quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Artigo indefinido

"Everybody knows what a mathematical proof is. A proof of a mathematical theorem is a sequence of steps which leads to the desired conclusion. The rules to be followed in this sequence of steps were made explicit when logic was formalized early in this century and they have not changed since. These rules can be used to disprove a putative proof by spotting logical errors; they cannot, however, be used to find the missing proof of a mathematical conjecture."

"The Phenomenology of Mathematical Proof", in Indiscrete thoughts, by  Gian-Carlo Rota

O estado das coisas: escrevendo meu primeiro artigo de pesquisa. Do que se trata? Well... melhor mudar de assunto pra não incomodar vocês hahaha =P

Me sinto um quanto insatisfeito no que se refere à linha tênue que separa o que deve e oque não precisa ser dito. E não digo quanto ao "óbvio/trivial" ou  coisas que mereçam ser esmiuçadas: trata-se mais do meu desconforto com algumas coisas, o hábito de não se explicar coisas e jogá-las pra debaixo do tapete. Como tenho sentido algumas vezes, são coisas que ninguém explica em lugar nenhum(!!!), e não se pode encontrá-las assim tão facilmente. Adiciona-se um "it is standard..." e pronto: o resultado é como um teorema que já nasce provado, e-não-se-fala-mais-nisso.

Por outro lado há aspectos positivos que, no meu caso, têm uma natureza estética: um teorema que, antes com 2 páginas, você passa a explicar em meia página, contendo o mesmo (ou até mais ) conteúdo agregado.... ser sucinto, sem excessos. É uma sensação muito boa quando isso é possível/alcançado. Agora, tem aqueles momentos que vc tem que explicar outras coisas que não são tão legais... aí vc se confunde, "gagueja"... até vc ver que.... não entendeu bem oque está acontecendo. Escrever um paper (ao menos é oque eu sinto em matemática), às vezes, é como um interrogatório: qualquer deslize parece ser digno de nota e de culpa. Acrescenta-se a isso o lado estético... acrescenta-se a pressão de fazer tudo no tempo (e antes de viajar para o Brasil...) e dá nisso: estresse, desequilíbrio, noites mal dormidas e cansaço.

Estado do blog neste ínterim: em suspenso! Tenho postado pouco-cada vez menos... mas acredito que seja um estado temporário. Espero poder comemorar quando submeter este artigo pra publicação, algo que, acredito, não se dê muito longe da data de hoje.

Em suma, é isso: deixo as linhas desse blog pra voltar pro prelo e trabalhar nessa tese/artigo.

Nota digna de ser tomada: finalmente terminei um apêndice que estava me tirando do sério, depois de mais de três semanas tentando entendescrevê-lo.... uffa  =)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A outra metade?

Separações  ( Antônio Prata - Folha de São Paulo, 17 de Novembro de 2013)

Ele era engenheiro, gostava de filmes de ação e corria na esteira três vezes por semana. Encarava o sexo como uma necessidade fisiológica, uma exigência corporal que surgia mais intensa quanto mais descansado estivesse: ao acordar. À noite, exausto, só queria tomar uma cerveja e dormir.
Ela era pintora, detestava "filme de carro explodindo" e praticava hatha yoga. O sexo, para ela, era "cosa mentale": o desejo ia crescendo durante o dia, a fantasia se desenhando nas cochias do pensamento e só ao se deitar na cama, antes de dormir, começava o espetáculo.
Quando se conheceram, não atinaram para o problema de fuso horário --no jet lag da paixão, toda hora era hora--, mas, assim que o fogo abaixou e o sexo teve de encontrar seu escaninho no armário da rotina, as diferenças apareceram.
Separaram-se faz um mês. Ironicamente, ele sente mais falta dela à noite, enquanto toma sua cerveja e espera o sono; ela sofre mais ao acordar, só, de manhãzinha.
*
Da primeira vez que ela foi à casa dele, viu na cama desarrumada, nos vinis espalhados pelo chão e na geladeira vazia --meia garrafa de vinho e três sachês de ketchup (vencidos)-- uma postura rock'n'roll, um desprendimento libertador, uma superioridade quase beática.
Da primeira vez que ele foi à casa dela, viu nos tupperwares etiquetados, nas flores da jardineira e no mural do escritório sua possível salvação: sonhou com um futuro de refeições balanceadas, vinis em ordem alfabética e contas no débito automático.
Por seis meses, ela resistiu às toalhas molhadas na cama, aos discos espalhados pela casa e às caixas de pizza no sofá; "A única coisa que eu pedia era pra ele botar o telefone na base. Se você ama mesmo uma pessoa, é capaz de fazer esse mínimo esforço, não é?". Separaram-se faz uma semana. Ontem de madrugada, a caminho do banheiro, ela viu a luzinha verde da bateria, na base do sem fio, e caiu no choro.
*
Eles gostavam dos mesmos filmes, dos mesmos livros, das mesmas bandas, dos mesmos pratos nos mesmos restaurantes, riam das mesmas piadas, queriam conhecer os mesmos países e ter um filho chamado Frederico. Depois de cinco anos, contudo, se cansaram daquela mesmice. Ela disse que estava pensando em se separar, ele disse que vinha pensando o mesmo. Ontem, ao partir, ela o fez prometer que jamais teria um filho chamado Frederico. Ele prometeu --e pediu o mesmo.
*
Por dez anos, ele foi absolutamente fiel. Não transou, não beijou nem flertou com nenhuma outra mulher. Nos últimos meses, a retidão começou a pesar em seus ombros. Anda por aí olhando bundas com a voracidade de um remador das galés, deu pra implicar com pequenos atrasos da esposa e pra discordar de seus comentários durante o jornal.
Já ela, nesses dez anos, não foi absolutamente fiel. Transou com um colega de trabalho e com um ex-namorado de adolescência, que encontrou por acaso em Salvador. Nada sério, só desejo: ela tem certeza absoluta de estar ao lado do homem que ama e jamais cogitou trocá-lo por alguém.
Agora, ele chega na sala, senta ao lado dela, olha pra parede e diz que precisam conversar.

Li esse texto do Antônio Prata na folha de São Paulo do último domingo e, dentre as muitas coisas que me lembrei, uma delas foi esse curta.




domingo, 17 de novembro de 2013

Fa-Tal


LUZ ATLÂNTICA EMBALO 71

     Aumento para
     as terríveis novas
     ( qualidades do personagem, recepção, exortação, exaltação)

1

     Jovem tonto, torto com
     Nenhuma nostorgia.
     Meta-promessa mantida: não voltar as vistas pra trás.

     Sou eu quem            durmo tarde
                  quem           acordo cedo
                  quem           realço tudo
                  quem           não tenho medo... causas aque destinei meus dias

     Qualidade do personagem quando desacorrentado: ESTAR ACESO.
     Que herança herege me trouxe desanimação e me arrebatou  arrebentou a esperança?
     Os apesares obrigam: volta ao primeiro verso:
     Nenhuma nostorgia.
     Sou índia sou virgem sou bela sou forte sou jovem sou sadia sou pura.
     Sou pura - tenho que atrair capitais com meu papo minha figura,

     Triste figura de rei dos fracos: desempenhar uma atividade lucrativa: escrever carta circular pros amigos pedindo dinheiro:
     Não ser funcionário: ter sempre um ponto de vista louco sobre ESTA realidade.

2

Abutre aponta o bico pro meu fígado/ desce pra bicar abalar arrancar meu fígado de acorrentado.

3

     Pensamento político. o poeta - um dos meus personagens - fala: outro dia pensei em me suicidar não pratiquei não relatei a ninguém pra não influenciar mal meus amigos. ter amigos, os meus. ser merecedor do amor de minha mãe. confiar nos outros.
     Fingir praticar literatura de expressão pessoal:
     Vir a ser campeão nacional de piadas e trocadilhos.


     VIVA A RAPAZIADA

(Waly Salomão, 1971 - do livro  "Me segura qu'eu vou  dar um troço")

sábado, 9 de novembro de 2013

Universo multiculturalista numa casca de banana (ou "Êsopidianas")

Essas cidades universitárias ao redor do mundo têm uma coisa que é legal e ruim ao mesmo tempo: o multi-culturalismo. Vc saí à noite e conversa com gente de Angola, da Turquia, Islândia, Hungria... e de quando em vez tropeça nas diferenças culturais entre elas. Esbarro nisso quase toda vez que vou ao lounge do departamento de matemática pra almoçar: as vezes vejo umas reuniões de estudantes de um país Z, sentados todos comendo umas comidas com cheiros esquisitos e comendo de boca aberta; no país deles isso é normal. 

[me pergunto oque eles acham dos meus hábitos ]

Há poucos dias eu estava nesse mesmo lounge, mas dessa vez sozinho. Esperava o microondas esquentar meu almoço quando, passando o olhar pelos arredores me deparo com uma estante cheia de livros velhos, folhas/rascunhos/rabiscos, uns potes velhos, um tabuleiro de go etc. No meio dessa bagunça, uma embalagem de macarrão feito de cartolina, com um plástico em cima, no qual havia uma banana cortada ao meio, já escurecida, aparentando algo não muito apetitoso. "-Isso deve estar aqui há dias", pensei. Já tendo visto o descuido de alguns estudantes com essas e outras coisas, resolvo jogar a dita embalagem com a banana cortada ao meio no lixo.

Livre de tais inconvenientes, devorei o meu almoço, escovei meus dentes e subi para minha sala. Não muito mais tarde, me chega este email 

[este é o email que eu recebi]

"
Did you throw a  macaroni paper carton on the lounge shelf into the trash bin today?
If no, sorry for disturbing you.
If yes, please note that I contained my banana into it and temporarily put the carton there at 12:17pm and picked it back at 2:28pm. There are plenty of space on the shelf. Please don't throw stuff that is not yours away. It gives an impression to the others that you think the shelf is your own shelf!"

Me senti meio mal pelo garoto  e envergonhado pelo que fiz. Fiquei pensando no que havia feito. Achei esquisito isso: pra mim aquilo era uma comida intragável, um resto não digerível de algo. Me pôs a pensar na quantidade de desentendimento que há nesse mundo por acharmos que nossa visão de mundo é imparcial e imbuída de respeito por tudo e todos. Não, não é.... 

Me fez lembrar de duas histórias, uma pessoal:  quando eu era criança minha família ia visitar um tio no interior do Paraná. A pobreza nos arredores existia, mas era difícil de detectar a meu ver: eu brincava com as outras crianças, elas brincavam entre elas e ninguém se importava com nada. Então teve um dia que eu voltei pra casa com um sorvete. Na rua da casa do meu tio estava o vizinho, que a gente chamava "Adaltinho": um menino magriiinho, que sempre só andava descalço e sem camiseta, que se aproximou e me pediu um pedaço. Não quis dividir, e nem mesmo pensei no caso. Aconteceu de eu tropeçar e deixar o sorvete cair no asfalto. O Adaltinho olhou pra mim, olhou pro asfalto -meio cinza meio marrom do barro dos pastos e arredores - e sem pestanejar, se jogou no chão e começou a lamber o sorvete que ali derretia, tentando desfrutar daquilo que, para mim, já não era um sorvete. 

[Não me lembro do que pensei dessa história na época... mas sempre me lembrei dela]


A outra história é um conto que ouvi; talvez da minha mãe, quando eu era criança. Será que era uma fábula de Êsopo? Não sei... mas creio que sim :

[Na verdade, nem sei se os animais eram esses mesmos... whatever]

Uma coruja, com medo de que sua prole seja devorada por uma águia que sempre voa nos arredores atacando os ninhos, chega para a águia e diz

"- Dona águia, dona águia... por obséquio, não devore meus filhotinhos como vc fez com os da minha última ninhada. Não posso ficar com eles a tarde toda pois preciso sair à caça para que eles tenham oque comer. Sem falar que trabalho meio expediente... não há como: eles passam a noite desprotegidos"

A águia, misericordiosa, virou para a coruja e disse: 

" -Certamente não os devorarei. Mas como hei de saber que são seus os filhotes? Para mim são todos iguais.... são todos comida."

Nessa hora e a coruja se viu às voltas com um grande problema: pior do que Copacabana e sua numeração de casas e nomes de ruas, era a numeração das árvores... ou melhor, a não numeração delas: deprovida de gps, de endereço ou de qualquer outra forma de localização, a coruja percebeu que sua casa era muito menos que um ponto no espaço euclidiano, mas sim uma poeira-quase-ponto num universo que só pertencia a ela que, não sabendo como,  sempre para lá voltava. 

" dona águia... não sei onde moro... mas sei como lhe descrever meus filhotinhos: são 3 pequenas corujinhas, doces e lindas. "

A águia disse que lhe bastava a informação,  reiterando que não haveria mais problemas ou mal- entendidos. A coruja deu-se por satisfeita e voou para casa mais tranquila.

Alguns dias depois aparece a coruja na casa/ninho da águia, chorosa, desolada:

"- Dona águia...como você pode!!??? Eu lhe disse quem meus filhotinhos eram!! E mesmo assim de nada bastou: cheguei ao meu ninho agora à noite e eles não estavam mais lá, só suas penas, para todos os lados"

A águia vira pra coruja e diz: 

" - Me desculpe... me desculpe. Sinto muito pelo acontecido. Saiba que me esforcei muito, mas todos os filhotinhos dos quais me alimento me parecem iguais."

[Pedi desculpas pro garoto do país X e lhe ofereci uma banana "nova".]
[Ele a recusou]
[No dia seguinte, de qualquer maneira,  eu levei uma outra pra ele.]

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Après une lecture de ma thèse



[ Acabo de encontrar um amigo pianista num café ] 
[Ele começou a me falar dessa peça que está preparando pra um recital]
["-Conheço pouco de Liszt ... nada muito além dos estudos transcendentais", falei]
[Ele falou ( no imperativo quase) pra eu ouví-la...]
[... oque estou fazendo agora,]
[ enquanto digito/reviso minha tese,]
[meio que impressionado]

 

sábado, 19 de outubro de 2013

Sirens of the lambs



[Achei muito legal o protesto desse artista - Bansky - contra o tratamento cruel dado aos animais que são transportados pra abate]

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Alerg(r)ia de sobra

Realmente... apesar dos minutos de absurdo em que associei uma queda enquanto escalava a esta coceira chata que estou sentindo... "Alergia a quedas?" Certamente, tenho e as evito ao máximo. Mas dessa vez não deu =/  Aí eu fico aqui, passando uma pomada que não sei se vai funcionar e tentando não ficar me coçando.

Hoje, enquanto me preocupava com o meu machucado e a minha coceira, eu assistia uma palestra de um senhor da nasa que falava sobre o risco de impactos de meteoros com a Terra e oque eles estão fazendo pra evitar isso. Era evidente a preocupação dele com o assunto... de onde eu vi que a minha ignorância quanto ao tema me protege desses cabelos brancos: me preocupo se minhas funções são diferenciáveis ou não, se posso aplicar o teorema da função implícita, se o espaço é localmente convexo etc... E claro - ao menos momentaneamente - na minha coceira.... acho que foi a porcaria do band-aid. É...só pode ter sido: o lugar onde o prendi ficou vermelho ... vou dar uma coçada nele..

[pra satisfazer a curiosidade de vcs e minha vontade de falar..]
[... já que eu sei que, se eu não falo vocês ficam imaginando que eu ando coçando indevidamentes partes indevidas em lugares indevidos - e públicos(!!):]
[eu caí com a costela numa quina... na hora nem doeu muito, ainda mais pq não foi de grande altura.. mas fica incomodando...]

Enfim... nesse dia de asteróides e coceira eu deixo vocês com um desenho sobre cometas... 


[não, meteóros!!]
[o moço nos garantiu que podemos desviar rotas de uma quantidade significativa de meteóros que aparentemente possam colidir com nosso planeta...]
[... mas que, no caso de cometas, estamos ferrados!!!]




Skhizein! - de Jérémy Clapin

ps: acho que já postei esse filme em outro contexto... mas o acho válido pro dia de hoje

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Rememorando

[Digitado no.celular..]
[Formatação a ser arrumada]

Estou visitando uma cidade na carolina do norte que lembra muito o college town em que vivo.. exceto que aqui tem menos o jeitão midwest, é um pouco mais calor, entre outras pequenas coisas. E como sempre, qdo viajo, dou a sorte de encontrar umas boas almas a facilitar meu caminho (como um casal de senhores - sam and larry- que me deu uma carona do.aeroporto pra cá...só pq eu perguntei como fazer o.trajeto que, coincidentemente, era próximo ao deles).

Isso tudo - o clima, andar por estas cidades americanas espaçadas e dispersas construídas mais.pra carros do.que pra.pessoas - me faz lembrar ( e muito) dos meus primeiros.dias nesse país. E ñ me lembro com nostalgia ou tristeza, mas com a impressão de que era oque deveria ter sido feito.

Parece que, nos momentos de calmaria e paz, a gte ñ só consegue se reinventar -caso necessário, mas também redescobrir uns pedaços de nós mesmos que ficaram pra trás. Seria como redescobrir um rumo... que na verdade, ainda em.sendo vago e 'blurry", nunca deveria ter saído do horizonte.

Tropecei nisso no caminho, onde termino por hoje:

" Os poucos dias em que deixei à deriva o tempo, quando não sabia com certeza oque faria além de partir, foram dias lentos de calmaria, de clima terrível, de péssimo humor. Não e não. Mil vezes a perspectiva de enfrentar a pior tempestade do que as mornas calmarias sem rumo, sem ir a lugar algum.

Foram esses, é gozado, os únicos dias em que me senti só. Quando deixei os planos à deriva e permiti que as coisas acontecessem sem.saber delas, onde iriam parar."

Amyr Klink, entre dois pólos.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Animações e(m) música não classica

Assisti recentemente; achei muito bons. O do Four Tet é inspirado nos quadros do Dali, então...é uma piração que só ( a música é muito bom também).







ps: na correria, arrumando as malas pra ir numa conferência!! Escrevo na volta, como já prometido.

ps2: nunca é demais lembrar do clássico clipe do leitinho =P

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Pequena nota de passagem

Mals pessoal. Ando cheio de ideias que gostaria de compartilhar com vcs mas nao esta sobrando tempo. Vcs veem: nao esta sobrando nem tempo pra acentuar as palavras!! =P

Vou numa viagem rapida e qdo voltar prometo que escrevo ( nao que deva ter alguem esperando ansiosamente pra ler hahaha). Se der ate tento neste fds.

Abracos a todos


domingo, 15 de setembro de 2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vizinhos (novos) + últimos dias de paupérias (adendos )



Ter vizinhos é bom no fim das contas... se eles não forem gambás melhor ainda, por que eles podem te emprestar uns trocados quando você gastou todo o seu dinheiro com cerveja ( foram $10... duas Stellas e mais $1 de tip.. tive que quebrar o meu porquinho pra ir lavar roupa)

[no caso, gastei minha nota sagrada de dois dólares =/  ]
[foi de cortar o coração ]

O post anterior e a ausência de vizinhos que pudessem me emprestar alguns quarters  me fizeram lembrar deste filme do Norman McLaren ( que fala, claro, sobre vizinhos).


                       


sábado, 7 de setembro de 2013

Vizinhos (novos)

Por estes dias eu voltei pra casa e lá estava ela: na frente de casa. Fiquei com receio em princípio e achei melhor não arriscar uma aproximação: são bichos um tanto arredios esses gambás. Comecei a mexer a chave de casa no ar de maneira a fazer barulho mas ela nem aí pra mim. Após um certo tempo, sendo notado, ela(e) me olhou meio de lado, mostrou os dentes e andou para trás de uma moita, tentando se esconder. O engraçado foi ver a ingenuidade do ser, já que a cauda, por ser tão grande,  ficava toda à vista hahaha

Adoro meus novos vizinhos, mas realmente... ficar nesse estado de sítio quanto a entrar e sair de casa não é algo muito agradável. Meu receio ao falar pro meu landlord é que eles dêem um fim nos bichos ( são dois, cada um com uma cor de cauda diferente); seria triste =/

Isso me lembra do dia que mostrei pro Mohhamed (?) uma aranha incrivelmente bonita - não que eu fosse tocá-la, mas era bonita - que estava na parede do lugar onde eu estudava no Rio. O cara, um matemático iraniano que despirocou ao ver tanta mulher no Rio de Janeiro ( sem burca nem nada), não era lá muito de falar comigo, muito menos eu com ele, mas.. por ele estar perto achei que poderia compartilhar a descoberta. Em coisa de segundos ele esmagou a aranha na parede com o pé. Fiquei indignado com o fdp. 

Isso tudo me lembra de mais uma coisa: uma animação dos simpsons que trata do assunto  É muito boa, acho que vcs vão curtir 

=)

sábado, 24 de agosto de 2013

... said my name is called disturbance ( adendo)



A parte mais esquisita em ter quase me enredado numa briga por aqui com alguém foi algo que aconteceu depois do intercalço: todo mundo foi perguntar pro cara como ele estava, ninguém veio ver como eu estava. Na hora eu me vi como no final do "Do the right thing", do Spike Lee, no qual as pessoas de um bairro negro em NY se rebelam contra o dono de uma pizzaria ( pelo oque me lembre), ao que se segue um saque, quebra-quebra etc.






Me senti como aquele chinês dono da loja que está prestes a ser saqueada: por um  momento pensei na possibilidade daquelas pessoas se juntarem contra mim; nunca me senti tão sozinho, tão "gringo" como antes. Por sorte, nada aconteceu.

Por outro lado, diferentemente, não estou aqui esparando que esta pátria me adote; I'm not american... e nunca vou ser... embora eu seja igual a todo mundo.

Apologia a um sushi quadrado


Eu ainda lembro de que a surpresa não partiu de mim; aquilo me parecia natural, até alguém, numa festa, apontar que não:

[..numa festa...]
[bla bla bla]

"- ...meu amigo que faz matemática me falou que um círculo e uma bola são equivalentes.." 

[bla bla ]

Eu parei e pensei... e vi que ele tinha razão: aquilo tanto era verdade ("topologicamente"..sem mais detalhes) como não era assim tão intuitivo como eu imaginava.

Bom...tô falando tudo isso diante da minha recente experiência em aprender a fazer sushi pela internet: no fim das contas o sushi sai...mas ao invés daquele sushi redondinho e bonito que vc come naquele restaurante japonês incrível na Liberdade, os sushis saem quadrados =S





É... preciso aprimorar minhas técnicas culinárias =P

domingo, 18 de agosto de 2013

... said my name is called disturbance


O título de hoje vem de  "street fighting man", dos Stones. Chamaria isso de 'peso na consciência'... ainda mais depois do remorso em ter ( quase) brigado no meio desta última  noite/manhã. Acho que é o James Gleick que, num de seus livros no qual fala sobre teoria do caos, diz que existe um horário na madrugada em que as chances de coisas erradas acontecerem aumentam: um ponto, uma curva, uma singularidade; sim, acho que tropecei numa dessas ontem. 

E aí vc volta pra casa e tenta traçar o por que, onde faltou a razão, onde a razão de perdeu, onde vc se deixou levar por tudo aquilo que não o bom senso. 

... 5 minutos ... algumas poucas fagulhas foram o necessário.
... 5 minutos.. e isso. 

Não sei... talvez a maior lição que possa tirar disso seja a prática da paciência. Interessante por que muitas vezes temos essas palavras como adjetivos... mas não é bem verdade: a exemplo de amar, que não é um sentimento apenas, mas um verbo, no qual se condensam atitudes, gestos e sinceridade... por que não o mesmo com a palavra "paciência"? Paciência, enquanto ato para si mesmo, dada ao mundo e ao que te cerca. Talvez paciência seja um caminho limítrofe entre a racionalidade e esse mundo cheio de fagulhas onde as coisas fogem ao nosso controle.

Enfim... termino esse post com um trecho de Fernando Pessoa em seu "livro do desassossego" 


[10]

E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre ...
Bom domingo a todos. 

Love + peace .... + patience

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Paupéria

Oque será 
que dá pra fazer com
brócolis, 
ameixas desidratadas 
amêndoas?


é...  não é muito difícil adivinhar 
que este é o conteúdo
 da minha geladeira 
esta noite



[Milonga em ré, Astor Piazolla]

quarta-feira, 31 de julho de 2013

San Francisco







Acabei nem desenhando muito nos dias que fiquei em SF; até voltei antes do que previa. Foi bom, mas acho que precisava de um pouco mais pra me inspirar. De qualquer forma, acabei fazendo alguns desenhos.





terça-feira, 16 de julho de 2013

Veni, Vedi, Vici

Segunda-feira, 5:47  da manhã, e eu caminhava dois blocos em direção ao "official parking lot" da casa branca, que se trata de uns bike racks que ficam em frente a um mercadinho local. Olho de longe antes de atravessar a rua, avisto minha bicicleta; ao lado, uma cartola roxa com os dizeres

Veni
Vedi
Vici

da qual pendiam duas orelhas. Aproximo-me, já com a chave do cadeado da bicicleta na mão. Com o canto do olho observo um coelho dormindo dentro da cartola. O barulho da chave o acorda. Eu, não querendo incomodar, sussuro-quase-digo: 

"-..good morning"

Ouço de volta algo.

"... Gooooood moooorning..."

[bocejo espreguiçado]

Perguntei ao coelho oque ele fazia tirando uma soneca ali. Vejo sua bicicleta escorada num poste, solta.

[traduzido]

"-Vim de bicicleta do Wal-mart até aqui. Trabalho lá.".

" -Sério?! O Wal Mart é longe pra cacete!", disse-lhe, estarrecido.

" - É.. parei aqui pra descansar um pouco e continuar a viagem pra casa", disse o coelho.

" - E oque um coelho faz no walmart?!", perguntei estarrecido.

" - Eu sou um coelho que finge ser uma americana loira... aí eu trabalho no caixa".

" ...ahhhh...", exclamei, surpreso, mas sem entender direito.

Subi na minha bicicleta e olhei pra frente. Liguei minhas bike-lights, pus meu capacete. 

"- Have a good one", disse o coelho. 

"-You too", lhe disse, já pedalando.  

Pensava no quanto nadaria ainda, na minha corrida contra mim mesmo. Pensei no que é nadar para chegar mais adiante quando a qestão não se é ir longe, dado que nadar em piscinas é um exercício monótono de idas e voltas.... Lembrei da corrrida de Aquiles e da tartaruga e do paradoxo de Zenão (Zeno, em alguns livros) sobre a qual li no primeiro ano de faculdade; veio à cabeça o abrir do livro e o desenho de um homem apostando corrida com uma tartaruga. A legenda dizia 

"...os gregos não entendiam como somas infinitas poderiam convergir."

[Um exemplo seria,

$$ 1 + \frac{1}{2^2} + \frac{1}{3^2} + \frac{1}{4^2}  + \ldots $$
]

 Lembrei-me então de, por um certo tempo, não conseguir entender o porque daquele "paradoxo" ser realmente um paradoxo, e oque a soma da série infinita trazia à coisa toda dado que era evidente que não se tratava de um paradoxo, mas sim de um grande mal entendido. Me sentia um tanto confuso - pra não dizer um tanto "grego" hahaha -  com a confusão dos nossos antepassados. Visualizei na minha cabeça aquele funcionário coelho do walmart apostando corridas com os funcionários lesmas ou tartarugas para ver quem ganhava em eficiência e habilidade pra chegar ao trabalho na hora certa e  bater ponto  ("to clock in", nos dizeres americanos) e tinha então sua foto estampada na parede como "funcionário do mês". 

Nadei pensando um pouco no assunto. E foi só.



ps: indo por um tempo pra outras terras pra curtir tão almejadas e necessárias férias; voltarei em Agosto, quando terei notícias, mais histórias e, espero, alguns desenhos =)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Pequeno manifesto por um mundo sem #hashtags

A primeira vez que eu tive contato com as divisões taxonômicas em biologia eu pensei no trabalho hercúleo que aquilo era. Sem falar no aspecto arbitrário que algumas coisas pareciam ter quando a coisa transcendia reino, filo, classe etc e chegava nos finalmente: bicho com nome de jogador de baseball, de popstar, de matemático até!! (mentirinha hihi =) Me lembrava também de um trecho do livro "cem anos de solidão", onde as pessoas de uma cidade começam a esquecer o nome das coisas ( não me lembro se, além do nome, também esqueciam a funcionalidade delas): à partir daí as vacas tinham um nome escrito nelas, a campainha, a janela, as panelas etc... e por aí vai. Vendo mais de longe eu resumiria a situação como: as coisas perdiam o significado por si mesmas e tinham, pois, que ser explicadas. 

Recentemente as pessoas começaram a colocar oque se chamam "hashtags" nas coisas.. como se eu escrevesse 

Adoro este blog e o rapaz que o escreve é muito fofinho
#blogs, # gentebonita, #matematicobrasileirofofinho 

Ou poderia também mudar pra
Adoro este blog e o rapaz que o escreve é muito fofinho#blogs, #falsidade, #textoridiculo

Ou seja... o mundo passa a ser menos arbitrário. E não que eu goste de arbitrariedade!!! Muito pelo contrário!!! Logo eu que... whatever hahaha =P Acho boa a idéia de catalogar algumas coisas, palavras, conteúdos, fotos ( como no caso das manifestações recentes no Brasil) mas vir a usar isso em frases? Ow gente... que é isso... cadê o "livre arbítrio"?! hahaha Quem é que vai me impedir de interpretar textos alheios sem que a pessoa que escreveu me apurrinhe com hashtags dizendo oque eu deveria pensar?

Pronto, falei tudo!!! 

[Espero que vcs amados leitores consigam ainda dormir em paz depois dessas palavras tão contundentes!! =P ]

#manifesto, #verborragia, #hashtag, #=), #gostodeusarhastagsmasminhafamilianaosabe, #meseguraquevouusarumahashtag, #caldinhodefeijaocomcouvemineirasóR$7.89, #matemáticosmarcovaldos


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Good vibrations


Durante o trio de Beethoven.
De quando em vez você se perde em seus próprios afazeres e esquece do prazer que existe em outras coisas. Nessas horas os amigos salvam a gente: hoje fui resgatado da minha masmorra por um amigo pianista que me convidou para ouví-lo tocar com outros amigos brasileiros só por diversão: 
"-leitura à primeira vista"

me disse ele ( i.e., ler a peça e tocá-la na hora, sem prévio estudo). 




Fui e, por quase duas horas, fui agraciado com trios de Beethoven, Mendelssohn, Piazzolla etc. O melhor foi poder fazer oque eu acho o melhor de tudo: ouvir música deitado no chão (é... foi um concerto praticamente privado, no qual eu pode até ma dar ao luxo de subir ao palco, ouvir a música estirado no chão do teatro etc).

Poder ouvir a música é ótimo, mas poder sentir o chão vibrando, e você vibrando com os instrumentos, com o cello, com os graves do piano....caramba, isso é incrível. Será que é apócrifa a história de que Beethoven serrou as pernas do seu piano pra que esse, mais próximo do chão, fizesse com que o chão vibrasse mais intensamente e o compositor sentir melhor a "música" ( que ele, já surdo,  só ouvia dentro de si)? Não sei... só sei que saí de lá muito bem =)





[O desenho ficou meio estranho por vários motivos]
[..e veja bem que isso não é desculpa!!]
[Desenhei deitado, a caneta era normal, a folha era o verso da minha agenda de tarefas ( nota-se os rabiscos da folha de trás) e por aí vai]





[Essa foi uma das que eles tocaram]


[Adendum:  é interessante talvez ir um pouco mais a fundo no que eu pensei/divaguei... com o advento da tecnologia a nossa idéia de que a música começa depois que a gente aperta o "play" é um tanto enganosa. As pequenas e poucas imperfeições, as discussões quanto a se aquilo era um quarteto ou realmente um trio, ou trecho difíceis de serem lidos de primeira- " Inferno!!!" ( exclamou um dos músicos uma hora) valeram o concerto por me trazerem essa natureza da arte que se perde com a determinação de padrões estéticos de apresentação ao público. Pensando em termos matemáticos, eu vejo quanta matemática existe, a quantos "dead ends" se chega, antes de se ter um artigo pronto-polido-saido-do-forno. A ciência, enquanto arte, está tanto no produto final quanto no caminho que se percorreu para que este seja obtido. O mesmo vale quanto à música, acredito... ipsis literis.]

terça-feira, 25 de junho de 2013

Democracia


Não sei ao certo como se deu a história toda: estava na sétima série e meu grupo - eu e mais dois colegas- devería procurar sobre o conceito "democracia" no dicionário e tecer comentários sobre como e se as definições lá encontradas concordavam de alguma maneira com o a forma como eram empregadas. 

Chegamos na sala, e lemos a definição que havíamos encontrado:

[vou fingir aqui que era a do Wikipedia, por que não tenho dicionário de português aqui]


"Democracia ("demo+kratos") é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos — forma mais usual. Uma democracia pode existir num sistema presidencialistaparlamentarista, monárquico constitucional e republicano.As Democracias podem ser divididas em diferentes tipos, baseado em um número de distinções. A distinção mais importante acontece entredemocracia direta (algumas vezes chamada "democracia pura"), quando o povo expressa a sua vontade por voto direto em cada assunto particular, e a democracia representativa (algumas vezes chamada "democracia indireta"), quando o povo expressa sua vontade por meio da eleição de representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram."

e concluímos que sim: o Brasil era um exemplo de  democracia.

O professor olhou pra nossa cara - estarrecidíssimo - e perguntou ( nítidamente puto), certificando-se do que acabara de ouvir: 

"-Como? "

Demorei mais uns dois anos pra entender aquela reação e o discurso que ele fez na sequência. 




Em tempos como os de agora, em que o Brasil anda buscando "algo", deixo uma música de cunho político e que fala da surdez dos governantes e daqueles que tomam conta do poder (acho que o contexto em que foi feita era o de uma guerra: Vietnã, Iraque, não sei). É uma versão da qual gosto muito e que, embora não seja minha favorita , talvez seja do agrado do público jovem-ma non-troppo que visita o site.

[A idéia desse show foi muito boa:]
[ os caras gravaram um monte de músicas com intrumentos de brinquedo...]


domingo, 9 de junho de 2013

Pac-(m)anibales


Cannibalism (from Caníbales, the Spanish name for the Carib people, a West Indies tribe formerly well known for their practice of cannibalism): the act or practice of eating the flesh or internal organs of other beings of same kind. It is also called anthropophagy. A being who practices cannibalism is called a cannibal. 






[An extremely rare picture of a small pac-man that was eaten by another pac-man]

quinta-feira, 6 de junho de 2013

The dancing/yawning dust




[Encontrei esse pedaço de linha dançante enquanto limpava a casa branca...]
[Claro, algumas pessoas também podem ver isso como um pouco de poeira se espreguiçando]

=)

domingo, 19 de maio de 2013

"Ciência e hipótese"



“[... ]
But upon more mature reflection the position held by hypothesis was seen; it was recognised that it is as necessary to the experimenter as it is to the mathematician. And then the doubt arose if all these constructions are built on solid foundations. The conclusion was drawn that a breath would bring them to the ground. This sceptical attitude does not escape the charge of superficiality. To doubt everything or to believe everything are two equally convenient solutions; both dispense with the necessity of reflection." 
[Henri Poincaré, do livro Science and Hypothesis ]


Por estes dias eu vi a foto de uma criança "hipnotizada", assistindo desenho. Não pude deixar de lembrar de mim mesmo, quando criança.

[vou colocar um desenho aqui...]
[...por nostalgia]
[versão brasileira mesmo...]
=)


[As pessoas gritando na catarata é psicodelia pura!!]
[hahaha]

Não fui uma criança muito dada à ciência, acho.... era e não era, talvez... não sei. Dentro das minhas limitaçções, no entanto, há alguns "causos" curiosos. A começar por este, sobre a tv lá de casa. Sem sombra de dúvidas, assistir desenhos era o grande entretenimento meu e da minha irmã; passavamos a manhã fazendo isso: ligávamos nos desenhos do sbt e depois migrávamos pro show da xuxa na globo e por aí vai...até chegar a hora de ir pra escola. Nessa época a tv lá de casa era muuuuuito antiga; uma tv de seletor, sabe? 






[Engraçado imaginar isso hoje  em dia, por que a tv mais me parece um forninho do que com uma tv mesmo haha]






Naquela época eu era muito pequeno e acreditava que todos aqueles bonecos que eu via nos desenhos moravam dentro da minha televisão, embora, lembro bem das minha indagações, eu nunca conseguira formular uma resposta satisfatória pra como eles, em sendo tantos, cabiam lá; tentava pensar no problema e "equacioná-lo", mas a contastação da existência desse paraíso dos brinquedos pra mim apagava todos esses receios lógico-científicos da minha mente. E claro, eu manifestava minha crença nisso de várias maneiras; uma das quais consistia em ficar beijando a televisão quando a xuxa ou a she-ra  apareciam, sob os gritos desesperados da minha irmã


"- Ôôõõ mãããããããã.... o Rafael está beijando a televisão e não me deixa assistir o desenho."










E claro, como você bem pode imaginar, diante dessa intuição/crença, não me faltava vontade de abrir a televisão pra tirar todos aqueles brinquedos de lá e adicioná-los à minha pequena coleção ( que consitia, basicamente, em um boneco do He-man e mais uns outros). 

Minha mãe, sábia que era, não confiava muito em mim. Pra tirar meu plano do papel - metafóricamente, claro, por que eu nem sabia escrever nessa época- eu precisava de tempo apenas, já que eu sabia onde as ferramentas do meu pai estavam ( adorava brincar com elas.... apesar de que, no geral, eu as utilizava com fins não muito ortodoxos, como martelar a parede ou desparafusar as tomadas ).

Pois bem: precisava de tempo e de oportunidade. E um dias os dois me vieram.

Numa bela manhã minha mãe saiu de casa e me deixou assistindo desenho...isso é, deixou a televisão tomando conta de mim haha =P Não sabia muito bem quanto tempo ela demoraria, mas mesmo assim pensei em colocar o meu plano em prática. Claro, caxias que eu era, assisti a sessão de desenhos até o fim antes!! Assim que acabou eu corri pra pegar a chave de fenda. 

Voltei pra sala pra botar o plano em prática. Desliguei a tv.

Pra vocês terem uma idéia da situação, eu era muito pequeno: nem conseguia sentar no sofá e alcançar os pés no chão. E você já devem ter imaginado: a tv-forninho era um elefante(!!): a parte de trás dela era enoooorme e no móvel onde ela estava estava  ela ficava quase na altura do meu tórax. 



Claro, nada disso foi suficiente para me dissuadir da minha meta ( ainda mais por que nenhuma dessas coisas passou pela minha cabeça!! hahaha ). Me aproximei do móvel e comecei a virar a tv  pra encontrar os parafusos, que ficavam na parte de trás dela. O grande problema era que a tv encaixava quase que sem muita folga no móvel - uma estante. Não conseguiria virar a tv muito sem tirar uma parte significativa dela do móvel antes. 

A cena então era essa: eu, pequeno, virando a tv-forninho gigante no móvel e segurando a outra parte com meus dois braços, aflito e tenso, olhando pra porta da sala caso minha mãe voltasse. Como vc pode imaginar, minha mãe chegou justamente no meio desse processo, enquanto eu segurava metade da tv pra fora do móvel. A primeira coisa que eu me lembro de quando ela chegou foi ela ter dito meu nome.

[Acho que ela fazia isso por costume...]
[... pra querer saber onde eu estava e se não "estava fazendo arte", em termos maternos rsrs]

A simples visão dela me fez entrar em desespero e tentar desfazer toda essa manobra o mais rápido possível. Não consegui....e a tv caiu no meu pé direito. De certa maneira, foi bom ter acontecido isso, pois não sobrou tempo algum pra minha mãe me dar bronca, já que ela teve que correr pra me levar pro hospital. 

=)