segunda-feira, 5 de abril de 2010

Úmida felicidade

Homem médio, ligeiramente leviano no dia à dia.

Chega em sua casa depois de um árduo dia de trabalho.
Regressa na chuva, pois falta transporte público na provinciana cidade onde mora.

Ele caminha pelas águas, enquanto os carros apressados passam pelo mar que o separa de casa.

Ele sente o cheiro das árvores
Das folhas,
Dos insetos que vivem nas árvores
Das folhas que um dia serviram de telhado pras casas dos insetos.



Ele continua a caminhar.
Pensa no seu trajeto e nos passos úmidos que dá.

Nos amores que teve.
Nos casos que teve.
...e nos amores que tem: os casos não correspondidos, as mulheres que vivem em casulos, os filhos pra quem dar de comer, o parco sálario.

Seu pé está encharcado.
Ele pisa mais fundo e parece que seus dedos afundam, atravessando a sola de seu sapato

Ele pensa em chegar em casa.

A felicidade é um pedaço de bolo de cenoura, com calda de gengibre
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