sexta-feira, 3 de junho de 2011

Observações sobre a peste - fragmento de um fim de semana no Rio de Janeiro

Os últimos acontecimentos me trouxeram à  lembrança este texto, do Charles Bukowski:
Peste (do fr. peste, do lat. pestis, “calamidade, flagelo”). S. f. (derivados: pestífero, pestilência): mesma raiz de perdo, destruir (PERDIÇÃO). Doença contagiosa grave, epidemia, pestilência; qualquer coisa nociva, funesta, perniciosa; uma pessoa má ou insuportável.


A peste, em certo sentido, é uma criatura muito superior a nós: sabe onde e como encontrar a gente – em geral no banho, ou durante uma relação sexual ou dormindo. Também tem o dom de nos pegar em flagrante, bem na metade de um movimento intestinal. Se estiver diante da porta de entrada, você pode gritar, “Puta merda, peraí, que porra, espera um pouco!” que o som da voz humana em agonia apenas serve pra afiar as garras da peste – a batida, o toque de campainha ficam mais insistentes. A peste, quase sempre, bate na porta e toca a campainha. A gente tem que deixar que entre. E quando vai-se embora – afinal – você fica doente, de cama, por uma semana. A peste não só dá mijada na alma dos outros – também é bamba em deixar aquele mijo amarelo na tampa da privada. O que fica ali mal dá pra se enxergar. A gente só percebe que está lá quando se senta, e aí já é tarde demais.

Ao contrário da gente, a peste está sempre pronta a matar o tempo e tem opiniões diametralmente opostas às nossas, mas nunca se dá conta disso, pois não pára de falar e mesmo quando surge uma oportunidade pra discordar, a peste não presta atenção. Jamais escuta o que a gente fala. Interpreta como mera interrupção e continua o que estava dizendo. E a todas essas fica-se perguntando como foi que o desgraçado conseguiu se intrometer na nossa alma. A peste também sabe o horário em que se acostuma dormir e há de telefonar sempre no meio do nosso sono – e a primeira pergunta, infalível, será “Te acordei?” – ou então virá bater na nossa casa e, mesmo vendo todas as persianas fechadas, bate e toca a campainha, de qualquer maneira, feito doido, como se estivesse em orgasmo. Se não se atende, ele berra: “Eu sei que você está aí dentro! Já vi teu carro aqui fora!”


.... é galera...minha visita ao Rio foi nesse nível. Fiquei doente, nariz escorrendo - bem sexy , rinite, sinusite, piriri no aeroporto. Acabou que nem saí no fim de semana. Fui vítima da peste. 
Alguém me proteja!!! 
Todos se protejam!!! 
Escondam-se debaixo das camas, 
e não se esqueçam de levar cobertores, para ficar ( ainda mais) escondido debaixo deles!!! 


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