sábado, 11 de novembro de 2017

"Oque que é isso, gaijin", ou "coletividades à parte"

O Japão é uma terra coletiva. Ser coletivo: uma virtude enorme num mundo onde as pessoas cada vez mais parecem pensar somente em si mesmas. É comum ver colegas trazerem lembranças pros outros depois de uma viagem de trabalho, ver pessoas varrendo a rua na frente de casa, ver pessoas limpando um parque depois de um evento... coisas impensáveis na América ou Europa, acho, onde há a mentalidado "eu sigo minha vida e pago meus impostos, alguém é pago pra fazer isso por mim".

No entanto há de se fazer uma ressalva, pois acredite ou não, há um lado negativo nisso tudo: o coletivismo não é um modo de agir somente, mas tambpem um modo de pensar. Ele está em tudo, e se você ousar fazer algo um pouco diferente então... você é mal visto, ou visto com olhares de

".. se funciona do jeito A, pra que inventar um jeito novo?"

 É, o Japão é meio assim, meio travado com novidades, com a reinvenção, com o novo e com o diferente. Da maneira diferente de se olhar para um problema à você dizer que não vai a um evento por que nele só vai haver sopa de bacon e você é vegetariano: o Japão pede de você o teu dever com o todo, com o grupo, com a sociedade, com o país. Não é incomum casamentos acontecerem no Japão pela obrigação de se casar e, filhos virem pela obrigação do indivíduo com o país. É um outro mundo, um outro universo.

Amor? Oque que é isso, gaijin... amor é pros ocidentais.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #12: paraíso "tropical"

Frutas são realmente caras por aqui. Já vi:

* duas mangas por $80 (isso, dólares)
* um melão por $108 (isso isso, dólares)

E ontem, pra coroar a coisa toda, vi abacates de verdade enfeitando uma loja de roupa hahahaha Esses japonêses :)

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Possivelmente shipwreck

Seguindo recomendações, resolvi dar uma olhada em posts antigos, e vi muita coisa... inclusive a quantidade enorme de links quebrados pelo post. Um barco dando sinais de calamidade, de barco à deriva. "That's embarassing".... mas não há muito oque fazer: fragmentos de vida que foi vivida, lá ficam. O passado perece por que, em geral, o esquecemos.

Enfim, dentre as coisas interessantes nesse barco que segue seu rumo eu notei muita coissa interessante: vi que muito da minha dúvida atual do "onde vou etc" estava lá atrás, dormente, em questões que vão do "será que fico", "será que vou", "será que pulo" ou coisas do tipo. 

"Onde queres o sim e o não... talvez", segundo caetano. talvez seja isso mesmo: dias de sim e não, que culminam em séries de perguntas, uma imensa pausa japonesa diante de questões (que é interminavelmente difícil de se suportar!!) cuja resposta não é nem A nem B, mas um pouco dos dois.  Alguns problemas parecem me tomar mais do que gostaria em resolvê-los, em diminuí-los a pó, em fazer desse pó purpurina pra alegrar meus dias. 

Dia, que segue dia, que é seguido por um outro dia...sem pressa.


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #11: Telefone de vento


Eu fui pego de surpresa ao ouvir um programa entitulado "one last thing before I go"  no "this american life", um programa de rádio dos EUA.  Chorei do começo ao fim. Uma simplicidade tão profunda que havia tempos não sentia. Me tocou mais ainda por ser na região onde moro e ouvir histórias sobre esse terremoto de vez em quando. Soube desse documentário no qual o programa foi baseado e achei interessante postar aqui.


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #10: "Monstros japoneses"


Inocente, chego na reunião de boas vindas. Os colegas japoneses aguardam, junto daqueles docinhos igualmente japoneses: o doce de feijão, o peixe com cheiro duvidoso e textura ainda mais duvidosa, o feijão mofado que deve ser cutucado e mexido com um hachi (palitinhos japoneses pra comida) até borbulhar+ o hachi grudado até não poder mais+ gosminha grudenta que agarraria mais que amor shakespeareano+ fiozinho de baba estica-puxa mais que chiclete.

Respiro ofegante, hesito. Fica claro: você carrega o peso da sua ocidentalidade, do espectro limitado que tua cultura te ofereceu: gostos, texturas, formas, cheiros... "há um mundo lá fora de coisas comestíveis te aguardando, seu ocidental tacanho".

Culturaustrofóbico, penso em voltar pra casa em busca  de me recompor. Saio da reunião mordendo paredes e portas, lambendo vidraças e bules, cutucando a folha das árvores, empinando o nariz pra aproximá-lo das nuvens numa tentativa de sentir seu cheiro...

Abro a boca pro céu e espero mais uma gota de distância cultural cair, infinita, e me descer pela garganta.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #9: SDDS, palíndromo irregular

Saudades que bate, irregular... Hoje mais, ontem menos...  Hoje voraz, antes branda.... dias de calmaria, pra me arrebatar como um vento forte que derruba folhas de uma árvore.

E eu mesmo hoje vejo que tudo, tudo mesmo, não passa de uma grande escolha. "There is no path ahead of you, just a path that you left behind", ouvi essa semana. É... talvez seja isso mesmo.


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #8: "Uii"

Praqueles dias em que você quer dizer amora mas tudo que sai da tua boca é abacaxi (ou algo mais espinhudo)

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Entre muitos e poucos, embora Risomara não goste de churros..."

Gosto: de gente com a palavra riso no nome

Risomar, Risolene, Risocreide, Risonilson...

Não gosto: de gente que bebe e fala sozinha(o)

"Como capitão? 

Que que você disse?

Ããããhhh?

É comigo?"

Uma palavra bonita:  carambola

Uma feia: pneumático






quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #7: "ontem de manhã tropecei num nevoeiro"



Eu ontem de manhã tropecei num nevoeiro
Fiquei perdido, assustado e, não posso mentir, triste.


Nevoeiro que me leva pra longe 
também traz em seus ventos 
as lembranças boas das pessoas que amo.
A elas, me agarro.


[Também tropecei nesta música, e me lembrei de Rilke falando da infância.]
[Milton Nascimento, "Bola de Meia, Bola de Gude"]


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #6: vagarosos dias

Há aqueles dias em que tudo parece ir devagar
O progresso cessa
Isso se não estivermos falando de retrocesso!

Tudo parece ser dúvida. 

"Estarei eu, estagnado, há milhares de anos luz de tudo e todos?"

As horas passam, as desigualdades fazem algum sentido, colegas soam como marcianos falando numa língua amorfa. 

"watashi wa ..ka no ..." 

Mas ainda assim, tudo parece vago, destituído de rumo. 

É.. hoje o dia passou assim, lentamente sem querer passar