domingo, 30 de dezembro de 2018

De volta, brevemente, a São Paulo

Estou no Brasil, em São Paulo, visitando família e amigos. Vi meu sobrinho há poucos dias. Vi irmã se tornar mãe e mãe se tornar avó. Mudar e permitir que as pessoas mudem. Vida nova que cresce e ganha forma no seio de uma família. 

Vejo a cidade morrendo disforme diante das suas desigualdades. Muitos moradores de ruas, muita riqueza e muita pobreza que andam lado a lado. Corrijo: uma acima, outra abaixo. São Paulo, não diferentemente de muitas outras cidades por aí, me machuca: seu excesso de concreto, suas árvores persistentes e maltratadas cujas raízes se espremem em vasos do tamanho de uma caneca, tidas como florestas urbanas de uma cidade que há tempos nem pulmão mais tem.

Gosto das pessoas, mas me distancio: "minhas referências há tempos transpuseram essas fronteiras".

Penso no que teria sido ter trazido a ex-namorada nessa visita. Tento me surpreender com a beleza que vislumbro por trás de tanta hostilidade. Imagino como isso seria aos olhos dela, e tento perceber oque sinto diante de tantos contrastes.

O desconforto ao andar pelas calçadas. O rosto sério das garotas de programa que seguem pra mais um dia de trabalho. Os bêbados cantando música brega nos bares de esquina. Reuniões de amigos de escola, modelos distintos de pais ausentes. Risadas. Pensamentos profundos ou mesmo vagos. Tapioca. Coxinha. Feminejo. 

Acho que amo e odeio essa cidade.

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