terça-feira, 16 de julho de 2013

Veni, Vedi, Vici

Segunda-feira, 5:47  da manhã, e eu caminhava dois blocos em direção ao "official parking lot" da casa branca, que se trata de uns bike racks que ficam em frente a um mercadinho local. Olho de longe antes de atravessar a rua, avisto minha bicicleta; ao lado, uma cartola roxa com os dizeres

Veni
Vedi
Vici

da qual pendiam duas orelhas. Aproximo-me, já com a chave do cadeado da bicicleta na mão. Com o canto do olho observo um coelho dormindo dentro da cartola. O barulho da chave o acorda. Eu, não querendo incomodar, sussuro-quase-digo: 

"-..good morning"

Ouço de volta algo.

"... Gooooood moooorning..."

[bocejo espreguiçado]

Perguntei ao coelho oque ele fazia tirando uma soneca ali. Vejo sua bicicleta escorada num poste, solta.

[traduzido]

"-Vim de bicicleta do Wal-mart até aqui. Trabalho lá.".

" -Sério?! O Wal Mart é longe pra cacete!", disse-lhe, estarrecido.

" - É.. parei aqui pra descansar um pouco e continuar a viagem pra casa", disse o coelho.

" - E oque um coelho faz no walmart?!", perguntei estarrecido.

" - Eu sou um coelho que finge ser uma americana loira... aí eu trabalho no caixa".

" ...ahhhh...", exclamei, surpreso, mas sem entender direito.

Subi na minha bicicleta e olhei pra frente. Liguei minhas bike-lights, pus meu capacete. 

"- Have a good one", disse o coelho. 

"-You too", lhe disse, já pedalando.  

Pensava no quanto nadaria ainda, na minha corrida contra mim mesmo. Pensei no que é nadar para chegar mais adiante quando a qestão não se é ir longe, dado que nadar em piscinas é um exercício monótono de idas e voltas.... Lembrei da corrrida de Aquiles e da tartaruga e do paradoxo de Zenão (Zeno, em alguns livros) sobre a qual li no primeiro ano de faculdade; veio à cabeça o abrir do livro e o desenho de um homem apostando corrida com uma tartaruga. A legenda dizia 

"...os gregos não entendiam como somas infinitas poderiam convergir."

[Um exemplo seria,

$$ 1 + \frac{1}{2^2} + \frac{1}{3^2} + \frac{1}{4^2}  + \ldots $$
]

 Lembrei-me então de, por um certo tempo, não conseguir entender o porque daquele "paradoxo" ser realmente um paradoxo, e oque a soma da série infinita trazia à coisa toda dado que era evidente que não se tratava de um paradoxo, mas sim de um grande mal entendido. Me sentia um tanto confuso - pra não dizer um tanto "grego" hahaha -  com a confusão dos nossos antepassados. Visualizei na minha cabeça aquele funcionário coelho do walmart apostando corridas com os funcionários lesmas ou tartarugas para ver quem ganhava em eficiência e habilidade pra chegar ao trabalho na hora certa e  bater ponto  ("to clock in", nos dizeres americanos) e tinha então sua foto estampada na parede como "funcionário do mês". 

Nadei pensando um pouco no assunto. E foi só.



ps: indo por um tempo pra outras terras pra curtir tão almejadas e necessárias férias; voltarei em Agosto, quando terei notícias, mais histórias e, espero, alguns desenhos =)

Postar um comentário