domingo, 23 de outubro de 2011

Para aprender a não cantar vitória antes do tempo





Às vezes você pensa que o grande espaço que te separa do resto do mundo é tanto e tão grande, que cada segundo te passa como um mês, cada minuto passa como se fosse um ano, que cada dia é um infinito... e você quer reaver/manifestar/abraçar tudo num átomo de tempo. Oque é impossível, insensato...

 Hoje lembrei de um poema/música do Itamar Assunção com o Leminski:


Um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado,
como se chegando atrasado
andasse mais adiante

Carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa
um milhão de dólares
ou coisa que o valha

Álcool, éter, analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
morrer vai ser
a minha ultima obra

e vi que eu tenho caído nessa falácia da dor elegante. Pois bem: vou tirar minha coroa de papelão, extinguir meu grito pra não me sufocar na angústia.... respeitar o tempo das coisas, e assim esperá-las amadurecer. 

Ok, senhor tempo: nós temos um acordo.


ps: a música tem um significado lindo que fala muito sobre o tempo das coisas "crescerem e ganharem cor de novo".... por mais que hoje elas estejam soando meio fora do ritmo.
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