sábado, 20 de janeiro de 2018

Rafaello K.

Ontem fui ao médico. Meus olhos, avermelhados, davam sinal de conjuntivite.  Entro no hospital, ninguém me entende. Até que ouço "Yasumi" (dia de descanço) e vi que ali não haverá médico pra mim. Como sempre, as pessoas tentam ajudar: uma senhora sai do seu posto pra me levar num outro hospital, numa quadra logo ali. 

E lá vamos nós!

Chego, lêem a carta que a secretária da empresa escreveu, explicando meu estado. "Esse hospital não é aqui". Com muita boa vontade, a enfermeira deixa seu posto e me leva pro outro hospital. Andamos algumas quadras até que...

Você já deve ter imaginado: chegamos no primeiro hospital (que estava fechado em dia de descanço). 

Volto no segundo hospital. Assino coisas, preencho nomes "Romaji, OK?" (caracteres romanos). Sim, OK. Aí sigo por uma séries de coisas e pessoas ininteligíveis, ninguém me entendendo, até chegar num médico que não fala uma palavra que entendo.

E se eu entrar ali pra me curarem os olhos e me operarem de uma apendicite que não tenho?

Me desespero. Oque será que essas pessoas estão dizendo e fazendo? 

Nada faz sentido. "Chotto mate, kudasai"... me pedem pra aguardar.... devem estar a preparar a sala pra me operarem de hérnia, ou desobstruirem minha aorta não obstruída (que eu saiba :). 

"-Monteiro-san", diz uma enfermeira de voz bem fina.

Ainda sem entender, me entregam um papel com sinais e símbolos em japonês. "Prescription?".... Ninguém me entende. "Ok, Ok"... primeiro homem na lua, pago com moeda que trouxe da Terra. Me pedem pra aguardar de novo... e a mesma enfermeira que me levou ao primeiro hospital pede para seguí-la para fora do hospital... "será que vão me levar pra coréia do norte? Ou vender meus órgãos?"

Entramos num prédio... uma farmácia. Antes que as cortinas se fechassem, tudo começou a fazer sentido.

[Esse dia me lembrou muito de um livro do Kafka, "O processo" (The trial)]
[Nele, um cara chamado Joseph K. está sendo processado, só que ele não sabe o por que]
[Aí o livro inteiro é isso, as pessoas o abordando pra falar da gravidade do caso dele e ele sem saber do que se trata]
[Ontem eu senti um pouquinho do que o Kafka queria passar... acho que nunca tinha entendido muito bem aquele livro até então rsrs foi no mínimo interessante]

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Direto da Terra do Sol Nascente, #16: o mundo em 7 minutos




[Castelo de Osaka]
[Muito difícil desenhar nuvens rsrs por mais que elas sejam quase nada]




[Tōdai-ji temple, Nara]
[Estava muito frio]
[Estabeleci o desafio de desenhar tudo oque fosse possivel em 5 minutos]
[...que depois se estenderam a 7 :) ]

sábado, 23 de dezembro de 2017

Retrato em branco e preto

Vocês já ouviram "retrato em branco e preto", do Chico e do Tom Jobim?



Está na lista das músicas que tocam no fim de noite, fossa, porre, voltando pra casa sozinho depois de um break-up haha Mas esse não é o porém do post de hoje. Eu queria registrar esse processo de adicionar cor aos desenhos que tenho feito ultimamente.


Acho que quando eu percebi a dimensão que a cor poderia dar as desenhos eu meio que descobri um outro mundo rsrs é incrível como a falta de cor, o "retrato em branco e preto", pede, exige uma complementação da informação pelos nossos olhos.




A dualidade "claro/escuro" cria essa necessidade de preenchimento, que nosso cérebro corre por atenuar e "satisfazer". É vida, é dia, é imagem, mas muitas vezes é uma imagem de um dia nublado... daqueles em que não se quer sair de casa hee hee



Mas aí vc adiciona cor... e fica brincando com o fazer sentido das coisas.

Uma árvore de folhas azuladas..pode?
Uma pessoa de pele avermelhada?
Um céu amarelo por detrás de um pássaro rosa?

 Nessa parte entra essa harmonização de impressões, nas quais eu ainda patino tentando entender oque faz sentido, oque é aceitável, oque parece coerente ou não.




Aí se chega num produto final, que nem sempre é satisfatório, mas... acho que só chegamos àquilo que consideramos bom ou razoável tentando, fazendo, caindo, tropeçando e sujando as mãos. Aprender é isso, não: errar, errar e errar de novo.





terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Hibaku




"In Japan, the ginkgo is referred to as hibaku, a Japanese word that means "something that has experienced a nuclear bomb." In this case, the ginkgo is one of 170 hibaku trees that survived the atomic blast of Hiroshima that took place in August 1945. Despite suffering extensive damage and predictions that nothing would grow for 75 years, the trees fully recovered. For this reason, ginkgo is attributed with being a symbol of endurance and vitality. Ginkgo's incredibly long lifespan is due in part to its remarkable resistance to disease and pests. Some specimens are reportedly more than 3,000 years old."

           Extraído de https://www.hunker.com


Quase passei batido por esta folha, estressado que estava em resolver afazeres e terminar "coisas". Acabei com o desenho acima, onde parte da questão toda era também ver se o conseguiria fazer em 5 minutos








Outra coisas que estava na minha cabeça era uma cena do Alice no país das maravilhas, em que ela fica minúscula.


Bem longe de sair como imaginava rsrs mas tá valendo :)

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Losers

Achei essa série muito boa, especialmente o episódio #3. Me fez pensar em como distorcemos o nosso processo de lidar com dificuldades, com criatividade, com conquistas, em como criamos novelas dentro da gente que de maneira alguma reproduzem a realidade do processo de construção e criação. Somos injustos, queremos o produto pronto, acabado/finalizado e... esquecemos que no meio do caminho há muitos becos sem saída, muitas quedas que a história e o tempo apagam. 


The Long Game Part 1: Why Leonardo DaVinci was once a loser from Adam Westbrook on
Vimeo.
 

sábado, 9 de dezembro de 2017

Happiness, is a ...



[assisti hoje, achei muito bom]
[coincidiu com minha mãe me dizer que cogitava comprar mais uma TV pra uma casa onde mora só ela]

domingo, 3 de dezembro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #15: にんじん/carrots/cenouras

Ontem aconteceu algo muito curioso. Lá fui eu, secar roupa fora  de casa por que não tenho secadora. Tempo pra passar, espero ali ao lado num café. Sento, peço em japonês: "Bolo de cenoura e Café". A moça japonesa sorri em japonês e diz algo incompreensível (também em japonês). Me desespero.  Só sei falar, não sei conversar rsrsrs Acabou aí, com um riso/sorriso meu. Ela vai, traz o bolo e deixa a conta na mesa, com uma cenourinha desenhada e um "thank you".

Na hora de ir embora todo o staff do restaurante me espera no caixa, com uma pessoa extra (amiga da dona) que se apresenta em inglês e diz: "a dona não fala inglês mas ela gostaria de perguntar o teu nome e saber de onde vc é."

Aí digo, Brasil, bla bla bla... e a moça me conta um pouco sobre o café, sobre a dona o ter aberto depois de trabalhar por uns anos no Starbucks etc. 

Aí a dona diz algo, tímida, sem entender oque conversamos. 

"Ela também gostaria de dizer que notou que você veio aqui já essa semana e que está muito honrada em poder cozinhar pra ti". 

Na hora eu me senti meio bobo... meio "wow... que bonito isso... embora eu só seja um reles mortal"... acho que por um segundo me senti como...sei lá, a rainha da inglaterra hahaha Bateu uma humildade tremenda: "eu só sou um zé ninguém...", pensei... 

Saí de lá com um sorriso, lembrando de uma música/poema, que diz 

"Of all these weird creatures
Who lock up their spirits
Drill holes in themselves
And live for their secrets"

É talvez eles estejam me contando seus segredos... talvez... :)

ps: a música é "subterranean homesick alien", do Radiohead


sábado, 25 de novembro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #14: "treme-treme"

Sento num café e abro um livro 
Mesa grande, compartilhada
Japão: eu + um monte de gente 
Concentro

Mesa treme
O rapaz da frente mexe o pé..mas devagar...
Terremoto ou causalidade?
"pé mexe implica mesa mexe"
Pondero

Não sei se fico puto ou aliviado
Abro o livro de novo
Concentro,  ou assim tento

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Direto da Terra do Sol Nascente, #13: "Quando eu chego em casa...."

Super-homem chega em casa

Se descalça do "s" na porta

Vai ao banheiro e lava as mãos, se livrando do "u"

Olha o rosto no espelho... com um rápido mover de mãos se livra do "p" que lhe anuvia a visão

Entra na sala, pendura o "e" no cabide

Abre a geladeira

Morde uma cenoura

Senta na cadeira da cozinha, 

sem pensar no amanhã, 

sem pensar no que lhe espera lá fora, 

sem temer, 

sem "r", 

sem nada em particular na mente

Deixa tudo de lado 

e volta a ser um homem