sábado, 3 de janeiro de 2015

A arte de contar estrelas



Será que eu estou me mudando daqui?! Me pergunto e tento me convencer disso. Há um medo residual - "e se" - de ficar por mais um tempo que me assusta. Resolução de ano novo: dar uma geral na casa branca, jogar um monte de coisas inúteis fora. Abri aquela caixa com notas de aula, rasguei um monte de páginas... wow... realmente, eu passei muito tempo e fiz muita coisa por aqui.


Por não fazer mais aulas eu havia me esquecido de um costume que tenho pra marcar páginas: o de numerá-las com desenhos relacionados à matéria que estou estudando ou algo que me aconteceu no dia (ou algum objeto, como a caneca de café do professor, por ex). Achei esses das aulas de mecânica muito legais.... de fato, a única coisa interessante nessas notas (já que a aula era muito, mas muito ruim).

 



Alguns deles são bem abstratos rsrs (como o da folha 5... acho que o professor falava sobre "matéria escura")



 ...ou sobre relatividade





Acho que o melhor disso tudo é ver que é um período da minha vida que passou. 


Encontrei outra caixa ainda, com cartas e postais que recebi enquanto estive/estou aqui (maioria da minha irmã, ávida enviadora de postais que é). Realmente, me sinto meio perdido por me imaginar indo mas não saber pra onde. Me sinto como o coronel do conto de Garcia Marquez e os guarda-chuvas ao longo da estória (deixa eu ver se acho online...)



ENCONTRÓ EN EL BAÚL UN PARAGUAS ENORME Y ANTIGUO. LO HABÍA GANADO LA MUJER EN UNA TÓMBOLA POLÍTICA DESTINADA A RECOLECTAR FONDOS PARA EL PARTIDO DEL CORONEL. ESA MISMA NOCHE ASISTIERON A UN ESPECTÁCULO AL AIRE LIBRE QUE NO FUE INTERRUMPIDO A PESAR DE LA LLUVIA. EL CORONEL, SU ESPOSA Y SU HIJO AGUSTÍN -QUE ENTONCES TENÍA OCHO AÑOS- PRESENCIARON EL ESPECTÁCULO HASTA EL FINAL, SENTADOS BAJO EL PARAGUAS. AHORA AGUSTÍN ESTABA MUERTO Y EL FORRO DE RASO BRILLANTE HABÍA SIDO DESTRUIDO POR LAS POLILLAS. 

- MIRA EN LO QUE HA QUEDADO NUESTRO PARAGUAS DE PAYASO DE CIRCO -DIJO EL CORONEL CON UNA ANTIGUA FRASE SUYA. ABRIÓ SOBRE SU CABEZA UN MISTERIOSO SISTEMA DE VARILLAS METÁLICAS. -AHORA SÓLO SIRVE PARA CONTAR LAS ESTRELLAS.

EL CORONEL NO TIENE QUIEN LE ESCRIBA, GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ 

A chuva e o frio lá fora, essas cartas quebrando buracos no meu teto, me fazendo olhar pra dentro de mim como se eu fosse um céu aberto com o qual brinco e me perco a contar estrelas... acho que não existe guarda-chuva pra essas horas.
Postar um comentário