quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Dias de porco-espinho #2: da relação com os outros

Por que será que ainda existem porcos-espinho no mundo? Se um porco-espinho não consegue chegar perto do outro, como será que eles se reproduzem?


[Qual será o plural correto de porco espinho? Ó, dúvida]

Estou num processo... o de me encontrar. Não consigo chegar perto dos amigos, embora neles encontre conforto, embora neles encontre parte de mim. Não consigo chegar perto de outras pessoas por achar que vou machucá-los. Isso quando você não as machuca mesmo, falando e fazendo as coisas mais insensatas e confusas do mundo.

Será que vai demorar muito pra que eu durma um porco espinho e acorde um menino de novo?




Skhizein! - de Jérémy Clapin


Trazendo à tona um trecho da "Paixão segundo G.H." que ficou na marcado na memória: não há como continuar com uma visão fragmentada das coisas, pois o mundo teria que se modificar todo para que eu coubesse dentro dele.... mas isso, certamente,  não existe.

Sigo por momentos de súbita compreensão, acompanhados de desentendimento e dúvida, que seguem momentos de angústia e paz, com outros de coceira no pé e ansiedade. Não adianta pneumotórax, nem cair um meteoro sobre mim que me traga para onde estou agora... me traga do Brasil, onde eu acho que deixei uma vida, uma bicicleta, um amor, um samba, um tudo. O meu tempo é hoje, e eu realmente quero voltar a vivê-lo... não sob a sombra do que poderia ter sido, mas sob um sol que queima-e-me-dá-vida: quero voltar a ser eu mesmo, quero fazer fotossíntese.

Isso tudo é um caminho... há de se começar de algum lugar: espero ler tudo isso daqui a algum tempo e pensar: "caraleo, eu passei por tudo isso..."

Rafael mãos de tesoura
entra num casulo
para criar asas

... assim espero

=|

[ps: não vou cortar meus pulsos, estejam certos disso]

5 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Rafael. Sou vet e achei interessante a sua dúvida. Sabe que os porcos-espinhos interagem a vida toda com carrapatos sobre a pele. Quando vc os retira com um carrapaticida, por exemplo, na maior das boas intenções, os animais entram em depressão e acabam morrendo de solidão? Por incrível que pareça, esse é o contato afetivo que esses bichinhos têm com o outro ... o de fora. Eles copulam, na certa, mas essa é uma dúvida que compartilho com vc.

Rafael disse...

... não sei se leio isso como um estímulo para eu seguir em frente ( por que não tenho carrapatos, acho)ou como um atentado pra me afundarem de vez na lama.

Bom, ao menos vc foi instrutivo(a).

Rafael disse...

Esse sentimento de preservação me lembra muito oque Brecht relata no Círculo de giz caucasiano:
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Caucasian_Chalk_Circle

Sulusha disse...

Irmão que escolhi...Lembra das coisas q passamos juntos quantos dividíamos uma casa... Q virou república?? Então..Lembra q ela estava virando uma casa de novo e hj a considero uma casa, com pessoas diferentes que não tomaram os lugares das q se foram , só formaram um novo conjunto... espero q tenha ajudado! :**

Rafael disse...

Oi, Su. É isso que tenho tentado ver com mais clareza: as coisas se acrescentando, não se substituindo.

Isso é um processo: remar remar e pensar só no dia de hoje, em ficar bem.

Você sempre ajuda, sempre mesmo: já aluguei vc e a tá pra conversarem comigo por estes dias; foram minutos preciosos da atenção de vocês.