quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A visita - segunda parte

Sem saber muito bem o que fazer, liguei para o zelador do prédio:

triiiiiiiiiiimmmmm triiiiimmmmmm

[interfone]

Portaria, bom dia

[alguém com voz de sono]

Oi, seo Marcos. To precisando de uma ajuda aqui em casa.

Ahhh agora tá difícil....não to podendo sair daqui não, to sozinho aqui na portaria e se o síndico pega a portaria vazia eu levo uma bronca posso até perder o emprego

Mas é que tem um alce aqui na minha sala

Um oque?

Um alce

Um aço?

ALCE

Qui é isso?


Caramba...nnão importa, o que importa é que tem um bicho enorme aqiu na minha sala

O sr não pode matar ele com um inseticida?

Não!!!! É um bicho enorme, quase um monstro!!!

Olha, eu to muito ocupado, se o sr quiser eu posso interfonar pro apartamento do síndico e ele pode ir aí te ajudar, mas eu não posso fazer nada. Se eu fosse você eu pegava uma vassôra e dava no monstro

Senti uma certa ironia nessa última frase dele. Desliguei. Filho da puta. Resolvi ligar para os bombeiros. Talvez um órgão responsável como o deles fosse me ajudar.

Um nove três bombeiros, em que posso ajudar?

Oi, eu me chamo Gatobíades, eu estou com um pequeno problema na minah casa.

Pode falar senhor.

Tem um alce aqui na minha sala.

Como?

Um alce.

O senhor mora no campo?

Não, num prédio, no oitavo andar. E tem um alce na minha sala.

O nome do senhor por favor.

Gatobíades...Gatobíades Silva.

Talquei senhor Gatobíades... a gente tem muito o que fazer por aqui hoje pra ficar levando em conta trotes como os que gente desocupada como o senhor passa. Toma vergonha, seu vagabundo...

Mas... é verdade, um alce enorme. Quer que eu o descreva?

Bom dia...

Mas..

BOM DIA!!!


[paaaaac][batida de telefone no gancho]

...e desligou na minha cara. Vaca.

Abandonado. Por tudo e por todos. Só eu e um problema. Eu e o alce. Voltei até a sala para ver o visitante. Ele estava sentado no tapete. Parecia bem comportado e calmo. Deixei uma tigela com uns pães pra ele, bem ao lado do seu corpo, com medo de que ele viesse em minha direção (embora já estivésse perdendo o medo) e saí de casa. Voltei logo na sequência, para pegar novamente o objeto esquecido.

O alce estava no mesmo lugar. O pão, intocado
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