domingo, 9 de agosto de 2020

Networking #4 - brô

D.T.

Couching

Trump University

"H te adicionou com a seguinte mensagem:"

Te adicionei, irmão.

É nóis (acima de tudo!).

D.T.


Networking #3 - fofura

H

Advogado de grandes empresas

Unibozo

"H te adicionou com a seguinte mensagem:"


Te achei um fofo. Um dia a gente trabalha assim, lado a lado.

Vamos fazer networking.

H

Networking #2 - emptiness

F

Engenheiro de panelas e utensílios domésticos

Stanford University

 F te adicionou, com a seguinte mensagem:







Para responder F, clique aqui:

Networking #1

 Querido senhor X

Meu nome é Z, e trabalho na mesma área que o senhor. Fui à lua um número infindável de vezes também, onde me envolvi - dentre outras coisas - na prospecção de petróleo lunar, na pesca submarina lunar, no setor hoteleiro lunar. Também cafetinei  no setor de prostituição lunar (mas esta é uma outra estória).

Sei que és muito importante na área, com trabalhos dignos dos mais grandes autores (dos quais certamente o sr faz parte). Gostaria de saber o teu segredo, ou alguma dica, ou algum insight, no qual pudesse me espelhar: me inspiro no teu trabalho e obra, e o tenho como guia neste mundo cheio de tantas informações deletérias e paradoxalmente desinformadoras.

Sem mais, aguardo uma resposta.

Z

segunda-feira, 27 de julho de 2020

A esta hora... você por aqui?

Saudações longínquas!!

De alguém que mal tem parado, mal tem passado por aqui. Tenho, isso sim, é dormido mal, apreensivo por um futuro que parece não vir, preso nos meandros, na fronteira, na imigração, ou mesmo um futuro que promete vir mas, de fato, não veio e nem quer vir!

No aguardo, só podemos esperar. 
Esperemos!
Espiar-emos: pela fresta da janela, pelo buraco da porta. Olhar o futuro nas suas horas mais íntimas, enquanto dorme, enquanto se olha no espelho, enquanto canta na frente do espelho se fazendo de pop-star.

O futuro só promete, só diz-que-vem, diz-que-deu, diz-que-dá, diz-que-dará um jeito nos nosso problemas.

Nope.

"...ansiosos fiquem, aqueles que pelo futuro esperam, pois estes, serão agraciados com a divindidade do tempo"
[Eclesiastes, 46-31-9999]

Ficou até que bom, né? Não sabia que tinha tanto "talento" pra escrever versículo bíblico. 
Mais um pro leitor que pede bis e gostou ("vejo um  sorriso na platéia ali adiante?")

"O futuro há de chegar com suas verdades eternas, e há de dissipar os equívocos, daqueles que hoje se deleitam em obscuridades"

Bom...melhor eu parar por aqui, do contrário vou é angariar inimigos ao invés de mais leitores para este singelo blog. Que por sinal... não: por sinal nada. Nada de novo por aqui. Nada de novo pro blog. Só algumas mudanças de estratégia, de vagar, de pensar, de fazer e de viver.

Como um rei que pereceu na guerra e deixou seu povo à espera.
Como o anúncio de um milagre.
Como um alívio, um sossego, um mimo...
... o futuro há de vir... por debaixo da porta... por email... ou por aviãozinho de papel.


quinta-feira, 16 de julho de 2020

Nossos mais secretos desinteresses

Abro o jornal.
Nas entrelinhas encontro os mortos, estendidos entre as palavras. 
"Como aliviarmos a retomada econômica" é o dito do dia.
Perecem...
... perecemos todos.

Perco a noção de direção.
Olho pro céu, olho o  futuro meio obstruído.
Obscuro. 
Abstruso.

O jornal insiste em me acalentar com assuntos espúrios. 

"Fulano corta o cabelo durante a quarentena e agrada fãs no instagram".
"Evandoscreison posta foto com churro gigante e viraliza".
"Prima do sobrinho do cunhado de Neymerda posta foto com namorado novo".

Um universo de desinteresse que tenta me vender um mundo de cores, do qual não pareço fazer parte.
Ou do qual não faço muita questão de ser parte. 

Não sei, não sei mais nada. 
Como Waly/Adriana cantam...
....reclamam.

[Adriana Calcanhotto - Teu nome mais secreto, composição com Waly Salomão]

Quem sabe.... quem sabe de algo? Você sabe?

Eu não. 
Admito.

Me perco, me perturbo, me desespero e, por fim me perdõo. 
Tardiamente, mas me perdõo. 
Por saber tão pouco.

Em dias de covid os dias têm se seguido como uma sucessão estranha de ver como os outros estão.
"Teu barco está entrando água?", pergunto pro dono de uma embarcação ali-ao-longe.
Remo. 
Me preocupo. 
Remo. Me preocupo. E me descabelo.

Todo sossego e serenidade parecem ir e vir ao vento. 
Chuva que não arrefece. 
Turbulências. 

Olho o mundo lá fora, e me pergunto: será que alguém sabe de algo? 
Algo que não sei?

Volto à estaca zero... mais uma vez sem saber de nada. 
Ou sem ter certeza se realmente sei algo.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

2020/2021

Hoje passou pela minha cabeça oque seria se, naquele instante de virada de ano, sorrateiramente, alguém esquecesse de colocar o 1 e deixasse o zero. 

Se 2021 virasse 2020, e tivéssemos a chance de reviver este ano para consertá-lo, somente aprendermos com ele.
Sem ter que dar tchau pra tanta gente.
Sem ter que ficar preso dentro de casa. 
Sem ter que viver com medo. 
Sem ter que sonhar que perdeu alguém.

Seria só ninguém dizer nada, aquiescendo diante de um detalhezinho de nada. Um tropeço, um deslize, de um ano que vagarosamente passa, mas que parece querer correr na frente e nos deixar pra trás.

Mas não, não adiantaria. 

Acho que no fundo saberíamos que não há como mudar a situação. Me lembra um pouco de uma cena num livro do Saramago, quando um motorista de caminhão, ao fazer a entrega de umas encomendas, pega uma senha de número 13 e fica desconfortável com o número:

Cipriano Algor pôs a furgoneta em andamento. Distraíra-se com a demolição dos prédios e agora queria recuperar o tempo perdido, palavras estas insensatas entre as que mais o forem, expressão absurda com a qual supomos enganar a dura realidade de que nenhum tempo perdido é recuperável, como se acreditássemos, ao contrário desta verdade, que o tempo que críamos para sempre perdido teria, afinal, resolvido ficar parado lá atrás, esperando, com a paciência de quem dispõe do tempo todo, que déssemos pela falta dele. Estimulado pela urgência nascida dos pensamentos sobre quem chegou primeiro e sobre quem depois chegará, o oleiro deu rapidamente a volta ao quarteirão e meteu a direito pela rua que limitava a outra fachada do edifício. Como era invariável costume, já havia gente à espera de que se abrissem as portas destinadas ao público. Passou para a faixa esquerda de circulação, para o desvio de acesso à rampa que descia ao pavimento subterrâneo, mostrou ao guarda o seu cartão de fornecedor e foi tomar lugar na fila de veículos, atrás de uma camioneta carregada de caixas que, a julgar pelos rótulos das embalagens, continham peças de vidro. Saiu da furgoneta para ver quantos outros fornecedores tinha à sua frente e assim calcular, com maior ou menor aproximação, o tempo que teria de esperar. Estava em número treze. Contou novamente, não havia dúvidas. Embora não fosse pessoa supersticiosa, não ignorava a má reputação deste numeral, em qualquer conversa sobre o acaso, a fatalidade e o destino sempre alguém toma a palavra para relatar casos vividos da influência negativa, e às vezes funesta, do treze. Tentou recordar se em alguma outra ocasião lhe calhara este lugar na fila, mas, de duas uma, ou nunca tal acontecera, ou simplesmente não se lembrava. Ralhou consigo mesmo, que era um despropósito, um disparate preocupar-se com algo que não tem existência na realidade, sim, era certo, nunca tinha pensado nisso antes, de facto os números não existem na realidade, às coisas é indiferente o número que lhes dermos, tanto faz dizermos delas que são o treze como o quarenta e quatro, o mínimo que se pode concluir é que não tomam conhecimento do lugar em que calhou ficarem. As pessoas não são coisas, as pessoas querem estar sempre nos primeiros lugares, pensou o oleiro, E não só querem estar neles, como querem que se diga e que os demais o notem, murmurou. Com excepção dos dois guardas que fiscalizavam, um em cada extremo, a entrada e a saída, o subterrâneo estava deserto. Era sempre assim, os condutores largavam o veículo na fila à medida que iam chegando e subiam para a rua, para o café. Estão muito enganados se julgam que vou ficar aqui, disse Cipriano Algor em voz alta. Fez recuar a furgoneta como se afinal de contas não tivesse nada para descarregar e saiu do alinhamento, Assim já não serei o décimo terceiro, pensou. Passados poucos momentos um camião desceu a rampa e foi parar no sítio que a furgoneta tinha deixado livre. O condutor desceu da cabina, olhou o relógio, Ainda tenho tempo, deve ter pensado. Quando desapareceu no alto da rampa, o oleiro manobrou rapidamente e foi colocar-se atrás do camião, Agora sou o catorze, disse, satisfeito com a sua astúcia. Recostou-se no assento, suspirou, por cima da sua cabeça ouvia o zumbido do tráfego na rua, em geral também subia como os outros para beber um café e comprar o jornal, mas hoje não lhe apetecia. Fechou os olhos como se recuasse para o interior de si mesmo e entrou logo no sonho, era o genro que lhe estava a explicar que quando fosse nomeado guarda residente a situação mudaria como da oite para o dia, que a Marta e ele deixariam de morar na olaria, já era tempo de começarem uma vida independente da família, Seja compreensivo, o que tem de ser, diz o ditado, tem muita força, o mundo não pára, se as pessoas de quem dependes te promovem, o que tens a fazer é levantar as mãos ao céu e agradecer, seria uma estupidez virar as costas à sorte quando ela se põe do nosso lado, além disso estou certo de que o seu maior desejo é que a Marta seja feliz, portanto deverá estar contente. Cipriano Algor ouvia o genro e sorria para dentro, Dizes tudo isso porque julgas que sou o treze, não sabes que passei a ser o catorze. Acordou em sobressalto com o bater das portas dos carros, sinal de que a descarga ia começar. Então, ainda não completamente regressado do sonho, pensou, Não mudei de número, sou o treze que está no lugar do catorze. 
[trecho de A caverna, de José Saramago] 

É...pessoal: vamos ter que aceitar 2020 da maneira que este é e está sendo. 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Direto da Terra do Sol Nascente # 94: perfume

Hoje voltei a trabalhar no escritório. Aih lembrei de uma estoria. Com o mesmo colega desse post, com o qual as vezes almoçava (ha muito tempo, antes da pandemia). 
A estória foi a seguinte: numa das manhãs de trabalho, esquentei meu bentô (aquela marmita japonesa...que no meu caso de japonesa só tem o formato: dentro a comida é de qualquer outro lugar do mundo rsrs), e fui almoçar sozinho, por não vi meu amigo. Aí cheguei no lounge onde lanchamos e, de longe, já senti o cheiro da comida dele: um cheiro forte, de peixe, que empestiou o andar inteiro. Gritei de longe "não vou nem chegar perto, porque esse cheiro tá forte demais".

Fiquei meio arrependido depois... será que havia sido meio duro com ele? Soei preconceituoso, bruto? Feri alguém cuja cultura aprecia o cheiro forte na comida como uma qualidade? 

Só sei que os dias passaram, o final de semana passou. E um belo dia, quando voltava pra casa ao fim do dia, depois de ter cozinhado no dia anterior, abro a porta de casa e sinto um cheiro forte de tempero. 

...tempero que usara no dia anterior.

Fiquei me perguntando: "será que eu tenho o cheiro do meu apartamento? Da comida que cozinho?"

Aí fiquei imaginando, os japoneses olhando pra mim envergonhados, pensando "ihhh lá vem aquele brasileiro com cheiro de pão de queijo..", ou as pessoas meio nauseadas porque eu tenho cheiro de panqueca... sei lá...me vi indissociado daquele aroma/perfume que denunciava minha origem como uma pessoa não dali. Um ser que não cheira a gohan, ou peixe, ou tofu, mas que tem um cheiro que não se adequa às narinas locais. 

Curioso que esa pergunta me voltou à cabeça meses mais tarde ao assistir o filme sul-coreano "parasita", no qual ele fala sobre cheiro (há um artigo interessante no Guardian: Common scents: how Parasite puts smell at the heart of class war). Fiquei me questionando: "será que meu cheiro, se ele for mesmo diferente e existir, é apenas um sinal de que eu nunca farei parte de onde for, onde quer que seja?" 

Me sentir um pouco mais estrangeiro neste dia, denunciado pela minha própria existência privada, aquilo que não precisaria mostrar ao mundo sendo escancarado, anunciado: você é aquilo que você cozinha.

[" 'Me passa o tempêro?', disse ele entre lágrimas de rejeição.]
[me imaginei lendo isso num livro.]

No fim das contas eu fiquei pensando se deveria perguntar pra outros amigos gringos que moram fora de seus países. "Você acha que tem um cheiro engraçado, que as pessoas te olham estranho quando você passa por perto?".. mas acabou ali mesmo. Não perguntei pra ninguém... vai ver ninguém pensa nisso mesmo (ou acha que perfume resolve).

ps: no que refere a como meu amigo encara o cheiro da comida, e oque isso significa pra ele, a questão me traz à lembrança esse post de 2013:  Universo multiculturalista numa casca de banana (ou "Êsopidianas"). Recomendo
 

terça-feira, 23 de junho de 2020

ποιέω/Poiesis

 ποιέω == Poiesis. O processo de criar, de fazer. Que deu origem à palavra poesia.

Existe poesia no criar? 

Tenho me perguntado bastante isso nesses dias. Diante de tantos momentos de dúvida, de incerteza, tento me apegar a farelos de confiança que encontro jogados aqui e ali ao longo do caminho. "Estou perto de um rio", "vejo uma pegada".... sigo, vejo e percebo: não caminho sozinho.

Talvez oque tenha sido mais curioso nesses últimos dias é perceber que o processo de criação pode ser um tanto louco, cheio de arroubos e relâmpagos e fagulhas. No entanto, uma parte importante do processo, e que pouco se discute se chama "protocolo": criar métodos pré-concebidos para lidar com o construir.

Como casas pré-fabricadas, mesas da ikea, manuais de instrução, protocolos são manuais para gerenciar o procedimento humanos: por onde seguir, como fazer passo a passo. Talvez, mais que isso, são manuais de registro para nos dizer como seguimos no passado, como fizemos. São um registro, e no registro se encontra um método, um pequeno resquício de extrair poesia daquilo que não damos atenção, de um ato que nos parece simples acaso, mas que no fim contém denso conteúdo, de infinita profundidade.

Poiesis. Poesia. Criar. Produzir. Protocolar. Repetir... Uma cadeia de coisas que se ligam, se sucedem, se interrompem, se interferem. Me pergunto onde está a lição de cada tropeço, de cada evento, de cada arquivo apagado que continha a resposta,  cada margem rabiscada de livro que resumia o conteúdo do livro em 2 linhas e poucas palavras. Protocolamos para criar melhor, ou criamos melhor quando protocolamos, quando sabemos extrair método do óbvio, ou quando conseguimos perceber que no óbvio mora o tropeço, o erro,  a disparidade e a assimetria.

[É isso por esses dias]
[Não tenho muito a falar. ]
[Esses dias de corona infelizmente estão consumindo minhas boas energias]
[... mas estou ok, e as coisas vão melhorar ]

 


domingo, 14 de junho de 2020

Criar, iterar, tecer e tricotar

; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - > Nesses dias de uma quarentena que toma formas distintas ao redor do mundo - nos trópicos brasileiros, mais saidinha e desajustada, enquanto nipônica segue comedida mas abaixando a guarda - tenho conversado bastante com minha mãe ao telefone. E nessas ligações, conheço um pouco mais sobre ela (impressionado, pois não achava isso possível). Mais estarrecido ainda é me perceber tão similar a ela em diversos aspectos. ; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - > Enquartelada, numa torre de marfim cercada de prédios, concreto armado e desigualdade social, minha mãe passa os dias em São Paulo falando ao telefone com amigos, conhecidos, e familiares; estes últimos não necessariamente amigos, nem conhecidos. Passa-se ainda bastante tempo costurando (a époa das máscaras já passou) e, recentemente, tricotando. ; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - > Tricota-se. E com isso, tricotam-se as conversas de telefone entre nós dois: um fio, que se estende a um outro tema, que se embola numa vírgula, que se engole com uma fruta de café da manhã enquanto o outro janta. Dessa forma, "Nada se perde, tudo se transforma"  se transmuta em nada se entende, tudo se embola-emaranha. ; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - > Política vira discussão sobre desigualdade ; - - > Saúde vira bronca por não fazer ginástica na sala de casa ; - - > Presidente e ausência de governo vira suspiro angustiado de quem não tem vacina ou tem medo de golpe militar ; - - > Sobrinho vira árvore de natal acesa fora de época pra que o mesmo veja do outro lado da rua ; - - > Avó vira "iaia" ; - - > E saudade permanece saudade, porque isso não tem no que se transformar. ; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >  Minha mãe tricota de um lado, me fala sobre as viscissitudes da arte; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >  enquanto isso, eu teço (tricoto?) os paralelos com minha vida de criar e tecer a linha abstrata das idéias e números, com as agulhas rígidas, extensas mas finitas, da matemática.; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - > "Fiz e desfiz a blusa da Vana (minha irmã), usei regra, me afundei em números...a cada conta que faço errado vou e recomeço a carreira do começo", me diz ao telefone, num papo que me traz à cabeça a natureza repetitiva do criar, do pesquisar, do fazer, do criar. Repetir...repetir.... penso no "zen in the art or archery" e suas discussões sobre como "iterar" e o "entender" se imiscuem, num rio que desagua em si mesmo, ou como numa figura de Escher, dum rio que se acaichoeira em si mesmo, e desagua na sua própria nascente... Herrigel que li feliz, mas que me deixou triste, por não tê-lo lido mais jovem, enquanto ainda estudante.- - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; 
>; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >[Waterfall, por M.C. Escher] >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - > "Como pode.....tão díspares e tão similares?", me pergunto na hora, ao pensar nas inúmeras repetições, control+C, insatisfações, dias de abandono e lema em aberto, pesquisa em fórum pra automatizar fórmula, control+V, apaga mais, escreve mais, edita....- - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; de cada 5 blusas tricotadas, uma vira blusa- - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >;  pra cada trabalho que escrevo, na verdade tricoto outros quatro, emaranhados nas entrelinhas que só aquele que tricotou as palavras, as grudou, as combinou, sabe- - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; "hummmm isso é uma vírgula, mas na verdade é uma fissura, um dead-end do sobre o qual  não tive muito espaço pra falar" - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >;  me angustio, divido sobre os projetos que se finalizam por aqui: o supercomputador que de tanto supercomputar travou no meu trabalho (e teve que ser reinicializado).  - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; - - >; "o último trabalho por aqui", digo eu como tenho dito há meses, e que é traduzido pelo ouvido materno como um "tomara"... mas que me acalmo em acreditar que na verdade é só um novelo da minha natureza: que nunca vai deixar de ter ideias, curiosidade, e ser movido por elas, buscando transformá-las em algo novo... mas que no fundo ainda é só uma linha de idéias, um pouco emaranhadas.