quinta-feira, 27 de junho de 2013

Good vibrations


Durante o trio de Beethoven.
De quando em vez você se perde em seus próprios afazeres e esquece do prazer que existe em outras coisas. Nessas horas os amigos salvam a gente: hoje fui resgatado da minha masmorra por um amigo pianista que me convidou para ouví-lo tocar com outros amigos brasileiros só por diversão: 
"-leitura à primeira vista"

me disse ele ( i.e., ler a peça e tocá-la na hora, sem prévio estudo). 




Fui e, por quase duas horas, fui agraciado com trios de Beethoven, Mendelssohn, Piazzolla etc. O melhor foi poder fazer oque eu acho o melhor de tudo: ouvir música deitado no chão (é... foi um concerto praticamente privado, no qual eu pode até ma dar ao luxo de subir ao palco, ouvir a música estirado no chão do teatro etc).

Poder ouvir a música é ótimo, mas poder sentir o chão vibrando, e você vibrando com os instrumentos, com o cello, com os graves do piano....caramba, isso é incrível. Será que é apócrifa a história de que Beethoven serrou as pernas do seu piano pra que esse, mais próximo do chão, fizesse com que o chão vibrasse mais intensamente e o compositor sentir melhor a "música" ( que ele, já surdo,  só ouvia dentro de si)? Não sei... só sei que saí de lá muito bem =)





[O desenho ficou meio estranho por vários motivos]
[..e veja bem que isso não é desculpa!!]
[Desenhei deitado, a caneta era normal, a folha era o verso da minha agenda de tarefas ( nota-se os rabiscos da folha de trás) e por aí vai]





[Essa foi uma das que eles tocaram]


[Adendum:  é interessante talvez ir um pouco mais a fundo no que eu pensei/divaguei... com o advento da tecnologia a nossa idéia de que a música começa depois que a gente aperta o "play" é um tanto enganosa. As pequenas e poucas imperfeições, as discussões quanto a se aquilo era um quarteto ou realmente um trio, ou trecho difíceis de serem lidos de primeira- " Inferno!!!" ( exclamou um dos músicos uma hora) valeram o concerto por me trazerem essa natureza da arte que se perde com a determinação de padrões estéticos de apresentação ao público. Pensando em termos matemáticos, eu vejo quanta matemática existe, a quantos "dead ends" se chega, antes de se ter um artigo pronto-polido-saido-do-forno. A ciência, enquanto arte, está tanto no produto final quanto no caminho que se percorreu para que este seja obtido. O mesmo vale quanto à música, acredito... ipsis literis.]
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