quinta-feira, 9 de junho de 2011

Despedindo-me do Brasil

     Um mês de Brasil.
     Um mês me sentindo uma espécie de peixe fora d´água.
     Rio de Janeiro divisor de águas.

     Minha casa, meu último refúgio antes do "ostracismo", a cidade me rejeitou por alguns dias antes que eu percebesse que o lugar não mais me pertencia. Essa clareza-agudeza nos sentidos, vazio dentro do peito, foi algo bom... a certza de que algumas coisas na vida são passageiras, enquanto outras são profundas. E estas vão escondidas dentro das malas onde quer que se vá: há relatos de casos em que elas ficam dentro/quase-dentro de você.

Eu não tenho casa, oque é meu eu levo comigo.... oque é deles que eu nunca toco, que cidade é a minha, que amigos são teus, que saudade é tua, que abraço  é o meu, que amor é o nosso. Tudo isso veio à tona. Andar de moto pelo Rio na primeira manhã, ver as esquinas passando rápido e ver destroços-raízes de uma árvore gigante que algum dia esteve plantada; raízes adentrando aquele solo, aquelas pessoas, aqueles prédios... não senti isso em São Paulo: já havia me despedido desta cidade há três anos e meio atrás...

Lembrei da minha partida, há um ano atrás. Encontrei neste trecho uma descrição da sensação; se adequa mais à primeira vez que fui, embora considere válido rememorar a experiência, já que este final de férias me deixa com este gosto na boca.

     Um medo que não pude dividir com ninguém. Embora todos estivessem ao redor, nunca me senti tão só, nunca! Estava caminhando em direção oposta e desconhecida, indo contra a corrente, desafiando os que duvidavam e me afastando dos poucos que acreditavam.
     Passando meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão. Um estado interior que não depende da distância nem do isolamento, um vazio que invade as pessoas e que a simples companhia ou presença humana não podem preencher, solidão foi a única coisa que eu não senti, depois de partir. Nunca. em momento algum. Estava,sim, atacado de uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos , acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá solidão;  poderá morrer de saudades, mas não estará só.


Amir Klink  - Cem dias entre o céu e o mar 

Vi menos amigos do que gostaria, fiquei um nada com os poucos que vi e  deixei de ver gente que, nas CNTP, nunca deixaria de ver... Essa é a única tristeza que levo. Não é a tristeza de deixar algo pra trás: esse "algo" não existe mais. Deixo pessoas importantes; estas ficam, e espero voltar em breve para poder vê-las de novo....e ver as que não consegui ver agora

O melhor em voltar é sentir que tem um monte de gente que sempre te recebe de braços abertos; vcs vão sentar em qqr lugar e conversar a conversa de ontem, mesmo que esse ontem tenha sido há alguns tantos meses atrás.
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