quinta-feira, 17 de maio de 2012

Estudante de pós-graduação brasileiro é deportado por viver nas ruas de cidade americana no midwest

por G. G. Marquez, para o Matematicos marcovaldos Heralds

A família o esperava com angústia no aeroporto: as irmãs choravam, a mãe soluçava, a namorada - embora apreensiva - levemente sorria." -Fico triste pelo que aconteceu, mas ao menos agora ele estará perto", disse ela. Ontem, por volta das 21 horas, no horário de Brasília, o senhor Rafael A. desceu no aeroporto internacional de Guarulhos, após ser deportado dos Estados Unidos. Segundo as autoridades do país, o rapaz "estava perturbando a vida dos residentes da cidade por estar morando na rua há um mês. "- Minha roommate mudou as trancas das portas da casa em que vivíamos e me expulsou de lá pra poder morar com o namorado. Fui despejado!! Não pude fazer nada! Como estou prestes a fazer o exame de qualificação do doutorado e não tinha onde ficar resolvi abrir minha mesa no canto de uma pracinha ali perto e ficar lá, estudando. Eu estava confiante de que iria dar certo. Só não contava com essa política higienista dos moradores locais."

Segundo consta, os moradores da região se revoltaram com a presença do rapaz na praça: " - minha vizinha disse que ele tentou roubar o rádio do carro dela", disse uma senhora. As opiniões, no entanto, divergem: "- Ele parecia ser um bom rapaz, andava sempre pra cima e pra baixo com um livro de ...oque era mesmo... partial differential equations...algo do tipo. Era meio curioso ver um tipo como ele morando na rua. De qqr forma, ele me parecia simpático; um dia pela manhã até me deu bom dia enquanto eu passeava com meus cachorros", disse o dono de uma coffee shop nas redondezas.

O porta-voz da universidade falou que o estudante havia morado anteriormente num dos apartamentos da universidade: "- Ele foi um ótimo morador. Nunca tivemos reclamação quanto a ele." Ao que tudo indica, o estudante tinha um bom desempenho acadêmico: " -É... ele vinha estudando pesado pro exame dele, mas não sabia que estava passando por dificuldades", disse seu orientador. Documentos encontrados numa imobiliária local confirmam o que o brasileiro disse à polícia: ficaria na rua até que o contrato do seu novo apartamento começasse. As autoridades porém acharam melhor deportá-lo:   "- Apesar de ser um caso muito particular, não podemos fazer nada. Só seguimos o que está na lei... ele não tinha residência fixa", disse o porta voz da polícia local.


Bastante emocionado no momento do retorno - cheio de abraços e lágrimas por todos os lados- o estudante ainda disse umas poucas palavras para a nossa reportagem: " - os comunistas tinham razão... nunca confie em yanques."
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