terça-feira, 26 de julho de 2011

The great gig in the sky + Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen (addendum)

Merecida continuação ao post anterior, bem lembrado fui do assunto: citei o livro Wizard of Oz por conta da lenda urbana que há por trás dele e o álbum Dark side of the moon... nunca tinha visto o filme usando o disco como soundtrack, por isso deixo uma palhinha aqui


Wizard of Oz, DSotM, video 3 from kevin gilmore on Vimeo.


De qualquer forma, não acredito na história de que o álbum foi feito como um acompanhamento ou inspirado no filme. Acho isso balela, e acredito que, certamente, se vc colocar um álbum onde as músicas são interconectadas (como...por exemplo... humm deixe-me pensar num exemplo. Não sei de nenhum agora... acho que o Ok computer, do Radiohead, junto com Corra lola, corra





Ahh!!! A música!!! =P



GUIDELINES!!!!!

Agora a gente tem que criar um ponto de inicio... vc deve começar o disco no momento em que a câmera fica totalmente escura na boca do monstro do relógio (parece não fazer sentido...veja o filme e entenda =)

Buscando coincidências:

  • Deixe o filme no mudo!!! O bom é que dá tempo de fazer tudo e vc não precisa gritar pra alguém no quarto: " - o leão rugiu uma, duas...três!!! vezes!!! Corre pra sala pra ver com a gente, já tá pardendo o filme!!! "
  • Repare que quando ele fala na letra "in an interstelar burst" aparece o policial. Não fique muito surpreso com essa dentre tantas outras coincidências, mas o  policial tem uma estrela no chapéu;
  • Quando ele fala " I am born again" aparece uma mãe com um filho;
  • Note que a música tem um momento de calmaria no momento que o policial chuta a bola pro alto e então, quando a bola "penetra" exatamente no centro da letra "ó", a música fica agitada de novo  (será coincidência?);
  • A música tem uma parte de calmaria quando o cara está desesperado na cabine do telefone e o filme apresenta uns trechos em preto e branco;
  • A música fica tensa de novo quando Lola fala que está com medo e e o rapaz diz que vai ser morto se não pagar a dívida que tem;
  • A música da primeira faixa acaba justamente quando o carro pára na frente de uma casa.
  • Obviamente, vc deve correr pra colocar a segunda faixa... eu é que não tive tempo de fazer isso.
  • Há muitas outras coincidências... mas eu não quero falar aqui,  se não vou parecer chato rsrsrs

Façam o teste e espalhem!!! Será que vira lenda tbm? (mas acho que o filme foi feito depois...bom, que seja. Pode-se falar ainda que o filme foi baseado no álbum rsrs)


Só pra vcs verem que a gente vê as coincidências que quer, onde quer, como quiser e com o sabor que mais  - ou menos - gostar.

Vemos oque quisermos, acreditamos no que queremos acreditar; que sua(eu) namorada(o) te trai só porque vc nao conseguiu falar com ela(e) no celular ontem (e ela(e) disse que estava fora de área), que a Capitu traiu traiu mesmo ( puta), que A, que B, que Ó, que....


Por exemplo, tem gente que acredita que deus existe (ou se manifesta aos homens)  porque vê uma mancha numa janela

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55045.shtml

Oque leva muita gente a peregrinar e se reunir


http://www.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55074.shl

 Ter ao que se apegar: uma pedra, um uso de pelúcia, um toco, uma bóia, um patinho de borracha, um guarda chuva que o avô deixou...... Bem, vá fundo e acredite. Eu acredito no axioma da escolha; é como uma fé, que %99,9999999 dos matemáticos (já me designo como um, qdo convém =) nutrem. Acreditar é ter motivo pra seguir adiante... mas isso é tema pra outro post.


Divirtam-se

sábado, 23 de julho de 2011

The great gig in the sky + Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen

Eu ia deixar pra mais tarde, mas eu acho que é melhor vc leitor dar play agora e seguir lendo, muitíssimo bem acompanhado      

Ontem rolou uns caras tocando Pink Floyd num bar. Engraçado e curioso que uma das músicas que eles tocaram, "the great gig in the sky",  me lembra a ária da rainha da noite, da flauta mágica, de Mozart .



Não em forma ou estrutura!!!! Não é disso que falo!!! Creio que no que diz respeito ao sentimento de angústia, desespero e, de certa forma, alívio que a música passa.Fiquei sabendo depois (viva Wikipedia o/  ) que a música/peça trata de morte. Alguém que morre no desespero, pra quem a morte é uma angústia e um alívio ao mesmo tempo? Seria isso?

 Eu ouço a música e não posso deixar de ter uma imagem na cabeça: uma mulher desesperada (talvez como a do post do violino e violão), mas poderosa, que canta/grita/ sofre de angústia no alto de uma torre em um castelo. Gritar é parte deste desespero, mas tbm um alento, um alívio. A imagem da bruxa (uma das ) do Mágico de Oz tbm me vem à mente: morrendo, no alto da tal torre.

Dá pra imaginar seu chapéu é como uma chaminé enraivecida, cuspindo cinzas, pó, poeira e asfixia . Todos na cidade vêem o céu enegrecendo por conta dessa fúria e temem diante do poder que emana de uma mulher como esta, mas tbm acham belo (que mistura de sentimentos estranha... acho que o mais próximo do que posso imaginar que isso seja são essas músicas).



Aí vejo imagino os dedos da mão bem magros, engruvinhados, dobrados, rígidos como se fossem garras...  garras de corvo, oqual não tem mais nada a que se garrar senão à morte.


Enfim: as músicas são lindas. Espero quevcs curtam (e compartilhem suas impressões, claro!)

sábado, 16 de julho de 2011

Ser diferente parecendo igual + variações Goldberg + sonecotron

Tenho uma tarefa mto grande pra fazer, então resolvi postergá-la pro Domingo.... Decidi então escrever um pouco.

O post de hoje é uma mera continuação do anterior, sob uma diferente perspectiva: no post anterior eu falava sobre como pessoas diferentes tocam a "mesma" música colocando sensações, emoções e elementos diferentes, que a música chega a ser outra.

Aí fiquei pensando em como isso se dá quando a mesma pessoa toca a música, só que mudada (a pessoa, digo). Oque, por sua vez, me fez lembrar de uma frase  -Fernando Pessoa, acho - que diz que uma pessoa não se banha no mesmo rio duas vezes. Quando ouvi isso pela primeira vez - época do colégio - eu fiquei meio "insatisfeito", porque a frase não acrescentava nada. Eu poderia dizer que eu não teclo a tecla p da mesma maneira duas vezes, não digo oi da mesma forma duas, ou mesmo três vezes... enfim.  Uma frase que me deixou assim....  não acrescenta nada, é isso.

Acho que essa imprecisão das palavras para descrever sentimentos e sensações perdurou durante muito, até que eu admitisse que o essencial nessa frase ( a meu ver) não é o rio, mas a pessoa que se banha nele.

[ok..isso pode te parecer óbvio pra vc, leitor. Mas pra mim era a arte de ser totalmente incompleto. Pra que fazer uma arte que não acrescenta? Não que arte que não acrescenta não seja importante, isso quando ela é feita com este intuito.... bom... isso foi uma indignação minha, enquanto adolescente. Só estou contextualizando =]

Mais tarde eu tive oportunidade de perceber o quanto isso era possível. E oque eu trago hoje não é nada mais que um exemplo disso.

Podem até dizer que o Glenn Gould estava melhor em questão de técnica na segunda versão, mas acho que este não é bem o ponto da peça - a técnica será nossoo rio aqui: a pessoa era outra. Mais velho, mais sóbrio, menos vivacidade, mas uma paixão tão grande quanto a que tinha na juventude, senão maior, por aquele ectoplasma-algo-coisa intocável que emana da música de.... (adivinhem?) Bach!!!

Ok... estou ultra repetitivo. Lá vem ele com essa de Bach de novo! Tá virando religião já... daqui a pouco ele tá tomando o chá do Daime com coca-cola e falando de...

Bom, pessoal... não há muito oque dizer quanto a esta peça. As variações, pelo que eu saiba, foram feitas por Bach para um rei que sofria de insônia. Então, quando o rei não conseguia dormir, ele ia apurrinhar o pobre do seu pianista  - o tal de Goldberg- que tinha que ficar lá, tocando as variações pra tentar fazer o rei cair no sono. Oque me traz à memória tbm um filme do Wallace and Gromit, sobre o sonecotron


[eu queria um]
[embora eu ache um desaforo com o coitado do Gromit]

que é muito, mas muito bom (quem me dera eu tivesse um mecanismo deste para me salvar nos momentos de insônia =)




Mas voltemos a Johann. Oque vocês estão prestes a ouvir é a primeira parte das variações Goldberg, tocada pelo mesmo pianista em dois períodos diferentes de sua vida: o primeiro, no ápice da juventude. O outro, no ápice da velhice (se é que há ápice na velhice rsrsrs...


[ai ai... um dia eu ainda leio isso e me arrependo]
[ =) ]

Esta primeira versão tem todo esse lance de juventude que eu falei: abraçar o mundo, velocidade, agir de maneira desmesurada às vezes... Paixão, muuuuuita paixão por algo. Intensa.

(1955)


A segunda eu acho a mais foda de todas (as versões que ouvi): comedida, sóbria e de uma vivacidade única quando parece que isso é necessário. Não há mais espaço pra palavras não ditas ou para se desprezar o silêncio: o silêncio é importante (não só em música, acredito). Saber respeitar o tempo das coisas, o tempo necessário para que cresçam e tomem forma; sairem pra ganhar o mundo, à sua maneira. E paixão; sempre/muita/desmesurada

(1981)


Durma bem hoje

Bons sonhos =)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O violino e o violão

Oi, pessoal

O post de hoje nasceu de uma leitura da bíblia... hahaha piada =)

nasceu enquanto eu lia um livro do Heisenberg (A parte e o todo) no qual ele começa a descrever uma reunião de jovens na alemanha pós primeira guerra. Pelo que ele conta, ele estava andando na rua quando recebeu um folheto explicando sobre essa reunião, que iria acontecer num castelo.  Vários discursos, jovens falando sobre como reconstruir um país devastado, inflação altíssima, que teve que assumir a culpa pela primeira grande Guerra... oque aquela geração poderia fazer pra mudar aquele estado? Aí, durante uma das tantas discussões acaloradas (lembrando, tudo dentro de um castelo!!! Imaginem a cena!!! ) um cara aparece numa das janelas e começa a tocar a Chaconne de Bach. Puts!!! O pessoal deve ter ido ao delírio!!! Gente subindo no palco e dando uns moshs, rodinhas... Imagina...nada melhor para restaurar a paz entre os homens do que a música divina que vem de Bach

A Chaconne de Bach é uma peça linda.. linda mesmo. E, curiosamente, ela foi escrita pra violino, mas a versão qeu eu mais curto é a pra violão.  Engraçado ser a "mesma peça" que, quando tocada por instrumentos diferentes, ganha novas cores. Bom...talvez as mesmas cores, embora em outros tons...o  violão a deixa mais sóbria, menos estridente. Quanto ao violino... hummm.... como dizer?




O violino pra mim soa como uma mulher  louca que mora numa casinha pequena, em cima de uma barbearia... e nunca paga seu aluguel no dia certo.

Ela fica na janela, olhando para o horizonte por horas a fio, esperando o marido voltar da guerra. Pra sufocar a saudade, ela canta umas árias na sacada; o coração pesado, vazio por dentro. Os vizinhos saem nas janelas, se emocionam....  e ficam lá embaixo da tal sacada, chorando a saudade dela.



E o violão é um senhor simpático, boa praça e galanteador, que vai todas as tarde à padaria
 comer um sonho, conversar com o dono do estabelecimento, e cantar uma daquelas músicas antigas..tipo um Carlos Gardel





Mas, voltando ao ponto central deste post, a comparação entre estes dois seres maravilhosos, figuras marcantes de um vilarejo minúsculo ao sul da Itália, ouviremos a Chaconne de Bach!!!..

A primeira versão que vocês vão ouvir é a da mulher louca que canta maravilhosamente ... digo, a versão do violino


Itzhak Perlman - parte I





Itzhak Perlman - parte II






Como todos os homens únicos, o violão têm seus imitadores, que ficam se engraçando em outros tantos  bares/padarias pelas esquinas do mundo. Eles cantam a mesma canção, mas não com o mesmo vigor e alegria.


A primeira versão é a que eu acho a mais original e bonita ( do John Williams). É daquelas que vc tem que ouvir pela manhã, quando o sol está entrando pelas frestas da janela do seu quarto, querendo te dar bom dia ( forçosamente). Todas as nuances muito bem trabalhadas... um crescendo ultra lindo, carregado de um peso duro e sofrido, mas ao mesmo tempo de uma beleza que, por mais que a gente não possa tocar, está evidentemente ali.
Infelizmente deixaram o arquivo dividido (um crime!!!! ), mas vocês não vão me condenar por isso, vão?  A culpa não é minha, acreditem

John Williams - parte I



John Williams - parte II



Aqui tem uma versão do Manuel Barrueco. Não acho bonita como a do John Williams, mas... gosto é gosto (tá...de certa forma eu estou induzindo vocês a não gostarem. Me desculpem.... é que este blog prima pela sinceridade rsrs Sempre! =)

Manuel Barrueco




Essa outra é do Leo Brouwer. É boa tbm... mas a do John Williams... (ok...vou ficar quieto )

Leo Brower




Há uma outra, com o David Russell... mas aí já é apelar pra paciência de voc... tá, vou colocar. Mas pq acho que essa é uma das versões legais- legais mesmo.


David Russell




Pra quem nunca ouviu essa peça, espero ter trazido um pouco de luz à vida dessa ovelha desgarrada! =P

Aos que já ouviram, ouvir uma vez mais é sempre um prazer; vcs vão curtir novamente.

=)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sobre a responsabilidade

 Na época havia um menino na minha sala - primeira série - que era repetente. Naturalmente, o resto da sala dele que passou pra segunda série ficava sacaneando o moleque: antes de entrarem nas salas de aula, os alunos formavam  filas na quadra de esportes da escola, sempre do mais baixo para o mais alto: o indivíduo n com a mão sobre o ombro direito do indivíduo n-1, e assim sucessivamente (para    n >= 2). A fila ao lado da nossa, claro, era da turma da segunda série, a maioria de antigos colegas dele. No meio da balbúrdia do momento em que o sinal tocava, sempre havia alguém gritando pra este garoto: 


     "- Didier, burro..."  


Ele, último da fila da primeira série C ( sala da tia Lídia) baixava a cabeça.
Triste. 
Fazendo beicinho.



    Havia algumas coisas que o faziam diferente dos outros alunos da turma: Didier era maior que as outras crianças, pois nessa época todo ano a mais de idade é convertido em alguns muitos centímetros de altura. No entanto, a diferença mais importante estava no fato dele ser o único da sala com permissão pra usar canetas: todos os outros alunos deveriam usar lápis; usar caneta era sinal de maturidade, responsabilidade. 


De vez em quando a professora falava sobre como era o mundo depois que a gente começa a usar canetas pra escrever:


     "- Existem cheques... e você também pode escrever telefones numa agenda... e o melhor de tudo: você escreve e ninguém pode apagar!" 


E poder deixar sua marca no mundo, inapagável, inextinguível, à ferro e fogo, marcada nas páginas de algum caderno/folha/parede da sala casa, era o sonho de todos nós. Exceto o Didier, que já podia fazer isso, e às vezes até nos esnobava.


De tempos em tempos, pra corroborar com a descrição deste novo mundo (e pra evidenciar a nossa condição de semi-analfabetos =), ela pedia pro Didier fazer um relato pros colegas de turma sobre como era escrever com caneta. No alto de sua sabedoria de mais alto da turma, ele dizia:
     
     "- É...."


[respira fundo/ suspira]


     " ... é difícil, porque a caneta desliza muito."


A sala inteira ouvia em silêncio.... 
     ... e sonhava =)