quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Em Cont(r)o-ibuição # 3

[Dando continuidade]


Por um segundo se sentiu como um deus. Isso: deus...


Deus de sua própria existência, 
deus das formigas, 
das pessoas que atravessavam a rua correndo, levando suas compras de supermercado pra casa,
de seus próprios ais,
deus de todos os seus uis


deus do desdém que nutria por todos que o cercavam naquele momento. 


seguiu andando


[poc....]
[...]
[poc...]
[Ele dá passos lentos e compassados]
[Ele parece raciocinar muito a cada um deles]


Ouve um zumbido  que gradativamente aumenta e o ensurdece, misturando-se com o canto dos pássaros


[Uma ambulância]


".. odeio essas sirenes, esses ruidos.."


segue caminhando.Agora, descompassado, de maneira mais comedida e pesada. Anda como se fosse uma árvore, cujas raízes foram cimentadas. 


[ruídos]
[buzina]
[poluição]
[um quintal com uma galinha d´angola]
[uma sequência de casas simples]


Passa diante de várias casas simples, as quais nunca havia notado que estavam ali (mesmo tendo passado tantas e tantas vezes por aquela rua). Ouve uma música vindo de uma das casas, saindo suavemente pela janela.


[começar a ouvir a partir de 28 segundos]



Olha para o portão


[o portão está aberto]


Mas não pensa que o portão está aberto, como descrito acima,  e sim que o portão não está fechado. Pára e reflete sobre a diferença entre um portão aberto e um que não está fechado.
Não avança... em pensamento. Em movimento.... Em essência, os dois só servem para que as pessoas passem por ele. 



[em voz alta]
"E assim o permitem, pois não há amarras que contenham o correr de suas dobradiças" 



Olha para os lados para ver se alguém o ouviu. 
Adianta-se sobre o portão.


Passa por ele e fecha o ferrolho, seguindo normalmente para dentro da casa, seguindo a música, como se esta o convidasse a entrar.
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