segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A chairy tale ( ou "sobre gambás e coisas que insistem em não querer ser oque são")

   
     Hoje acordei muito cedo pra ir nadar... peguei a bicicleta molhada pela água da chuva que passou pela cidade no meio da noite enquanto eu dormia, coloquei meus pisca-piscas (plural disso é?), capacete, e saí pela manhã ainda noite.

O encontro como visto da lua
     Pedalei um pouco quando, no final de uma subida, vi um ser ao longe, beeem pequenininho, andando pela calçada. Aí o bicho resolveu atravessar a rua justo na hora em que eu passava.... diminuí a pedalada com medo de assustar o pequeno ser.  Olhei sua faixa nas costas, olhei a faixa na pista...e tive medo de que viesse algum carro atrapalhar aquele momento;  por sorte, carro algum veio.  Já no meio da pista, o gambá atravessando a rua e eu pedalando quase parando..o gambazinho vira pra trás, pára, e olha pra mim bravo: eu deveria parar, ficar longe dele. E assim o fiz, me sentindo achacado pelo pobre animal; ele (ou ela) me olhou por uns 12, 23 segundos, ameaçou... olhou... e virou as costas pra atravessar a rua e seguir pra encontrar seus amigos ( num starbucks, probably...esses americanos tsc tsc)

     Pq eu estou escrevendo isso? Bom... acho que isso me fez pensar na hora que seria incrível uma rua que não pudesse ser atravessada, ou uma cidade onde não se pudesse viver. Parece não fazer sentido, né? Bom, digo isso por ter vindo à cabeça um vídeo do Norman Mclaren com o Ravi Shankar no qual há uma cadeira que não quer que sentem nela. Ou seja, a cadeira perde sua funcionalidade por não querer ser usada?


A Chairy Tale by Claude Jutra & by Norman McLaren,  National Film Board of Canada

     Engraçado - pra não dizer besta - imaginar que as coisas nascem com uma função: que bocas nascem para cantar, beijar e comer, que canções nasçam para serem cantadas, que teoremas nasçam para serem provados, que vidas se criem para serem vividas e ruas para serem atravessadas.  


     A tempo: essa história me lembra o "causo" do quelôneo errante, que me foi rememorada por um amigo durante uma viagem.


[Último post na casa do meu amigo (que tem internet)]
[Sexta feira está chegando, não vou mais conseguir postar nada tão cedo...]
[...boas ou más notícias... espero que boas]

Postar um comentário