terça-feira, 10 de novembro de 2009

Da varanda lá de casa

Ele varria a rua e o barulho era enorme. A kilômetros se pode ouvir; eu quase ficava surdo, que o diga conseguir dormir: impensável, impensável.... varrer a rua de madrugada. Nem parecia de verdade.

Achava que era alguém varrendo a rua, embora pudesse ser qqr coisa...de fato, até demorou pra eu perceber do que se tratava:

que não era um gato batendo a cabeça numa lata de lixo,

ou um morador de rua amassando uma latinha com uma bigorna,

ou um piano sendo levado pra casa num carrinho de feira

ou um ar condicionado no qual gotejava um outro ar condicionado,

no qual gotejava um outro ar condicionado

no qual gotejava outro ar condicionado,

no qual gotejava um quinto (ou seria sexto?) ar condicionado,

no qual gotejava a chuva

Eu saí, nao aguentei a raiva misturada com a curiosidade, e fui olhar pela minha varanda. Mas a varanda, estranhamente, me oferecia uma visão que antes eu não tinha: uma vista do meio da rua..como se minha casa tivesse andado durante meu sono!!! Tentei pender o corpo mais pra frente pra ver até onde minha visão alcançava, mas o prédio começou a cair e quando dei por mim já estava no chão. Ainda vivo, e de pé!!! Gritava com os outros moradores se eles queriam que eu trouxesse pão da padaria ali ao lado...

...continuava, porém, aquele barulho da gota do ar condicionado que caia na cabeça do homem que varria a rua, na qual passava um mendigo que amassava a bigorna com um gato que morava numa latinha de cerveja.....e que gotejava berros e miados... na frente da padaria, esperando que alguma senhora de coração mole lhe desse um pedaço do pão quentinho que saia àquela hora do forno.

Eu via tudo isso da fila.
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