"Since I had nowhere permanent to stay, I had no interest whatever in keeping treasures, and since I was empty-handed, I had no fear of being robbed on the way" [Matsuo Bashô , The records of a travel-worn Satchel]
quinta-feira, 21 de abril de 2022
Entre braçadas
terça-feira, 19 de abril de 2022
Direto da Terra do Sol Nascente #126: "hakanai" (儚い)
Existe uma palavra interessante que, nest blog, já apareceu em Português, em Inglês, e de muitas outras formas. Hakanai, que é traduzido como "efêmero".
No Japão, no entando, efêmero tem uma outra dimensão. Representa não só a transiência das coisas, como também traz muitos paralelos que os japoneses, como sociedade milenar, têm "martelado" em cima ao longo dos tempos. Uma dessas coisas são as sakuras, flores de cerejeira, que nessa época do ano abundam pelo país, mas que na primeira noite de vento forte ou dia de chuva, se esvaem pelo mundo e voam por todo o país. É lindo ver e, pela primeira vez, percebi que, apesar de muitas serem árvores anciãs, suas pétalas parecem confeti, a enfeitar o chão de um mundo que desconhece o carnaval do meu país.
[Eita...esse "meu país" veio despercebido-verborrágico... vou deixá-lo]
É muito louco isso, pois nunca fui muito dado a isso. Sempre achei bonito, mas ... nada de mais. Mas esse ano, talvez por saber que vou embora, parece que me pegou de jeito. O "efêmero" ali, diante dos meus olhos, contrastanto com minha vontade infinita de lembrar tudo e saber que vou esquecer.
Essa transiência das coisas me faz relfetir sobre tantas coisas que já vivi e quis que perdurassem, mas que parece areia que se pega nas mãos no fundo do mar: quanto mais apertamos, mais ela nos foge pelos dedos. Penso em cada sorriso, em cada risada, penso nos pés descalços que caminham pela orla à caminho do hotel, na risada até a barriga doer no meio do shopping Finlandês, ou do livro aberto aleatóriamente numa biblioteca e que cai num texto do qual nunca havia ouvido falar/super fazendo sentido, ou das risadas no bar diante de um momento "pra lá de honesto" de um dos amigos, ou de tantas, tantas coisas que ficaram fragmentadas como um quebra-cabeça faltando muitas, muitas peças, mas das quais só sobraram as mais bonitas... se é que existe tal coisa.
Uma das coisas que 99% das mulheres que passaram pela minha vida "odiava" era essa minha "memória seletiva", o pouco lembrar. Dizia pras mesmas e continuo dizendo que eu mesmo sou um eterno insatisfeito com isso, mas sei que há dois lados pra questão: por um lado, esqueço dos detalhes somente, não da essência; por outro, me a dor que me causam em geral arrefece rápido, e em geral sempre fui o primeiro a dar um primeiro passo na resolução de problemas, o primeiro a pedir desculpas e deixar o orgulho de lado.
É estranho isso... eu sempre quis lembrar mais. Hoje em dia, no entanto, parei pra aceitar que minha mente funciona meio assim: muito forte em imagens e sentimentos, muito lógica minuciosa das coisas mas sem se aferrar aos detalhes de rodapé de um dia, de uma frase que saiu torta, de uma farpa que feriu drante a briga, um estilhaço que machucou numa ligação. Vai ver, e até certo ponto acredito, que todo mundo é assim, em maior ou menor grau.... efêmero por natureza.
domingo, 17 de abril de 2022
Direto da Terra do Sol Nascente #125: "para agradecer, aperte aqui"
Só notei na semana passada, enquanto esperava para atravessar a rua: passava uma ambulância a interromper o trânsito, aquele alvoroço de carros parando e se empilhando para deixá-la passar. Ao que a ambulância passa, sirenes e tudo o mais, uma voz sai do seu auto-falante "- arigatô gosaimashita!".
Fiquei rindo sozinho e pensando em como isso nunca acontece em qualquer outro país que conheço. Sabe, não me surpreendeu, e até me pareceu óbvio esperar issor dos japoneses. Mas, de qualquer forma, fiquei meio intrigado sobre a maneira como as pessoas e diferentes culturas entendem a noção de urgência. Talvez por aqui as normas sociais não se transgridem tão facilmente, mesmo em casos de excessão, como a morte? Ou em casos de urgência como um incêndio? Talvez seja a mesma "regra moral" que se curve a absurdos como não deixar que mulheres entrem no tatame de sumô para ajudar um homem tendo um ataque cardíaco?
Não sei... me pergunto se tudo não são diferentes observações sobre um mesmo fenômeno. fugindo um pouco deste caso em particular, é interessante observar como tais "normas" funcionam e variam de lugar pra lugar, denotando camadas de coesão no tecido de uma sociedade/comunidade. Vai ver todo lugar tem esses botõezinhos que se apertam a depender do contexto: você aperta o "bom dia" ao entrar no elevador, enquanto noutros lugares isso não é necessário, ou você descarrega o dedo no botão "small-talk-mode" enquanto passa no caixa do supermercado no Brasil, enquanto noutros lugares (Japão, EUA) isso é muitas vezes inaceitável!
Talvez mais curioso seja pensar em como diferentes culturas depreendem uma mesma "regra", em especial em empresas. Há um livro curioso do Reed Hastings (um dos criadores da Netflix) no qual ele fala sobre esse "culture map" da empresa, e como é importante levar em conta o contexto onde cada cultura implementa uma política de empresa.
E dá pra estender essa conversa se formos para um assunto um pouco mais amplo: modelos políticos. Em especial quando testemunhamos a maneira condescendente como muitos países ricos tratam outros mais pobres. Será mesmo que a cultura Brasileira é mais permissiva (como já ouvi de algumas pessoas), ou (como acredito) essa é uma visão simplista, ruto de anos de desigualdade e exploração que vem lá de muitos anos, do tempo em que éramos colônia? Ou será que alguns povos são mais coniventes com e propensos a subordinação diante de regimes autoritários? Ou será que existe uma "grande democracia" que inspira justiça e tem o "dever" de liberar todos os povos, mesmo que pra isso deva subjugá-los e ir à guerra? Em dias como esses, em que a Rússia (bom, Putin e seus asseclas) se vêem nesse direito, como dialogar com visões tão distorcidas do mundo e da realidade que (n)os cerca?
Pra variar, tudo isso me passou pela cabeça num piscar de olhos.. digo, num sinal vermelho. O sinal logo abriu pra pedestres, atravessei a rua, cheguei no restaurante e pedi um "filé-com -fritas". Na versão japonesa, claro!
segunda-feira, 11 de abril de 2022
Direto da Terra do Sol Nascente #124: a maior das distâncias
Muito provavelmente é a palavra sobre a qual mais falei em todos esses anos de blog: distância.
E ciúmes...falei de ciúmes? E de se sentir substituído?
Acho que não... mas, de alguma forma, num universo não muito distante, esses termos todos se emaranham.
Estar longe... a sensação horrível de impotência, como se fossem mulhares de borboletas a se debatem na nossa barriga, fragilidade em erupção, o estado de não-presença exacerbado também, o coração longe, a cabeça mais longe ainda...
Em suma: uma merda.
Acho que não foi nem uma, nem dias, mas várias as vezes que senti isso. Em todas, é difícil: a dor parece intransponível, o tempo parece se dilatar, dilacerando a alma como cacos de vidro ... você deseja que tudo passe rápido pr'aquilo acabar, mas não, o tempo se mantém longo e vagaroso, alfinetando cada segundo da nossa existência com um "eu te disse", ou "a culpa é tua"....
Perder alguém é muito difícil.... Ver essa pessoa se distanciar, imaginar que foi culpa sua...sem falar em saber abrir mão por não poder mudar a situação, ao menos não ali, naquele derradeiro segundo em que você quer que sim, tudo mude e seja diferente.
Caramba..sempre penso sobre isso: já perdi tantas pessoas que considero especiais, tantos amores, e sempre sofro da arrogância de achar que da próxima vez será mais fácil. Não: sempre me dói como se fosse o primeiro, como dura como o último fosse nada.... É um estoicismo de amor: "sofra cada amor como se fosse o último a te rasgar a alma", e lá vai você, vendo que todos os remendos do break-up anterior não serviram de nada.
Pensando bem, talvez serviram: pra racionalizar a situação de perda e ver que, num horizonte sabe-se lá quão distante, essa dor passa.
Direto da Terra do Sol Nascente #123: trocando por miúdos ou "a transiência do belo"
Meu apt está ficando menor ... ou talvez maior, a depender do ponto de vista.
A cada dia, móveis se despedem de mim, e partem para outras casas, me desejando boa sorte na minha jornada. Well... pareço antropomorfizar as coisas mais banais: móveis sáo e serão móveis. Que venham, que passem, que sigam suas vidas para ser funcionais onde quer que possam ser.
A vida tem se demonstrado curiosamente estranha. Calhou de ser logo o começo da primavera, a vida fechando esse ciclo de "quase-morte" (the "death spiral", continuando o tema do post anterior), e se renova, brota em beleza por todos os cantos. Como um pop up insistente que não te deixa em paz, olha-se pra qualquer lado no Japão de agora e se vê algo rosa-esbranquiçado, uma flor de cerejeira que me mostra que não, que tudo não passou de mais um ciclo mesmo.
Talvez, desse ciclo que aqui fecho, devesse tirar lições parecidas. Sim, é um ciclo se fechando, uma transição onde agumas coisas tem que passar, serem deixadas de lado, e a transiência de tudo - da beleza, da cor, da flor - deixando no ar o pólen da lembrança, numa certeza infinita de que tudo na vida passa.
terça-feira, 5 de abril de 2022
Direto da Terra do Sol Nascente #122: lamaçal
terça-feira, 15 de março de 2022
Direto da Terra do Sol Nascente #121: on A.I., love, ponies, and handcuffs...
This is a kind reminder: you have a date with Rafaello a few weeks from today.
Statistical analysis based on your recent chats with him shows that he likes:
- ponies, with 99% of probability;
- Mexican food, with 88% of probability;
- women greeting him holding wildflowers in their mouths, with 86.5% of probability;
- handcuffs, with 56% of probability.
Would you like to add any of these items to your shopping cart?
quinta-feira, 10 de março de 2022
Direto da Terra do Sol Nascente #120: it's all over now...
Isso, gente: acabou.
Bom, não acabou ainda, mas ao menos já sei quando acaba.
Passagem comprada pra ir embora, já vejo a casa se esvaziando aos poucos: um móvel doado aqui, outro vendido ali. Tranqueiras e mais tranqueiras que se desfazem porta afora mas que, infelizmente, não evaporam.
Havia pensado há algumas semanas em não escrever mais. Sei lá... parece que passou já. Na verdade fiquei pensando na efemeridade dessas redes, desses meios de comunicação. Lembra do Orkut, por exemplo? Pqp... o orkut foi o prenúncio do blog, e estes do jornal impresso (que, sabe alguém, ainda existe?).
Olha, já estou fugindo do assunto... mas já volto a ele: isso, pessoal, tô indo embora. Na verdade é isso que me fez mudar de idéia. Queria ainda poder parar e descrever um pouco desse processo: do que faz sentido, do que não faz sentido algum, e do pouco que consigo depreender dessa transição.
Uma coisa é certa: estou indo bem depois do que imaginava.
Outra coisa é certa: ter vindo pra cá foi uma grande mudança na minha vida.
Agora, além de tudo isso.... não tenho mais certeza de nada.
Bom...sem dúvidas a partir daqui terei uma outra vida. Agora, como vai ser? Melhor.. pior?... Acredito que melhor, mas muito, muito diferente da de agora. Me dá um certo friozinho na barriga em pensar nesse desconhecido, mas ao mesmo tempo fico curioso e ansioso (de maneira positiva) pra ver como vou me vira em novos contextos. Por que é fato: a vida é curta, e passá-la fazendo o tempo todo a mesma coisa não vale a pena. E, admito, já passei muitos anos da minha fazendo quase a mesma coisa (well... praticamente mudei de "área" de trabalho 3 vezes, mas não deixa de ser uma mesmice).
Aí eu volto pro título (roubado de uma música do Dylan do amazing "bring it all back home", lindamente adaptada pra português pelo Caetano). Reflito sobre esse intervalo enorme de tempo pra "tentar colocar a vida em ordem", em contraste com as vidas de todas aquelas pessoas de Kabul, penduradas em aviões em desespero para ir embora dali o mais rapidamente possível, ou essas pessoas da Ucrânia, forçadas a sair de onde vivem por conta de uma invasão estúpida de um tirano com arroubos de grandeza "soviéticos".
Sou, acima de tudo, um privilegiado.
Mesmo assim, "it is not all over yet... not at all". Olho pra essas "stepping stones left behind", para tudo oque tive aqui e só posso ser grato a tudo. Me parece uma obrigação, enquanto diante de tanta incerteza, me erguer e seguir de cabeça erguida, seja lá oque me espera. E desses dias, simplesmente aprender que, acima de tudo, não devo me apegar a qualquer certeza que a vida parece dar. Isso porque, no fim das contas, tudo passa, tudo é transiente, e só os sorrisos que demos, as risadas, as coisas que aprendemos, podem ser transportadas pra'qui-e-ali, por mais de mãos vazias que andemos pelo mundo.
Parece niilismo da minha parte, mas acredito que seja somente lucidez e serenidade. No fim das contas, talvez seja a melhor maneira de se seguir adiante.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022
Já foi?
Situação estranha que é essa de ter um orgasmo. Ainda mais, de gozar em linguas diferentes. Em inglês, seria um "veio" ("to come"), da mesma maneira que em Francês (viens). Por sua vez, em Japonês se vai ("iku", do verbo ir... mas que, provavelmente, um japonês nativo há de te dizer que o kanji é diferennte, embora sejam verbos homófonos). Em Português, diferentemente dessas outras linguas, nem se vai, nem se vem, nem mesmo se fica: se goza. Como se fosse o fim de uma ato que findasse em plenitude. "-Nem fui, nem vim, e nem me pergunto como cheguei aqui: só sei que me deleitei".
A parte mais curiosa dessa jornada a algum lugar, essa promenade "pra aproveitar algo", é o fato de que, diferentemente de passeios de barco, de lancha, de jet-ski ou de charretes, não se pode ir neles sozinho (well...técnicamente sim... mas vamos ignorar esse detalhe): são passeios em grupo, onde se vai na garupa de alguém, ou ao lado de alguém - ou alguns, caso haja mais espaço no barco.
De toda forma, por mais gente que caiba, a questão toda dessa viagem vai além do transporte: é uma viagem em que nunca se sabe onde se vai chegar e, curiosamente, onde duas pessoas num mesmo barco podem viajar e chegar em lugares muitos distintos. Como um paradoxo Físico, partículas regidas pelas mesmas equações e gozando (!) das mesmas condições iniciais acabam chegando a lugares distintos num mesmo intervalo de tempo. Gozar tem essa natureza absurda-quase-quântica - a de estar e não estar num mesmo lugar, e ainda assim não ser quantico, por não ser quantizado em pequenas parcelas: quando vem, é como uma erupção, consumindo todas as cidades e vilas nos arredores.
Mas vejam: eu também já me desvio e vou parar num outro lugar que não oque imaginava. Me perdõem... me perco, mas agora volto! (Francês ou Inglês?) Fiquei pensando essa semana nessa natureza linguística do orgasmo e, me arriscando numa auto-avaliação que me levasse a vales mais distantes dos infortúnios de se chegar a ele. Me perguntei, como é difícil exercer esse papel de viajante, entertainer, e guia de grupo que o prazer nos exige: você ali, com a bandeirinha, chamando a atenção de viajantes que se perdem em fotos e selfies, discutindo o troco em barraquinhas de milho, em sonecas num banco de praça. Isso quando você não é a pessoa a ser chamada a atenção. Sim, meus caríssimos leitor(a)es: muitas vezes somos nós a nos perdermos ao longo de tal viagem e, quando regressamos ao grupo, levamos uma bronca por deixarmos todos esperando: "-o ônibus já estava de saída!!". Isso, claro, no melhor dos cenários: às vezes o ônibus já saiu há tempos!
É.... gozar é difícil, se é que vocês me entendem. E pior, muitas vezes acreditamos estar num hiking onde todos estão aproveitando, chegamos no cume da montanha, para vermos que estamos sozinhos lá em cima. "-Ué... cadê todo mundo?" De alguma maneira, o orgasmo tem essa estranha beleza de nos empurrar em contato com oque temos de mais egoísta.
No entanto, se nos mantivermos atentos, o orgasmo pode também nos aproximar daquilo que temos de mais "autruístas": o doar-se para uma causa nobre, o ceder para que todos aproveitem a viagem. E, não se esqueçam da bela lição que pode nos dar para que melhor saibamos ouvir e aprender diante de fracassos e vergonhas. Isso porque, é claro, muitas vezes assumimos que todos estão adorando tudo quando, no fim das contas, uns estão sendo comidos vivos pelos mosquitos enquanto nos lambuzamos de repelente. O orgasmo nos mostra essa grande virtude que é ouvir, admitir erros, e também saber dizer pros outros que não, a viagem não foi boa (ou, ao menos, não chegam a um lugar comum ao fim dela). Lembro da primeira vez que uma ex me disse que havia mentido, "faked it". Ao mesmo tempo fiquei envergonhado e feliz: uma certa vergonha pra mim (presunçoso) e pra ela (de certa forma), que se sentiu pequena por não ter dito a verdade. Nesses momentos, rápidos e efêmeros como de átomos que se dividem, a gente pode aprender muito: alguns se escondem e os evitam, enquanto outros (presumo que fora nosso caso) resolvem correr ao guichê pra comprar mais tickets, viajarem novamente e seguirem aproveitando a paisagem até, eventualmente, aprenderem a viajar juntos.
Mas, claro, tudo depende da pessoa... é difícil nos vacinarmos contra essa presunção de que o outro "chegou lá também". Lendo Jorge Amado encontrei esse trecho em que ele descreve, de maneira sutil, mas sem delongas ou palavras desncessárias, o famoso "- oque... você já gozou?" pelo qual todo homem passa. E, se não passou, é mentira: esses devem ser os que mais rápido terminam tal ato.
"Foi tudo muito rápido e pudibundo, por assim dizer. Muito diverso de quanto conhecera Dona Flor, e por isso mesma ela se perdeu e não o alcançou em tão mudo e austero possuir-se. Apenas desamarrara no pasto do desejo e já ouvia o canto de vitória do marido no outro extremo da campina. Ficou Dona Flor como perdida, opressa, uma vontade de chorar."
Dona Flor e seus dois maridos, Jorge Amado.
Uma arte.
Um exercício (zen, talvez?).
Uma viagem.
Uma lição.
Um passeio.
Um devaneio.
Um sonho.
"-ihhh .... já dormiu?"
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
Entre os emaranhados da verdade e da confiança ("Chain of trust" & "chain of truth")
"Covid denialism, like AIDS denialism, reveals that many of doctors’ assumptions are incorrect. We overestimate the value of reasoning and facts. We believe in our clinical authority. We expect patients to behave rationally. But we all develop our beliefs through interactions with other people — what you believe depends on whom you trust. "
[Em The Doctor’s Oldest Tool, no New England Journal of Medicine, por Elvin H. Geng]
Calhou de esse artigo "resolver" um desconforto que senti numa outra conversa, ao ouvir que "a ciência é uma fé, assim como a falta dela também o é". Não, não concordei. Na verdade me causou desconforto pensar nisso, apesar de não saber bem oque dizer na hora.
This particular thesis was addressed to me a quarter of a century ago by John Campbell, who specialized in irritating me. He also told me that all theories are proven wrong in time.
My answer to him was, "John, when people thought the Earth was flat, they were wrong. When people thought the Earth was spherical, they were wrong. But if you think that thinking the Earth is spherical is just as wrong as thinking the Earth is flat, then your view is wronger than both of them put together."
"I am part of what anthropologist Heidi Larson calls a “chain of trust” in a social system that has treated me fairly and generously — a chain that did not reach Mr. B. I realized that the chain’s links consist of lived experiences and relationships, not data in scientific journals. I believe what my colleagues say because of my proximity to their experience: I work with people like the scientists who conducted the earliest studies, and I know them to be generally honorable and credible. Mr. B. did not believe — ultimately, not because of quibbles with the scientific method, but because the sum of what society, and “expert” professionals like me, had offered him in life seemed more like lies than the truth. "
Instead of arguing about the veracity of science, perhaps I could simply bear witness, as one human to another.