segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A visita

Hoje era pra eu ter saído de casa bem cedo. Cedo bem cedo mesmo, e assim o fiz. A pressa, no entanto, sempre me faz esquecer algo em casa, ao que, já dentro do elevador, tive que voltar ao meu apartamento, no desagradável e distante último andar, para pegar o esquecido objeto.

Entro correndo e deixo a porta aberta. Passa pela minha cabeça que uma porta aberta deixa de ter a funcionalidade de porta; os vizinhos podem então perscrutar minha sala, observar meus móveis, reparar nas manchas de umidade que minha parede carrega... "onde deixei, onde deixei?". Objetos perdidos-esquecidos deveriam ter um bipe de localização. A porta aberta, eu no corredor que leva aos quartos. Agora, carregava com as duas mãos o objeto... vejo de canto de olho que alguém está entrando.

Não acreditei. Olhei estático para o visitante, achei que fosse morrer, não só pela violência iminente que esperava sofrer, mas pelo medo"paralisado fique" que me transtornava. Um alce. Um alce grande e com cheiro de selva adentrava minha sala. Enorme, intratável... mas estranhamente, no seu semblante ruminando contente, havia paz e indiferença, como se a casa fosse sim dele, e não minha.

Corri para fechar a porta. Se para esconder dos vizinhos, ou se para guardar aquela vergonha para mim somente, não sei. Acho que na verdade corri para ver se alguém via aquilo também, ou se eu estava ficando mentalmente afetado e fugia de um sonho pela porta da realidade: indício de solidão talvez, ou algo parecido... devo ter batido a porta por reflexo. Me virei e olhei pra ele, que me dava as costas. Mais precisamente, suas nádegas. Não sei se para um quadrúpede se chama isso de nádegas.... que seja: ele realmente não me olhava de frente.

Um comentário:

Rafael de Araújo disse...

Termino depois.... tenho uma prova agora

=)

ps: inspirado na porta aberta hoje de manhã, enquanto entrei em casa correndo pra pegar os livros que havia esquecido em cima do criado-mudo