quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Das profundezas da minha alienação

Caramba, e eu só fui saber agora.

Mais uma vez as páginas dos jornais americanos estampam um cara que comprou uma arma numa loja de shopping e saiu atirando em um monte de gente. Tristeza (mais ainda por ter que usar esse monte de artigos indefinidos na frase anterior, de tão usual que isso anda sendo:"....um cara .... uma arma numa loja ....um monte de gente") . Acho que foi uma das coisas que me assustou aqui logo que eu cheguei: fui no pirocas sports, e a havia uma sessão de armas de caça, espingardas... Passei longe, de tão assustado que estava. O primeiro brasileiro na lua: cidade estranha com gente mais estranha ainda, com uns hábitos esquisitos.

Não sei por que essas coisas acontecem, ou se elas sempre aconteceram, só nós que nos chocamos cada vez mais com isso. Me lembro que quando rolou uma coisa do tipo na avenida paulista, não com tiros, mas com um cara que entrou numa livraria, tirou um taco de baseball e bateu na cabeça de um garoto que tinha uns 20 e tantos anos. Eu fiquei travado por me sentir vulnerável à tudo aquilo. E isso me deixava num desconforto tão grande que eu achei que estava virando neura já. Mas realmente, nós somos muito vulneráveis; essa é a natureza física do ser humano: talvez não sejamos mais do que seres dotados de (alguma ) consciência, vivendo dentro de um recipiente...bem na linha do que rola naquele desenho Futurama



..não passamos disso.

Uma vez alguém me disse que, por mais que a gente se fie no aspecto força e  resistência, todos nós somos frágeis: uma joaninha que fique de ponta cabeça (ponta cabeça da joaninha, digo... ou seria "casco pra baixo", ou mesmo "ponta casco" ?) , ou um elefante no qual cai uma taturana- daquelas que queimam - nas costas não pode fazer nada senão deixá-la ali, imagino. Ou uma árvore com um parasita.

Passaram-se alguns dias desde que escrevi isso quando, hoje pela manhã eu fui ler o jornal (believe it or not, I do it sometimes ) e encontrei este vídeo:

Fiquei muito muito triste com o que eu vi. O olhar de desespero do cara no carro que visita a família com as crianças no berço, as crianças se agredindo para poder pegar comida... mas, talvez acima de tudo, a perda da esperança: ninguém parece ver solução pro que acontece. O olhar de desespero e o choro contido do homem no carro foi algo muito doído de ver. Tudo foi muito doloroso. Me lembro do pai de um amigo, que esteve no Haiti com o exército há alguns anos (quando do golpe militar e deposição do antigo presidente): as tardes em que nós conversávamos e ele descrevia as condições do país já me eram extremamente chocantes e desesperadoras.  Se pararmos então pra ver a sociedade  como um corpo -como um organismo, pra ser mais exato-  vemos que ela também é passível de toda essa  fragilidade genérica que eu citei acima. 

E fato: quando uma sociedade está doente, seus indivíduos acabam pagando caro.


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