domingo, 19 de maio de 2013

"Ciência e hipótese"



“[... ]
But upon more mature reflection the position held by hypothesis was seen; it was recognised that it is as necessary to the experimenter as it is to the mathematician. And then the doubt arose if all these constructions are built on solid foundations. The conclusion was drawn that a breath would bring them to the ground. This sceptical attitude does not escape the charge of superficiality. To doubt everything or to believe everything are two equally convenient solutions; both dispense with the necessity of reflection." 
[Henri Poincaré, do livro Science and Hypothesis ]


Por estes dias eu vi a foto de uma criança "hipnotizada", assistindo desenho. Não pude deixar de lembrar de mim mesmo, quando criança.

[vou colocar um desenho aqui...]
[...por nostalgia]
[versão brasileira mesmo...]
=)


[As pessoas gritando na catarata é psicodelia pura!!]
[hahaha]

Não fui uma criança muito dada à ciência, acho.... era e não era, talvez... não sei. Dentro das minhas limitaçções, no entanto, há alguns "causos" curiosos. A começar por este, sobre a tv lá de casa. Sem sombra de dúvidas, assistir desenhos era o grande entretenimento meu e da minha irmã; passavamos a manhã fazendo isso: ligávamos nos desenhos do sbt e depois migrávamos pro show da xuxa na globo e por aí vai...até chegar a hora de ir pra escola. Nessa época a tv lá de casa era muuuuuito antiga; uma tv de seletor, sabe? 






[Engraçado imaginar isso hoje  em dia, por que a tv mais me parece um forninho do que com uma tv mesmo haha]






Naquela época eu era muito pequeno e acreditava que todos aqueles bonecos que eu via nos desenhos moravam dentro da minha televisão, embora, lembro bem das minha indagações, eu nunca conseguira formular uma resposta satisfatória pra como eles, em sendo tantos, cabiam lá; tentava pensar no problema e "equacioná-lo", mas a contastação da existência desse paraíso dos brinquedos pra mim apagava todos esses receios lógico-científicos da minha mente. E claro, eu manifestava minha crença nisso de várias maneiras; uma das quais consistia em ficar beijando a televisão quando a xuxa ou a she-ra  apareciam, sob os gritos desesperados da minha irmã


"- Ôôõõ mãããããããã.... o Rafael está beijando a televisão e não me deixa assistir o desenho."










E claro, como você bem pode imaginar, diante dessa intuição/crença, não me faltava vontade de abrir a televisão pra tirar todos aqueles brinquedos de lá e adicioná-los à minha pequena coleção ( que consitia, basicamente, em um boneco do He-man e mais uns outros). 

Minha mãe, sábia que era, não confiava muito em mim. Pra tirar meu plano do papel - metafóricamente, claro, por que eu nem sabia escrever nessa época- eu precisava de tempo apenas, já que eu sabia onde as ferramentas do meu pai estavam ( adorava brincar com elas.... apesar de que, no geral, eu as utilizava com fins não muito ortodoxos, como martelar a parede ou desparafusar as tomadas ).

Pois bem: precisava de tempo e de oportunidade. E um dias os dois me vieram.

Numa bela manhã minha mãe saiu de casa e me deixou assistindo desenho...isso é, deixou a televisão tomando conta de mim haha =P Não sabia muito bem quanto tempo ela demoraria, mas mesmo assim pensei em colocar o meu plano em prática. Claro, caxias que eu era, assisti a sessão de desenhos até o fim antes!! Assim que acabou eu corri pra pegar a chave de fenda. 

Voltei pra sala pra botar o plano em prática. Desliguei a tv.

Pra vocês terem uma idéia da situação, eu era muito pequeno: nem conseguia sentar no sofá e alcançar os pés no chão. E você já devem ter imaginado: a tv-forninho era um elefante(!!): a parte de trás dela era enoooorme e no móvel onde ela estava estava  ela ficava quase na altura do meu tórax. 



Claro, nada disso foi suficiente para me dissuadir da minha meta ( ainda mais por que nenhuma dessas coisas passou pela minha cabeça!! hahaha ). Me aproximei do móvel e comecei a virar a tv  pra encontrar os parafusos, que ficavam na parte de trás dela. O grande problema era que a tv encaixava quase que sem muita folga no móvel - uma estante. Não conseguiria virar a tv muito sem tirar uma parte significativa dela do móvel antes. 

A cena então era essa: eu, pequeno, virando a tv-forninho gigante no móvel e segurando a outra parte com meus dois braços, aflito e tenso, olhando pra porta da sala caso minha mãe voltasse. Como vc pode imaginar, minha mãe chegou justamente no meio desse processo, enquanto eu segurava metade da tv pra fora do móvel. A primeira coisa que eu me lembro de quando ela chegou foi ela ter dito meu nome.

[Acho que ela fazia isso por costume...]
[... pra querer saber onde eu estava e se não "estava fazendo arte", em termos maternos rsrs]

A simples visão dela me fez entrar em desespero e tentar desfazer toda essa manobra o mais rápido possível. Não consegui....e a tv caiu no meu pé direito. De certa maneira, foi bom ter acontecido isso, pois não sobrou tempo algum pra minha mãe me dar bronca, já que ela teve que correr pra me levar pro hospital. 

=)



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