segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #10: "Monstros japoneses"


Inocente, chego na reunião de boas vindas. Os colegas japoneses aguardam, junto daqueles docinhos igualmente japoneses: o doce de feijão, o peixe com cheiro duvidoso e textura ainda mais duvidosa, o feijão mofado que deve ser cutucado e mexido com um hachi (palitinhos japoneses pra comida) até borbulhar+ o hachi grudado até não poder mais+ gosminha grudenta que agarraria mais que amor shakespeareano+ fiozinho de baba estica-puxa mais que chiclete.

Respiro ofegante, hesito. Fica claro: você carrega o peso da sua ocidentalidade, do espectro limitado que tua cultura te ofereceu: gostos, texturas, formas, cheiros... "há um mundo lá fora de coisas comestíveis te aguardando, seu ocidental tacanho".

Culturaustrofóbico, penso em voltar pra casa em busca  de me recompor. Saio da reunião mordendo paredes e portas, lambendo vidraças e bules, cutucando a folha das árvores, empinando o nariz pra aproximá-lo das nuvens numa tentativa de sentir seu cheiro...

Abro a boca pro céu e espero mais uma gota de distância cultural cair, infinita, e me descer pela garganta.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #9: SDDS, palíndromo irregular

Saudades que bate, irregular... Hoje mais, ontem menos...  Hoje voraz, antes branda.... dias de calmaria, pra me arrebatar como um vento forte que derruba folhas de uma árvore.

E eu mesmo hoje vejo que tudo, tudo mesmo, não passa de uma grande escolha. "There is no path ahead of you, just a path that you left behind", ouvi essa semana. É... talvez seja isso mesmo.


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #8: "Uii"

Praqueles dias em que você quer dizer amora mas tudo que sai da tua boca é abacaxi (ou algo mais espinhudo)

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Entre muitos e poucos, embora Risomara não goste de churros..."

Gosto: de gente com a palavra riso no nome

Risomar, Risolene, Risocreide, Risonilson...

Não gosto: de gente que bebe e fala sozinha(o)

"Como capitão? 

Que que você disse?

Ããããhhh?

É comigo?"

Uma palavra bonita:  carambola

Uma feia: pneumático






quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #7: "ontem de manhã tropecei num nevoeiro"



Eu ontem de manhã tropecei num nevoeiro
Fiquei perdido, assustado e, não posso mentir, triste.


Nevoeiro que me leva pra longe 
também traz em seus ventos 
as lembranças boas das pessoas que amo.
A elas, me agarro.


[Também tropecei nesta música, e me lembrei de Rilke falando da infância.]
[Milton Nascimento, "Bola de Meia, Bola de Gude"]


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #6: vagarosos dias

Há aqueles dias em que tudo parece ir devagar
O progresso cessa
Isso se não estivermos falando de retrocesso!

Tudo parece ser dúvida. 

"Estarei eu, estagnado, há milhares de anos luz de tudo e todos?"

As horas passam, as desigualdades fazem algum sentido, colegas soam como marcianos falando numa língua amorfa. 

"watashi wa ..ka no ..." 

Mas ainda assim, tudo parece vago, destituído de rumo. 

É.. hoje o dia passou assim, lentamente sem querer passar

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #5: J-alert

Acordo cedo, vou ao banco. Na tv, uma parada militar. Pelas cores do uniforme chuto "coréia do norte". Aí aparece o presidente gordinho deles, que mais parece um virgem de 30 anos, mimado.

Não entendo nada, só vejo bombas e tanques.

 Chego no trabalho hoje e me perguntam:

"- Você recebeu  o J-alert essa manhã?"

"-O J... oque?"

"J-alert!!"

Aí me contam, que a coréia do norte lançou um míssel pela manhã que sobrevoou o Japão.

É... este mundo não é para os fracos, galera...


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #4: pelos mares do mundo




"ps: me desculpa pela sequência de emails "disléxicos": palavras comidas, invertidas etc. O email, após remar tanto pra chegar aí, tanto mar, tanta chuva, tanto oceano selvagem e profundo, chega cambaleando, trocando pernas e letras, invertido e confuso... tudo pra entregar uma mensagem, nem sempre muito inteligível...aocntece :P"


[ps de um email que enviei recentemente, pro qual me chamaram a atenção :) ]

Direto da Terra do Sol Nascente, #3: peso dos dias

Alguns dias pesam nos ombros absurdamente.

Vc anda nas ruas e sente o sol te esquentar mais do que o normal, como um deserto desidrata um homem perdido e com sede...

A garganta seca, a distancia enorme.

O dia de hoje.

Uma angustia estranha que nao é fome, uma saudade forte de não sei onde, de gente, de mãe, de família...

Um dia de náufrago a esperar que navios o avistem...

...que logo passa


sábado, 19 de agosto de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #2: chegando em casa


Depois de um longo dia,
um homem volta pra casa com a cabeça cheia de idéias

[me perdôem pelo rosa no topo... é parte de um outro desenho e culpa de um sketch book pequeno rsrss ]

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #0: diálogo entre dois mundos

Pra registrar o respeito com o qual os japoneses lidam com os estrangeiros: cheguei na alfândega e o policial, não sabendo falar inglês, apontou pra um livrinho no qual dizia

"os cães farejadores detectaram algo na tua mala. Por favor nos siga pra uma inspeção mais detalhada"

E lá fui eu, calmo (já aconteceu isso antes comigo, já não me preocupo mais). Aí lá vai, 6 policiais pra ver a minha mala. Um deles me perguntando num inglês truncado, qual era minha especialidade. Falei que vinha dos EUA, onde morei nos últimos 7 anos. Mais perguntas, falei que era matemático. Todos eles ficaram curiosos.

No meio tempo, aquele samba: tira coisa da mala, japoneses vendo todas as minhas roupas de baixo, sapatos, goiabadas vindas do Brasil etc Até que, quando tudo havia sido checado e escaneado, eles viram pra mim e pedem desculpa pelo transtorno. Pergunto se posso ajudá-los a colocar as coisas na mala, ao que eles respondem afirmaticvamente. Não sem antes abrirem um dos livros de matemática que estava na mala e se debruçarem encantados com as fórmulas e desigualdades. A única coisa que entendia nessa hora eram expressões vagas como

"seno" (japonês ininteligível) "cosseno"

Um diálogo entre dois mundos, que transcende a língua: eu, vindo cheio de números, pra conversar numa linguagem universal com outros daqui. Achei o momento incrivelmente único e bonito.

Ainda sem entender muito, aponto pras minhas outras malas. Eles me respondem, afrimativamente com a cabeça (típico dos japoneses). "no no"... era só aquela a mala que queriam fiscalizar.

E assim começou a jornada por aqui (esse era pra ter sido o primeiro post, dáí o número 0)


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #1: primeiro homem na lua

Há menos de uma semana aqui, meu colega de trabalho, japonês, engenheiro, me conta que queria ser astronauta. Me conta das provas, da dificuldade, dos milhares de concorrentes. Me conta tímido do único japonês que foi à ISS (estação espacial internacional)

E penso em mim, dias pós chegada, aquela sensação de primeiro homem na lua. A mesma sensação que senti quando cheguei nos EUA, ou na Alemanha.

Ás vezes alguém se lembra que estou aqui. Mensagem na garrafa que fisgo ao mar, que viaja entre a noite e o dia desses dois mundos, cá e lá.

Ásiamérica

Américásia

" A rotina vai te ajudar a se sentir mais em casa", vários amigos dizem.

E assim tem sido, apesar de vir de quando em vez aquela asfixiante vontade de procurar colo, de querer casa .... quando bate aquela realidade, aquele momento em que você  percebe que casa é aquilo que você tem carregado consigo.

Respiro fundo... e bato cartão pra mais um dia dessa jornada.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A meio caminho

A meio caminho com destino ao Japão, na Coréia do Sul,  tento desvendar onde é o Norte. E  avistar qualquer sinal do regime norte coreano: uma bandeira, um susurro, um míssel balístico intercontinental, um poster...

Mas só vejo montanhas

E aguardo, o vôo que me levará ao meu destino, meus próximos meses, meu próximo passo.

Assim, sento, escrevo, e espero.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Todo tempo do mundo (aos pés do Mississippi)

Todo tempo do mundo (versão paulista)

Em São Paulo
Meu esforço desmesurado em tentar passar tempo debaixo da sombra da árvore materna
A consciência clara de que o tempo passou 
e tem passado.
Ampulheta de minutos, 
segundos, 
instantes

Folhas levadas pelo vento leve, 
frutos não muitos, 
pouco doces
Flores que caem sem que eu veja, 
mas que sempre estão lá pra florir meu verão 
e colorir o chão nos quais meus pés brincam no inverno

Carrego comigo  todo o tempo

A vontade de voltar
Seria pra ficar perto daqueles que amo?
O tchau que ficou no Rio, 
daqueles que se despedem pra povoar novos mundos
Os tchaus que recebo em São Paulo, 
daqueles que me esperam de braços abertos

A saudade


terça-feira, 18 de julho de 2017

Todo tempo do mundo (versão carioca)

A primeira veio me contar dos sonhos não finalizados, 
filmes para se rodar enquanto a chuva cai lá for.

A segunda casou e veio me mostrar a aliança,
vida que vai pra longe, 
incerteza que não mais caminha descalça 

Aquele outro me veio chorar pitangas,
que degustei junto, sob sombra e cevada
mas deixei os caroços ali, para que outras pitangueiras crescessem

A última, abraço rápido de corre-corre que não deixa sobrar tempo.
Ficar doente e de manha no último minuto.
Querer ficar e ter que ir. Saudade.




domingo, 11 de junho de 2017

A arte de se receber e de se dar (ou "A supresa")

Li por esses dias uma estorinha "Frog and Toad", de um canadense chamado Alfred Loebel, que aqui descrevo (em minhas palavras). As personagens principais são dois sapos, super amigos; convenientemente um se chama Frog e outro Toad hehe :)

Num dia de outono Frog acorda e olha pela janela: há folhas tomando o quintal inteiro. Ele pensa no amigo Toad e diz pra si mesmo:

-Vou fazer uma surpresa pro Toad: vou varrer seu quintal escondido.

Frog pega seu arado e sai escondido pela floresta pra ir até a casa do Toad.

Na mesma manhã, Toad acorda e olha pela janela. Folhas e mais folhas. Ele pensa no amigo Frog e diz a si mesmo:

- Que surpresa Frog teria se ele acordasse pela manhã e não tivesse folhas pra varrer.

Ele pega seu arado e sai escondido pelo pasto em direção à casa de Frog.

Ambos chegam nos respectivos destinos e descobrem que estão sozinhos. Rapidamente começam a varrer as folhas, e depois de muito trabalho as têm empilhadas num canto.

- Que surpresa Toad vai ter quando voltar pra casa, diz Frog a si mesmo.

- Ahhh gostaria de ver o sorriso de Frog ao se deparar com seu quintal limpo, diz Toad.

Serviço feito, ambos pegam o caminho de casa.

Já no meio do caminho, nenhum dos dois percebe o forte vento que bateu e desfez as pilhas de folhas que ambos haviam feito. Os quintais que haviam varrido estão, de novo, uma bagunça!!

Toad chega em casa e olha pro seu quintal todo cheio de folhas:

- Amanhã eu me preocupo com isso... ao menos Frog não terá esse problema.

Quase ao mesmo tempo, Frog chega em casa e vê o quintal tomado por folhas.

- Depois dessa trabalhão na casa do Toad eu vou deixar meu quintal pra amanhã. Ao menos fico feliz em imaginar a cara do Frog ao se deparar com seu quintal limpo.

Essa noite, Toad em Frog dormem tranquilos e satisfeitos imaginando a felicidade um do outro diante das surpresas que se fizeram.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Despedindo-me #2: zoombies

Ontem deu uma crise: bateu um

"wtf, oque estou fazendo da minha vida!!"

 Corri pra pensar num plano B, liguei o Jorge Ben - Tábua da esmeralda.

Acalma
Respira

Pensei nos um milhão de micro detalhes pré mudança.. e me pareceram muitos. Micro surto com muita angústia e pesar. O ouvido dói, o peito dói... Aí ouvi "Zumbi"




...e fiquei pensando em como essa música fala sobre esse processo de mudança, de desapego/parto: uma princesa, que muda de país pra ser uma escrava. O contraste, das mãos negras pegando o algodão branco etc. Fiquei pensando na minha situação... e imaginei oq seria pra tal princesa ser destituída de sua realeza, seus súditos ainda sendo súditos mesmo depois do cárcere? Que loucura. Pensei em mim, no mundo que atravesso, na realeza que não levo comigo, o novo mundo que hei de desbravar.

Tá chegando a hora!! :) Diante do medo, no geral ainda me mantenho um pouco calmo. 



domingo, 28 de maio de 2017

Despedindo-me: parte 1 de muitas


"In some office sits a poet 

And he trembles as he sings 

And he asks some guy 

To circulate his soul around"

Joni Mitchell - For the roses

domingo, 7 de maio de 2017

Niponificação... cenas dos próximos capítulos I (Sail to the moon)



É, pessoal

E vai, e volta, e vou antes, e vou quando havia planejado.

Tá que tá uma bagunça!!!

Uma coisa boa que estou percebendo nisso tudo é que estou lidando com essas ondas grandes de uma maneira bem tranquila, sofrendo quando tenho que sofrer, sendo pró-ativo quando assim devo ser

Preparado pra um dilúvio!! (ou quase rssrs)


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Niponificação precoce

Olha... capaz de eu ter que me mudar pro Japão antes do que eu esperava :/ Há umas certas restrições com o VISA que não imaginava....

....puxa.... e eu querendo aproveitar meu último verão nos Eua...

Não...não.... ainda não processei isso :S

sábado, 29 de abril de 2017

Feels like 23 ;)

Well, babe... infelizmente não estou falando de mim hahaha estou muito bem nos 32 hehe

Foi o frio de ontem!! Quem diria: quase Maio e ... essa semana nevou! Pqp! É inverno demais pra uma cidade só!

Bom...espero que esquente em breve!

Foi um post rápidinha. Vou lá, estudar japonês.

domingo, 16 de abril de 2017

Wallenderiando

Há uma diferença tênue entre a concisão e a incompletude das coisas. Ou talvez o gap esteja, diria, entre a ignorância daqueles que te ouvem/lêem e quanta água deve ir ali no que você escreveu.

Trabalhar em conjunto é complicado. 

Meio caminho entre meu excesso de palavras novatas e a concisão de alguém há anos e anos no ramo há um artigo e, nele, o quanto deve ser dito. 

Acho que já deixei de lado o orgulho de ver muito do que fiz jogado no lixo.... acho que não se trata disso... trata-se desse equilíbrio entre o excesso de concisão ("excesso de pouco") e a escassez do explicar com detalhes ("a falta do 'muito'")


I'm still figuring it out... 

sábado, 11 de março de 2017

Despropósito


"On the road that I’m on I must continue; if I do nothing, if I don’t study, if I don’t keep on trying, then I’m lost, then woe betide me. That’s how I see this, to keep on, keep on, that’s what’s needed.


But what’s your ultimate goal, you’ll say. The goal will become clearer, will take shape slowly and surely, as the croquis becomes a sketch and the sketch a painting, as one works more seriously, as one digs deeper into the originally vague idea, the first fugitive, passing thought, unless it becomes firm."


Vincent Van Gogh

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Dia de voltar pra casa

Finalmnte chegou a hora de voltar pra casa. Dei conta... mas nao vejo a hora de estar na mini apple

Acho que esses meses antes de vir vao ser importantes. Muito ha de ser decidido, muito ha de ser planejado e muito, muito preparo emocional da minha parte. Que nao me esqueca de abracar o lugar onde vivo, como fiz com b-town, com o Rio, com mini-apple: ha coisas boas onde quer que vc vah, cabe a vc aceita-las e abraca-las.

Aceitar mais uma coisa: de que tudo isso nao é um fim, mas parte do caminho :) Daqui ainda sigo pra outro porto... num porto tropical no qual, espero, venha a  jogar âncora.

Mais uma vez: quando vier, olhar para o presente mais do que para o futuro ou para o passado. Ver a beleza do que se passou: me mudou pra um lugar (eua) e lá construí uma casa!! E o mesmo no Rio! Acho que parte da poesia da coisa toda está aí: vc deixa raízes em diversos lugares por que você é um pouco de cada um deles, e carrega um pouco de cada um deles consigo .

A se ver.

No Earthquakes!! =)


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

9 vezes mais... ou, pros dias que você chorar pitangas

Olha.. pra não me esquecer do quão aflitivo é ouvir que vc vai ter que "se submeter" a morar num lugar muito pequeno por dois meses. Hoje a realidade de mudar pro Japão bateu na porta: ate ver apartamento eu fui.

A secretária do instituto novo me deu uns toques, fez umas ligações e... lá vou eu, ver casa. Felizmente, a primeira não foi tão ruim, nem a segunda (apesar d eme parecer velho, muito velho)... aí veio a possibilidade desses lugares não estarem nem um nem outro disponíveis quando eu vier.

E o que me sobra?

Há esse lugar minúsculo... meio quarto, meio sala, meio cozinha, meio banheiro

Aflito... saí de lá aflito. E nem mesmo encontrar quincãs sendo vendidas na rua me ajudou a me reestabelecer.

Num país de laranjas tão pequenas, em que laranjas normais não têm espaço para crescer, que o diga do espaço pros homens tomarem sol, terem varandas , cozinhas e banjos.

Hoje começou a cair a ficha: o Japão é longe... mas não posso me esquecer de algo: o Japão está aqui pra mim por que ele é parte do meu caminho, e esse caminho foi aminha escolha.

Abrace tuas dificuldades e se acolha. Hoje meus amigos, de muito longe, pra lá do pacífico, me acolheram e me ouviram chorando pitangas... e só chorando pitangas mesmo: qqr coisa maior que isso não caberia :P

Queria chorar mangas mas chorei acerolas. Reivindico espaço para todos. E initial fees mais justas.

Para o bem geral da nação


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O mundo visto daqui desse lado

Visitando o Japão....e realmente apreensivo....

Cá estou, na terra do sol nascente,  país pro qual me mudo em Agosto de 2017. A mesma moeda que vejo hoje me trás à memória as moedinhas que um amigo da minha mãe (piloto de avião) havia me dado quando era criança. Pego o troco, me sinto instantaneamente criança.

Gosto, respiro e curto.

Mas  me aflijo...sem saber direito oque me aflige mais: se o que deixo pra trás ou oque me vem pela frente. Incrível... incrível mesmo como nos agarramos a tudo oque temos, independentemente do quão pouco isso significa, com medo de perder nossa identidade, com medo de nos perdermos no mundo. A posse, o ter,  é nosso medo do mundo?

O medo... que antes era o medo pessoal, o medo de não dar conta. Hoje, não sei qual é o medo exatamente... acho que de não encontrar meu caminho depois daqui? Vai ver é isso... também.

Aguardem-me, japonese, que logo mais eu volto.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Dentro/fora

Neste janeiro, revi um amigo em S'ao Paulo. Me lembrei de um papo que tivemos quando eramos mais novos. Ele havia comprado uma revista da epoca (show bizz ou algo assim) com uma entrevista com o Reginaldo Rossi. Nela, lia-se

"Reginaldo, vc eh um garanhao. Por que vc nao tem tantos filhos?"

 - Por que eu gozo fora"


Ai meu amigo me pergunta: "oque serah que ele quer dizer com isso?"

Nao soube responder... nao fazia ideia do que se tratava. Conjecturamos... mas nao resolvemos a questao

[risos :)]


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

El empleo/o emprego






El empleo, por Santiago 'Bou' Grasso

[Uma boa animação pra começar o dia =) ]

Atrás do muro / tristesadays

Eu imaginaria de primeira que se trata de um post em paralelo a um, quem sabe, "atrás da porta"... um post sobre a sensualidade e prazer que rola do lado de lá, do lado do qual sabemos nada e ouvimos pouco, ficando aqui, do lado em que só imaginar é possível.

Mas não...a sensualidade, o prazer, a lascividade tem perdido espaço pra realidade política do mundo (que, arrisco dizer, chega a ser quase mais interessante que qualquer kama sutra, inventado, descoberto ou redescoberto por cada mortal pelos quatro cantos do mundo).

O presidente dos Eua diz em alto e bom som que planeja um muro separando os eua do México, fazendo com que os mexicanos paguem por isso.

Na verdade, se olharmos bem, é um muro separando a América: a Latina, e a do Norte.

triste... triste  :(

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Um pra lá, um pra cá

Descobri ontem à noite
Que aqui na mini apple, dia a dia, o sol aparece um minuto mais cedo
E se põe um minuto mais tarde
Numa valsa que só um astro como ele entende

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Horizonte da despedida

Ainda não consigo olhar pela janela, ver o céu de sol de inverno ali ao longe, e imaginar que este é meu último Janeiro nos EUA.

Não sei se estou triste quanto a isso também... acho que é a sensação de que estou mais próximo de jogar âncora em algum lugar que me dá um alento, embora há muito, muito mesmo a acontecer até lá.