquidos". 

A  textura, a forma e o gosto... cultura. Nossas raízes remetem e buscam  uma esfera de familiaridade onde nos inserimos, nos encaixamos. 

Rafaello sai do campo de batalha nauseado. Busca no bolso com desespero o conforto de uma paçoquinha.

domingo, 27 de março de 2016

Um brasileiro faminto num feriado bávaro

Acordo pensando se vou ter oque comer nesse dia. Olho pra minha humilde despensa de casa temporária e me aflijo: feriado lá fora e escassez aqui dentro. Direitos trabalhistas fecham supermercados em dia de feriado e imigrante morre de fome - deu na manchete do jornal. A beleza e o romantismo de se morar fora. Mas quem vê isso?! Vale mais a pena o sensacionalismo. Penso em comida e abro a geladeira. A cenoura da segunda prateleira conversa com a família de abobrinhas que mora na prateleira de baixo. Riem. Ao me verem, cessam a conversa e se fingem de mortas. Mortas e murchas mas ainda comida: o feriado não há de lhes poupar da panela. 

Penso no feriado e nos malditos direitos trabalhistas. Homens que querem e têm o direito de ficar com suas famílias enquanto outros viajam pra longe das suas e dos seus e morrem de fome ao atravessar o deserto. Rafaello-exupery cai com seu avião no Saara alemão  e hoje até água vai ter q ser da torneira. Pondero... talvez algo escapou ao meu olhar escrutinador faminto: um pedaço de queijo que camaleonicamente imitou o fundo da geladeira, um tomate desentendido, um pote de iogurte fujao... 

Não: estou fadado à fome. Penso em que lei basear minha defesa caso me prendam: "brasileiro preso na Alemanha por saquear o supermercado". Mais vale o sensacionalismo que minha dor. "Brasileiros passam fome na Europa", tema em pauta na ONU e seus fóruns. Direitos trabalhistas... onde já se viu... se a função do trabalho é engrandecer e alimentar o homem, aonde mora o erro já que tantos, como este que lhes escreve, perecem e passam fome?! Olho o céu lá fora, cinza... devestar cinza de fome. A expressão não existente aparece em minha cabeça como um pop up mental que me gera risos de ansiedade e medo. Vamos lá, abobrinhas e cenoura... hoje vcs ganharam o dia

Sigo reticente para a cozinha, escalando os últimos metros desse everest sem tubo de oxigênio. Força se me faltarem letras e palavras... animo se me sobrar fome. 

domingo, 20 de março de 2016

"Pedegree"


Hoje aconteceu algo curioso... eu entrei na minha sala temporária aqui na Alemanha e... vejo meu nome na porta (que já estava lá ontem, mas no qual não havia reparado). 

"Que legal esse cuidado deles"

pensei... aí eu vejo um "MSc" antes o meu nome...e estranhei na hora. Primeiro por que nos eua ninguém liga pra isso: o professor emérito e o estudante de doutorado, todos, têm seus nomes nas portas dos seus escritórios, sem títulos nem nada. Segundo por que não sei se fiquei machucado no meu ego pelo MSc, e não PhD... achei estranho. Aí olhei ao redor e vi que todos têm seu "título", como uma medalha, colado na porta. Aí vi que, nitidamente, eu estava sendo ranqueado. Muito, mas muito estranho. Me tocou... e me lembrei de um trecho do "bird of passage", do Rudolf Peirls, no qual ele descreve a sua vida acadêmica na Alemanha antes de ir pra Inglaterra fugido da guerra; há um trecho no qual ele descreve um visitante chegando para conversar com um professor alemão tratando o por "você". Este último o poda na hora dizendo que deveria ser tratado prof Herr Professor..." A história é de antes da 2nda grande guerra, mas vê-se que sim, a Alemanha continua estruturalmente rígida: a posição de professor ainda é algo de prestígio e eles se orgulham disso. Mais ainda, se orgulham de títulos e te medem com base nisso. Um título pra eles ainda é algo super cobiçado e digno de medalhas, placas e tudo o mais. Vindo dos eua isso é meio chocante:  no meio acadêmico  malemal todo mundo tem um PhD. Agora, pra quem está fora sim (eua), a isso se dá valor. 


Em suma... fica aqui meu lembrete: algumas pessoas e lugares vão te olhar pelo teu (pe)degree, de onde você vem e tuas medalhas. Cabe a você saber o lugar a que pertence, a bagagem que carrega e quão confortável você se sente com ela. É só isso que conta: você é aquilo que carrega contigo, algo que diz mais que todo e qualquer título que você tenha (mas que só cabe a você saber o real significado/importância). 

domingo, 13 de março de 2016

Viralatismo F.C.

Eu tive um amigo nos eua que vivia me dizendo que brasileiros, quando se encontravam, era uma festa: começavam a dançar, se abraçar e tudo o mais. Mas isso mudou pra mim em algum ponto: uma conversa no elevador em português e você se faz de desentendido... uma prosa num restaurante e você nem aí... oque há em comum além da língua? Clarom há muito, mas ... não não, não é o bastante. E então, encontrar brasileiros perdidos ao redor do mundo se tornou um pouco desconfortável... ainda mais quando eles insistem em falar do Brasil.

É interessante ver alguns condenando o modo de vida brasileiro... "simples", alguns dizem. Eu acho que é o contrário. O modo de vida europeu é tão simples quanto. E, sinceramente, se você mora na américa e quer ter um padrão/modo de vida europeu você vai ter que ter muito dinheiro. Da mesma forma, se você mora na europa e quer ter um padrão de vida "tropical" (café da manhã com frutas variadas, viagens à praia etc) vc certamente vai ter que ter muito dinheiro. A diferença toda está no que as pessoas consideram como simples e no que elas consideram como luxo. Infelizmente as elites dos países latino americanos têm os olhos voltados pra europa e eua.... por outro lado, a elite européia e americana têm os olhos voltados pros próprios umbigos (vide Donald Trump... meu deus, que foi aquele último debate republicano!??! )

E acho que isso volta um pouco àquilo que eu reparei assim que pisei aqui: a funcionalidade. Acho que a idéia toda da alemanha está nessa simplicidade, nessa funcionalidade sem fancyness, evitar o rebuscado desnecessário, o excesso. E o Brasil, de certa maneira, têm um pouco dessa virtudo, de maneira não consciente. É incrível o viralatismo brasileiro: nunca vi povo que se une tanto pra falar mal, pra esculhambar, pra açoitar tanto sua história e seu povo. 

Acho que começo a fazer as pazes comigo mesmo, de alguma maneira. A Alemanha e o frio norte americano me têm sido uma lição de humildade sem fim. 




terça-feira, 1 de março de 2016

Alligators

Nessa época de oportunismo e gente falando do que não sabe, eu preferi esperar pra falar sobre o David Bowie. A coisa mais legal que posso falar das lembranças que tenho dele e das músicas que ele fez, além do filme labirinto, é o começo do Ziggy Stardust. Quando ele grita "I'm an alligator" hahaha Eu sempre achei um ato de coragem enorme, de uma bravura poética poder se dizer um alligator quando na verdade você não passa de um cantor de rock. Eu achava hilário e admirável ao mesmo tempo. Enfim... quisera eu ser um alligator também.



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Construindo padrões... ou melhor, encontrando-os :)

Eu não falo muito sobre o trabalho de ser matemático aqui. Talvez por que não haja nuito oque falar. Às vezes parece que guardamos um segredo, e pouquíssimas vezes podemos dividí-los com os outros rsrs Mas isso não é bem assim: às vezes temos a sorte de trabalharmos com coisas mais paupáveis, que as pessoas podem ver e ter uma idéia do que se trata.

Mas por que agora, depois de tanto tempo, entrar nesse assunto ingrato?

Por que hoje, finalmente, depois de seis meses de pós doc eu consequi um resultado legal. Ok ok, há partes a rserem finalizadas e tudo o mais, mas essencialmente o trabalho está pronto. Wow...6 meses?! Bom... só há dois meses decidimos abandonar o projeto anterior (no qual não fizemso progresso algum em 4 meses!!) pra então nos dedicarmos a algo mais "doable", que é esse projeto de agora,  no qual estudamos essas estruturas aqui (essa foto é do parque nacional Bouldi, na Austrália):

Esses anéis concentricos  são oque chamamos "Anéis de Liesegang". Há mais de cem anos eles são estudados e as pessoas até hoje não
sabem muito bem por que eles se formam. Outra coisa interessante é que esse distânciamento entre regiões com cores diferentes (por que há diferente concentração de componentes químicos) se repete em diversos outros fenômenos, sejam eles em tubos de ensaio ou numa outra rocha... lá longe da Austrália.. (no Jalapão, por exemplo!)

Essa "lei" de separação entre faixas de diferentes cores é tão rígida que engenheiros e físicos começaram recentemente a estudar a aplicação desse fenômeno na criação de componentes microscópicos (há uns experimentos nessa linha em institutos de física na região de  Chicago, EUA).

Em suma, é isso. Fico feliz em dividir isso com vocês, 2, 3 leitores que entram aqui uma vez por ano hahaha mas só essa foto já vale à pena =)


ps: certamente, o trabalho que eu fiz não explica o por que desse fenômeno ;) No entanto também se trata de um padrão de tiras de "cores diferentes" que se formam em reações químicas. Ao contrário da foto acima, no caso em que eu trabalhei os padrões podem ser tanto verticais (como numa zebra) como horizontais (como... numa zebra deitada =P )



domingo, 14 de fevereiro de 2016

Sonho e ode à funcionalidade

Por esses dias tive um sonho estranho... sonhei que saia de casa e, curiosamente, entendia oque as pessoas ao meu redor falavam hehe :P

Acho que esse é o aspecto mais curioso de estar na Alemanha: ser um iletrado, que mal lê, que não entende oque se fala, oque se pergunta, placas, cartas, letras de música, avisos e alertas. 

Por outro lado,  há o choque cultural... que na verdade mais me está servindo de "lição" e que eu abordo com uma curiosidade quase infantil (de uma criança que descobre um bicho novo no jardim de casa): a funcionalidade. Não existe beleza por aqui, mas funcionalidade. Os teoremas, antes de serem provados de uma maneira bela, são provados da maneira que podem ser provados (desde que corretamente). As paredes(?): escale-as, não pense se da maneira mais bonita. As casas(?): funcionais. Os sorrisos(?): funcionais. As bicicletas(?): velhas, mas funcionais. Os carros(?): quadrados, mas funcionais.É um contraste enorme diante da cultura de onde vim, brasileira, onde a beleza parece imperar diante da eficiência. Ou a americana... (em que o estético se alia ao funcional de maneira consideravelmente avançada). Ou na cultura francesa (ao menos a matemática ): longas divagações filosóficas de teóricos franceses, os teoremas curtinhos e de palavras poucas, as longas filas em órgãos do governo e universidades.... na Alemanha? Que nada... eficiência. 

O belo fica sabe-se lá onde. Quem se importa?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O encontro de dois pássaros


"Develop the courage to solve those problems that can be solved, the serenity to accept those problems that can't be solved, and the wisdom to know the difference. "

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A(nalfabeta)lemanha

Pra não se esquecer nunca e se compadecer a todo o momento: a vida dos analfabetos é difícil.

Apertamento

41m^2...de arrogância, de desassosego.

41m^2 se à vista: de preconceito e mal estar

41 m^2 depois de você ter dado a alma e ter onde cair morto (aos 70 anos)

41 m^2 para se dividir entre uma família grande (em muitos mini metros)

41 m^2 para viver mais próximo daqueles que você ama (e se isso gerar atritos, adquira mais 41 m^2)

41m^2 de buzinas e fumaça


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A máquina do abraço

Ouvi dizer recentemente que autistas têm dificuldade de se sentir como unidade. Muito comum com entre eles o fato de, para se sentirem como unidade, terem maior idéia de onde começam e onde terminam, eles se escondam em lugares pequenos, debaixo de mesas, lugares estreitos, coloquem pesos em cima do corpo. Imagina, você sentir que seu corpo escapa de ti?

Eu sempre professei a teoria de que existe um espectro para tudo: masculinidade/feminilidade, inteligência, propensão a maldade, comportamentos neuronais atípicos etc.

Uma das coisas que descobri no final de 2015 foi que eu deveria implementar uma máquina do abraço para mim; algo que nutrisse o feedback de mundo do qual preciso para me sentir confiante, algo que me desse a entender que oque tenho feito está na direção certa, que (me ) é o bastante.

Resolução de 2015 que persistirá nas resoluções de 2016

Feliz ano novo a todos!

Próxima parada deste grande circo: Alemanha :)