segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Da natureza das vírgulas e dos pontos finais

Num reino gramatical,
onde as frases e os significados remavam lado a lado,
um navegando no outro,
como tartarugas que nadam sobre as costas de outras tartarugas,
e estas nas costas de outras tartarugas,
pontos e vírgulas dividiam território a ferro e fogo,
se encarregando de dar fim às sentenças,
a determinar oque ainda não tivera fim,
e oque seguia sob os desígnios do "to be continued".

No entanto, um senhor de cajado,
numa manhã de terrível mau-humorfológico,
Antônimo Conselheiro,
caiu neste mundo num tropeço, assim decretando:

"- Que todas os pontos finais se tornem vírgulas.
e as vírgulas, pontos finais",

E o mundo então foi diferente:
oque era um discurso passou a ser 146 discursos.
oque era pra ter continuidade passou a ter fim antes de se imaginar/esperar.
e oque era pra ter fim passou a ser interminável,

Uma humanidade desesperada. atônita. apavorada, A falta de ar e de esperança batendo à porta de todos, Pior do que sentir dor é não ter esperança de que a dor tenha fim,

Árvores de pontos finais no centro da cidade.
alegria de crianças brincando nas praças.
viraram árvores de vírgulas.
caindo na cabeça das pessoas como jacas.
decapitando-as,

Pés de ponto e vírgula.
Antes desprezados nos penhascos do mundo.
rolavam a torto e a direito.
pois agora eram somente pontos finais.
desprendidos do solo que lhes serviu de anteparo,

Tentando brecar pisando no acelerador. a humanidade partia para o seu mais derradeiro fim sintático, Quando um gênio semântico assim bradou:

"que todos os sinais sejam reticências!!!"

... e aí não havia semântica que contivesse o mundo...
as palavras deixaram de  fazer sentido...















e a mudez virou uma bomba de exclamações e hífens

Um comentário:

Rafael disse...

Ohh...god!!!! Há um pentelho no primeiro desenho hihihi

=P