sábado, 6 de agosto de 2011

Sobre aquilo em que "podemos" acreditar e também sobre aquilo em que queremos acreditar...

Os posts anteriores, sobre a arte de se acreditar no que se quer  me levam a escrever aqui sobre oque separa, no pequeno- grande universo que cada um de nós levamos dentro de nós, nossas crenças daquilo que realmente vemos. Há um outro trecho no livro do Heisenberg- a parte e o todo -no qual eles falam sobre a descoberta do méson-pi. Aí o Heisenberg levanta a questão de se fazia mesmo sentido analisar a trajetória de um átomo por conta do princípio da incerteza; como se oque se visse não fosse a real trajetória do átomo.... pois, pensa-se, pode se ver o átomo ali por que ele deixa um traço numa câmara de vapor (acho que é câmara de vapor... se algum físico ler isos, pfv, corrija-me =), mas pode se pensar no átomo, ou suas partículas componentes, como objetos?

Acreditar é em parte ver, e ver  é um motivo para se acreditar... uma simbiose; posso eu acreditar num átomo se nunca vi um? Posso eu acreditar em deus se nunca o(s) vi? Oque é a indicação direta de uma existência, da presença, de uma verdade, uma realidade, um indício, um princípio? Como no post anterior, onde eu falo sobre aquelas imagens que aparecem em vidros e chegam a reunir algumas mil pessoas, pronunciamento do papa à respeito.


[Para vcs verem como isso vai longe, há outros vídeos sincronizando álbuns de rock com filmes. Vou deixar um link nos comentários aqui a título de curiosidade, sincronizando parte do álbum The wall, do Pink Floyd, com Alice no país das maravilhas]
[Há versões sincronizando o the wall com O Grande ditador, do Chaplin] 




Pensando/refletindo e lendo sobre isso tudo, eu me lembrei de um momento da minha infância- deveria ter uns 7, 8 anos- no qual eu e um amigo ( o mesmo do post da lasanha ) estavamos no último andar do prédio em que nossas famílias moravam, tentando subir para o terraço pra ver oque havia lá. Para colocar mais lenha na fogueira da nossa curiosidade, a chave de entrada pro telhado (sim, há um telhado no terraço) estava ao lado da porta, dentro de uma caixa protegida com um vidro. Aí a nossa imaginação foi longe né:  ter que quebrar aquilo, pegar uma chave (quem precisa de Harry Potter num mundo como estes? =)...  Para dar um clima de terror à coisa toda, havia um barulho muito, mas muuuuito alto mesmo que surgia de tempos em tempos neste corredor à medida que andávamos em direção à caixa com a chave.


[Depois a gente soube que aquele era o barulho da casa de máquinas do elevador, mas a gente acreditava piamente que aquele barulho acontecia porque estavamos pisando nos pontos errados do chão]
[ =P]


 Bom, nem preciso dizer que a gente deve ter perdido por volta de uma hora pulando de um lado pro outro naquele corredor, até que fomos lá, quebramos a caixa com a chave, subimos no terraço do prédio, o síndico descobriu, nossos pais descobriram... e levaram uma multa por conta disso.

Acho engraçado lembrar disso pela "ingenuidade" em acreditar em todo aquele acaso mirabolante do pisar nas pedras erradas ou certas... como no post sobre o dark side of the moon e o mágico de oz: a gente acreditava no que a gente queria acreditar.. talvez não exatamente isso; acho que no que nossa realidade nos permitia acreditar.

Que post confuso, nossa... merda, cheguei num beco sem saída =|

De qualquer forma, há uma animação ilustrando tudo isso que eu falei; talvez seja um dos filminhos mais fodas que eu já vi, no enredo e na qualidade gráfica.



A suspeita - José Miguel Ribeiro, 1999









Incrível ver como o homenzinho articula toda uma história, vendo as coincidências de uma maneira que chega até a convencer a mulher magricela... mas a coisa toda perde todo o sentido quando a verdade vêm à tona, que ele fica até embaraçado por ter ido tão longe em sua imaginação.

Divirtam-se =)
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