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domingo, 13 de março de 2016

Viralatismo F.C.

Eu tive um amigo nos eua que vivia me dizendo que brasileiros, quando se encontravam, era uma festa: começavam a dançar, se abraçar e tudo o mais. Mas isso mudou pra mim em algum ponto: uma conversa no elevador em português e você se faz de desentendido... uma prosa num restaurante e você nem aí... oque há em comum além da língua? Clarom há muito, mas ... não não, não é o bastante. E então, encontrar brasileiros perdidos ao redor do mundo se tornou um pouco desconfortável... ainda mais quando eles insistem em falar do Brasil.

É interessante ver alguns condenando o modo de vida brasileiro... "simples", alguns dizem. Eu acho que é o contrário. O modo de vida europeu é tão simples quanto. E, sinceramente, se você mora na américa e quer ter um padrão/modo de vida europeu você vai ter que ter muito dinheiro. Da mesma forma, se você mora na europa e quer ter um padrão de vida "tropical" (café da manhã com frutas variadas, viagens à praia etc) vc certamente vai ter que ter muito dinheiro. A diferença toda está no que as pessoas consideram como simples e no que elas consideram como luxo. Infelizmente as elites dos países latino americanos têm os olhos voltados pra europa e eua.... por outro lado, a elite européia e americana têm os olhos voltados pros próprios umbigos (vide Donald Trump... meu deus, que foi aquele último debate republicano!??! )

E acho que isso volta um pouco àquilo que eu reparei assim que pisei aqui: a funcionalidade. Acho que a idéia toda da alemanha está nessa simplicidade, nessa funcionalidade sem fancyness, evitar o rebuscado desnecessário, o excesso. E o Brasil, de certa maneira, têm um pouco dessa virtudo, de maneira não consciente. É incrível o viralatismo brasileiro: nunca vi povo que se une tanto pra falar mal, pra esculhambar, pra açoitar tanto sua história e seu povo. 

Acho que começo a fazer as pazes comigo mesmo, de alguma maneira. A Alemanha e o frio norte americano me têm sido uma lição de humildade sem fim. 




sábado, 31 de outubro de 2015

Melhores canções

Quando vc mora sozinho você acaba desenvolvendo uns hábitos muito estranhos. No geral eles aparecem pra que vc se entretenha. Eu descobri que isso não era tão não usual depois de ler nos livros do Amir Klynk que ele também fazia isso durante suas expedições. Uma das coisas que faço, meio que por acaso, é inventar músicas sobre coisas estúpidas que acontecem. No geral o processo e composição acontece na cozinha, enquanto lavo a louça ou cozinho. Então o post de hoje é dedicado a isso: todas essas canções maravilhosas que já compuz hahaha Aqui vai uma lista de títulos:

# 1) You forgot to buy tomatoes

# 2) You have enough kiwis for the week.

# 3) Laundry, sweet laundry

Bom...melhor parar por aqui e ir curtir meu halloween =)





domingo, 26 de julho de 2015

Yard sale + "black birds"




[Bobby McFerrin, Blackbird, dos Beatles, regravado no incrível álbum dele, The Voice]



Ontem rolou um yard sale. Fim da linha quase!!! Espalhei a história de que estava indo pro Pólo Norte. Várias pessoas passaram meio curiosas, perguntando, querendo saber da história. Desenhei um pássaro viajante (na verdade era pra ser um pinguim viajante, mas meus dons artísticos são um tanto falhos). 






Aí fiz um outro com uma família de pássaros indo viajar. A idéia era ter um pequeno pássaro com um chapéu do Mickey (pra contrastar com o pássaro pai com o chapéu de panamá). No fim deu nisso.




Foi curioso ver que, mesmo as tarefas mais estúpidas a serem feitas em dupla ou grupo (como prender um cartaz num poste), se tornam um "big deal" quando encaradas sozinho. Sem falar na coragem em acordar de manhã, fazer algo que só conhecia na teoria. A fábula toda ficou muito mais como um desafio pessoal do que qualquer coisa: o objetivo de dar fim nas coisas em detrimento do lucro foi alcançado e algumas pessoas farão proveito de coisas que antes ou iriam pro lixo ou pra doação. 


Mas foi um desafio bom... me sentir desafiado, tentando levar a coisa toda numa brincadeira, fazendo piada daquilo que estava sendo um parto, tentando relaxar e me soltar ao máximo diante do que posso criar com minhas próprias mãos... idéias.. ter idéias e dar vazão a elas. Uma tarefa a menos agora... mini apple em breve =)





domingo, 30 de novembro de 2014

Postal/Puzzle - Bordeaux




Foi o único desenho que fiz nessa minha última viagem. Acho que não perdi a técnica, apenas mudou minha forma de olhar as coisas. Às vezes ainda me vem essas fagulhas por dentro, e as coisas acontecem: comecei a pensar no que escrever pruma amigona que mora no Brasil e saiu isso. Fazia tempo que não desenhava inspirado, com uma idéia que se mantém por si mesmo enquanto me enveredo por ela. Tomara que ela curta =)


ps: tentei manter um "princípio de universalidade", em que as coisas mantêm-se meaningful não apenas para uma pessoa.. fica meio genérico mas mais fácilmente assimilado. Não há nada muito específico neste postal, acho: datas, lugares, nomes (exceto pelo meu ao final)

sábado, 7 de junho de 2014

UM UM UM

[Pra ser lidouvido]


[111]

Todo o homem de hoje, em quem a estatura moral e o relevo intelectual não sejam de pigmeu ou de charro, ama, quando ama, com o amor romântico.

O amor romântico é um produto extremo de séculos sobre séculos de influência cristã; e, tanto quanto à sua substância, como quanto à sequência do seu desenvolvimento, pode ser dado a conhecer a quem não o perceba comparando-o com uma veste, ou traje, que a alma ou a imaginação fabriquem para com ele vestir as criaturas, que acaso apareçam, e o espírito ache que lhes cabe.

Mas todo o traje, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em quem o vestimos.

O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceita desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
Fernando Pessoa, O livro do desassossego

sábado, 19 de outubro de 2013

Sirens of the lambs



[Achei muito legal o protesto desse artista - Bansky - contra o tratamento cruel dado aos animais que são transportados pra abate]

sábado, 26 de maio de 2012

Sob uma outra perspectiva

Eu já havia lido o texto abaixo mil vezes até perceber que ele não se trata exatamente de tristeza/solidão, mas sim de felicidade. Acho que foi um insight que me veio enquanto lavava roupa: a tristeza que ele descreve abaixo me parece algo orgânico que nosso corpo tenta expelir pra nos deixar bem... lia e olhava pr'aquelas máquinas girando, dando voltas e voltas dentro de seus universos tentando remover sujeira... nossas roupas como uma segunda pele... será que existe máquina para nos lavar do que nos contamina? Ou será que não precisamos de máquina alguma pra isso... (?) Quantas peles será que temos... e oque há debaixo disso tudo? 

[Talvez seja uma reflexão Almodovariana pós o seu "a pele que habito"]
[Como este blog sempre preconiza, mas você pode ter esquecido, eu digo:]
[Rilke foi feito para ser lido em voz alta ou para ser lido em "grupo"]
[O tal de Kappus a que ele se refere é a pessoa pra qual ele enviou esta carta]
[que você leitor ávido deste blog pode muito bem substituir por "meu querido/minha querida leitor(a) do blog", "você", "senhorito(a)" etc]

[Há momentos que passam meio batido se vc não o lê com calma... ]
[Nessas horas]
[mesmo se vc estiver num silêncio absurdamente grande]
[leia para si mesmo]
[fale]
[respire]
[ouça sua própria voz]

[O texto é longo... ]
[... e se você chegar até o final vc é incrível =P ]




Borgeby Gard, Flàdie, Suécia,
12 de agosto de 1904

   Quero conversar de novo com o senhor por um momento, meu caro Kappus, embora não possa dizer quase nada que o ajude, quase nada de útil. O senhor teve muitas e grandes tristezas que passaram. E diz que mesmo esta passagem foi difícil e perturbadora. Mas, por favor, avalie se essas grandes tristezas não atravessaram o seu íntimo, se muita coisa no senhor não se transformou, se algum lugar, algum ponto do seu ser não se modificou enquanto o senhor estava triste. Só são ruins e perigosas as tristezas que carregamos em meio às pessoas para dominá-las; como doenças que são tratadas de modo superficial e leviano, elas apenas recuam e, após uma pequena pausa, irrompem ainda mais terríveis. Essas tristezas se acumulam no íntimo e constituem a vida, constituem uma vida não vivida, desdenhada, perdida, de que se pode morrer. Se nos fosse possível ver além do alcance do nosso saber, e ainda um pouco além da obra preparatória do nosso pressentimento, talvez suportássemos as nossas tristezas com mais confiança do que nossas alegrias. Pois elas são os instantes em que algo de novo penetrou em nós, algo desconhecido; nossos sentimentos se calam em um acanhamento tímido, tudo em nós recua, surge uma quietude, e o novo, que ninguém conhece, é encontrado bem ali no meio, em silêncio.
    Acredito que quase todas as nossas tristezas são momentos de tensão, que sentimos como uma paralisia porque não ouvimos ecoar a vida dos nossos sentimentos que se tornaram estranhos para nós. Isso porque estamos sozinhos com o estranho que entrou em nossa casa, porque tudo o que era confiável e habitual nos foi retirado por um instante, porque estamos no meio de uma transição, em um ponto no qual não podemos permanecer. É por isso que a tristeza também passa: o novo em nós, o acréscimo, entrou em nosso coração, alcançou seu recanto mais íntimo e mesmo ali ele já não está mais – está no sangue. E não percebemos o que houve. Seria fácil nos fazer acreditar que nada aconteceu, no entanto nos transformamos, como uma casa se transforma quando chega um hóspede. Não somos capazes de dizer quem chegou, talvez nunca cheguemos a saber, mas vários sinais indicam que o futuro entra em nós dessa maneira, para se transformar em nós muito antes de acontecer. Por isso é tão importante estar sozinho e atento quando se está triste: porque o instante aparentemente parado, sem nenhum acontecimento, no qual o nosso futuro entra em nós, está bem mais próximo da vida do que aquele outro ponto, ruidoso e acidental, em que ele acontece como que vindo de fora. Quanto mais tranqüilos, pacientes e receptivos formos quando estamos tristes, tanto mais profundo e mais firme o modo como o novo entra em nós, tanto mais fazemos por merecê-lo, tanto mais ele se torna o nosso destino. Assim, quando em um dia distante o novo “acontecer” (ou seja: sair de nós e aparecer para os outros), estaremos intimamente familiarizados com ele e nos sentiremos próximos. É necessário que isso ocorra. É necessário – e dessa maneira se dá aos poucos a nossa evolução – que não experimentemos nada de estranho, mas apenas aquilo que nos pertence há muito tempo. Já foi preciso modificar tantos conceitos relativos ao movimento, e também se aprenderá gradativamente que vem de dentro dos homens aquilo a que damos o nome de destino, não se trata de algo que entra neles partindo de fora. Muitos destinos não foram absorvidos pelos homens, não foram transformados enquanto viviam neles, só por isso eles não foram identificados como algo que era proveniente dos próprios homens. O acontecimento aparecia como algo tão estranho, que eles, em seu espanto confuso, julgavam que ele tinha surgido neles exatamente naquele instante, pois juravam nunca ter encontrado nada semelhante em si mesmos. Assim como, por muito tempo, os homens se enganaram a respeito do movimento do sol, eles ainda se enganam quanto ao movimento do porvir. O futuro permanece firme, caro senhor Kappus, mas nós nos movemos no espaço infinito.
         Como isso não seria difícil para nós?
       Voltando ao assunto da solidão, fica cada vez mais claro que no fundo ela não é nada que se possa escolher ou abandonar. Somos solitários. É possível iludir-se a esse respeito e agir como se não fôssemos. É tudo. Muito melhor, porém, é perceber que somos solitários, e partir exatamente daí. Com certeza acontecerá de sentirmos vertigens, pois todos os pontos em que nossos olhos costumavam descansar nos são tirados, não há mais nada próximo, e toda distância é uma distância infinita. Quem fosse retirado de seu quarto, quase sem preparação ou transição, e posto nas alturas de uma grande montanha, necessariamente sentiria algo semelhante: uma insegurança sem igual, um abandono ao inominável quase o aniquilariam. Ele pensaria estar caindo ou sendo arrastado pelos ares ou destroçado em mil pedaços. Seu cérebro precisaria inventar uma mentira enorme para captar e esclarecer a situação de seus sentidos. É assim que se modificam, para quem se torna solitário, todas as distâncias, todas as medidas; dessas modificações, há muitas que ocorrem repentinamente. Como para aquele homem no pico da montanha, surgem então imaginações inabituais e sensações estranhas, que parecem ultrapassar a medida do que se pode suportar. No entanto é necessário que vivamos também isso. Precisamos aceitar a nossa existência em todo o seu alcance; tudo, mesmo o inaudito, tem de ser possível nela. No fundo é esta a única coragem que se exige de nós: sermos corajosos diante do que é mais estranho, mais maravilhoso e mais inexplicável entre tudo com que nos deparamos. O fato de os homens terem sido covardes nesse sentido causou danos infinitos à vida; as experiências que são chamadas de “fenômenos”, todo o suposto “mundo dos espíritos”, a morte, todas essas coisas tão familiares para nós foram tão excluídas da vida, por meio de uma atitude cotidiana defensiva, que os sentidos com os quais poderíamos apreendê-las se atrofiaram. Sem falar em Deus. Mas o medo do inexplicável não empobreceu apenas a existência individual, também as relações entre as pessoas foram limitadas por ele, como que transferidas do leito de um rio de infinitas possibilidades para um local ermo da margem, onde nada acontece. Pois não é apenas a indolência que faz as relações humanas se repetirem de modo tão monótono e sem renovação de caso a caso, é a timidez diante de qualquer experiência nova, imprevista, para a qual não nos consideramos amadurecidos. Mas apenas quem está pronto para tudo, quem não exclui nada, nem mesmo o mais enigmático, viverá a relação com uma outra pessoa como algo vivo e irá até o fundo de sua própria existência. Pois, se pensamos a existência do indivíduo como um cômodo de dimensões maiores ou menores, revela-se que a maioria de nós só chega a conhecer um canto de seu quarto, um local perto da janela, uma faixa na qual se anda para lá e para cá. Contudo, é muito mais humana do que essa segurança aquela incerteza, cheia de perigos, que leva os prisioneiros dos contos de Poe a tatearem as formas de seus cárceres aterrorizantes e a não serem alheios aos horrores indizíveis de sua permanência ali. E no entanto nós não somos prisioneiros. Não há armadilhas e emboscadas armadas em torno de nós, nada que nos devesse angustiar ou perturbar. Estamos lançados na vida como no elemento ao qual correspondemos melhor, além disso nos tornamos, por meio de uma adaptação de milhares de anos, tão semelhantes a essa vida que, por um mimetismo afortunado, se nos mantivermos quietos, quase não nos diferenciaremos daquilo que nos cerca. Não temos motivo algum para desconfiar de nosso mundo, pois ele não está contra nós. Caso possua terrores, são nossos terrores; caso surjam abismos, esses abismos pertencem a nós; caso existam perigos, então precisamos aprender a amá-los. Se orientarmos a nossa vida segundo aquele princípio que nos aconselha a nos aferrarmos sempre ao que é difícil, o que agora nos parece ser muito estranho se tornará o que há de mais familiar e confiável. Como poderíamos esquecer aqueles antigos mitos que se encontram nos primórdios de todos os povos, os mitos sobre os dragões que, no último momento, transformam-se em princesas; talvez todos os dragões de nossa vida sejam princesas, que só esperam nos ver um dia belos e corajosos. Talvez todo terror não passe, em última instância, do desamparo que requer nossa ajuda.
        Assim, não é preciso se assustar, meu caro Kappus, quando uma tristeza se ergue à sua frente, tão grande como o senhor nunca viu; quando uma inquietação passa por sobre as suas mãos e perpassa todas as suas ações, como a luz e as sombras das nuvens. É preciso pensar que acontece algo com o senhor, que a vida não o esqueceu, que ela segura sua mão e não o deixará cair. Por que o senhor pretende excluir de sua vida qualquer inquietude, qualquer dor, qualquer melancolia, sem saber o que essas circunstâncias realizam? Por que perseguir a si mesmo com estas perguntas: de onde pode vir tudo isso e para onde vai? No entanto, o senhor sabe que está em meio a transições e não desejaria nada mais do que se transformar. Se algum dos seus procedimentos for doentio, considere que a doença é um meio com o qual o organismo se liberta de corpos estranhos; por isso é apenas preciso ajudá-lo a estar doente, a assumir e ter sua doença por completo, pois é esse o seu curso natural. Agora acontece tanta coisa em seu íntimo, meu caro Kappus. É preciso ter paciência como um doente e ter confiança como um convalescente, pois talvez o senhor seja ambas as coisas. Mais ainda: o senhor também é o médico que tem de tratar de si mesmo. Mas em toda doença há muitos dias em que o médico não pode fazer nada além de esperar. E é isso, mais do que qualquer outra coisa, que o senhor, por ser seu próprio médico, precisa fazer agora.
      Não se observe demais. Não tire conclusões demasiado apressadas daquilo que lhe acontece; deixe simplesmente as coisas acontecerem. Senão facilmente chegará a considerar com censuras (morais) o seu passado, que naturalmente tem participação em tudo aquilo com que o senhor se depara agora. Mas, dos erros, desejos e nostalgias de seu tempo de menino, o que atua agora em sua pessoa não é o que o senhor tem na memória e reprova. As relações extraordinárias de uma infância solitária e desamparada são tão difíceis, tão complicadas, submetidas a tantas influências, e ao mesmo tempo tão desligadas de todas as circunstâncias reais da vida, que quando surge um vício não se deve dar a ele sem mais o nome de vício. Em geral, é preciso ter muito cuidado com os nomes; muitas vezes é o nome de um crime que destrói uma vida, e não a própria ação, pessoal e inominada, que talvez fosse uma necessidade muito determinada dessa vida e pudesse ser acolhida sem esforço por ela. O dispêndio de energia só lhe parece tão grande porque o senhor superestima a vitória; não é ela a “grandiosa” realização que o senhor pretende ter conseguido, embora tenha razão com relação a seu modo de sentir; o grandioso é o fato de haver algo ali que o senhor pôde colocar no lugar daquele engano, algo de verdadeiro e real. Sem isso, mesmo a sua vitória teria sido apenas uma reação moral, sem um significado amplo, mas dessa maneira ela se tornou uma parcela da sua vida. Da sua vida, caro senhor Kappus, na qual penso fazendo tantos votos. Lembra-se de como essa vida aspirava desde a infância pelos “grandes”? Vejo como ela agora parte dos grandes para aspirar pelos maiores. É por isso que ela nunca deixa de ser difícil, mas também é por isso que nunca deixará de crescer.
      Se ainda posso acrescentar algo, é o seguinte: não acredite que quem procura consolá-lo vive sem esforço, em meio às palavras simples e tranquilas que às vezes lhe fazem bem. A vida dele tem muita labuta e muita tristeza e permanece muito atrás dessas coisas. Se fosse de outra maneira, nunca teria encontrado aquelas palavras.
       Seu,
 Rainer Maria Rilke


[Extraído de "Cartas a um jovem poeta", de Rainer Maria Rilke. Editora L&PM Pocket, 2009. Tradução de Pedro Süssekind] 

[Comprem este livro ou afanem de alguém que tem há anos e nunca leu!!! ]
[bom fim de semana a todos]

=)


sábado, 5 de novembro de 2011

Um post-radiofônico

[Este post é um post linear]
[Se vc não tiver tempo para lê-lo agora então leia depois]
[Ou então você pode fazer o seguinte: você escolhe um trecho ao acaso e começa dele]
[Como se vocẽ tivesse ligado o rádio enquanto o programa já estivesse no ar] 
[Não há vírgulas muitas vírgulas por uma questão de velocidade e dinâmica;] 



[como um locutor que não dá tempo às pausas e já emenda uma frasidéia uma na outra...]
[...como um bando de elefantes seguindo em fila...]
[... um ligado ao outro]









Bomdia bomdia!!!

Você rapazesforçado queacordou cedo e já está no trem prair trabalhar ....vocêmenina bonita que sai de Ipanema prair trabalhar em Realengo... você meu senhormíííínhasssssenhora vocêdôôna de casa!!! Está no ar mais um programa ....


[este programa é um programa sem nome]
[nome incógnita]

É... uma manhã linda na cidade X... pessoas passeando com seuscachorros, opãozinho quente saindodo forno na padaria dedona Manuca mas o rádio-post-blog ouvinte/leitor está ávido por notícias!!!


[pausa de semicolcheia]
Como...?

[pausa de colcheia]

[O locutor parece falar com alguém]


O Eusébio diz aqui que gostaria de enviar um desenho pro filho deleláem Verdejante interior de Pernambuco sob os dizeres: "- estuda moleque!!!"

[Eusébio é o assistente do programa]
[Ele nunca pronuncia uma palavra ao vivo]
[E os ouvintes - mais particularmente "as" aouvintes -  vivem se perguntando como ele deve ser]
[Ele até tem um fã-clube, sediado em Macau - China]




Ahh nada com'um bom desenho pelamanhã...não? Poisagora vamos paras notícias: um homem invadiu 23 casas esta manhã no bairro de Jandirópolis ...roubou todosos gatose saiu distribuindo osanimais pelo topo de árvores de grandesavenidas da cidade. O trânsito, côôônsequentemente,

[este é um "consequentemente" todo rebuscado,]
[que este locutor considera uma de suas marcas mais evidentes]
[oque o caracteriza e o diferencia]
[mas continuando...]


 está parado nas regiôes mais movimentadas da cidade. Os bombeirosestão removendos pobresanimais dasárvoreseos devolvendo à seus devidos lugares.

Agora mais uma canção: desta vez um pedido do sr F paraa senhorita bailarina




Eugênia Sanches manda uma figura do Miró para o senhor Felpudo Eu-Eu Brava:

"- Será queeu devo fazer uma lipo?"


E mais notícias, esta diretamente do Piauí Heralds:  A presidenta Dilma Rousseff abandonou a ideia de ressuscitar a CPMF para financiar os gastos com a saúde. "Num ataque de bom senso bastante incomum, achei que não pegava bem exigir esse sacrifício da população em meio a tantas denúncias por aqui. Pedi para a Ideli fazer umas contas e achamos melhor taxar em 5% as verbas desviadas. Decidimos, portanto, criar o ICP: Imposto sobre Circulação de Propinas", tergiversou a presidenta. Uma estimativa feita pela ONG Sou Laranja estimou que os recursos oriundos do ICP serão capazes de financiar a construção de 127 hospitais, 9.343 postos de saúde, 343 creches. Com o que sobrar, ainda será possível lançar campanhas de vacinação tão amplas que incluem até mesmo a imunização de animais de estimação, plânctons e personagens de ficção. "Mesmo levando em conta orçamentos superfaturados e o descumprimento da maioria dos prazos, estimamos que o impulso dado ao PIB por este novo impostos é da ordem de pelo menos 15 pontos percentuais ", disse Eliézer Roriz, doutorando em Caixa 2.


Mais informações podem ser encontradas neste link que o bleitorouvinte recebe agora.

Stravinsky Pascoal da cidade de Andirá d'Oeste manda para Hermeto Igor d'Itapopoca city:



" - Você daria bom dia pra este cara?"



Agora, mais uma canção para alegrar o sêêêu ...

....como?

[internvenção]
[O lopcutor parece falar com alguém..]
[Provávelmente o Eusébio]

Sumiu o disco?


[Mais silêncio...]
[...numa pausa de semibreve]

tem alguma outra coisa pra tocar?.. ...que que tem por aí? Eaquelesambãodosoriginaisdosamba?


[ansiedade no ar]
[AMsiedade]
[dissipada em ondas hertzianas =P]


bom.. ficaprapróxima... coloca"qualquercoisa"aí.




E estavai deste bloglocutor para seus amigos/ouvinte/leitores espalhados pelo mundo: Holanda- Brasil-Alemanha-Espanha-PolôniaEstadosUnidos etc ....Vocês são sempre bem vindos =)







Esta vai da Judite Plorange parao senhor Raphaello de Btown:  "não se preocupe com essassuas mudanças... ao menos você ( ainda) não viroumonstro =)"




E agora vamos para os comerciais.


[musica entra pela esquerda... mas logo é puxada pelo colarinho, saindo do palco]
[O locutor entra novamente "em cena" para dizer]


...e à tempo: o próximo blocoainda é algo dinâmico e, consequentemêêênte, nosso programestáaberto aos blogouvinteleitores queainda podemandar suasugestões e pedidos por comentários.





terça-feira, 26 de julho de 2011

The great gig in the sky + Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen (addendum)

Merecida continuação ao post anterior, bem lembrado fui do assunto: citei o livro Wizard of Oz por conta da lenda urbana que há por trás dele e o álbum Dark side of the moon... nunca tinha visto o filme usando o disco como soundtrack, por isso deixo uma palhinha aqui


Wizard of Oz, DSotM, video 3 from kevin gilmore on Vimeo.


De qualquer forma, não acredito na história de que o álbum foi feito como um acompanhamento ou inspirado no filme. Acho isso balela, e acredito que, certamente, se vc colocar um álbum onde as músicas são interconectadas (como...por exemplo... humm deixe-me pensar num exemplo. Não sei de nenhum agora... acho que o Ok computer, do Radiohead, junto com Corra lola, corra





Ahh!!! A música!!! =P



GUIDELINES!!!!!

Agora a gente tem que criar um ponto de inicio... vc deve começar o disco no momento em que a câmera fica totalmente escura na boca do monstro do relógio (parece não fazer sentido...veja o filme e entenda =)

Buscando coincidências:

  • Deixe o filme no mudo!!! O bom é que dá tempo de fazer tudo e vc não precisa gritar pra alguém no quarto: " - o leão rugiu uma, duas...três!!! vezes!!! Corre pra sala pra ver com a gente, já tá pardendo o filme!!! "
  • Repare que quando ele fala na letra "in an interstelar burst" aparece o policial. Não fique muito surpreso com essa dentre tantas outras coincidências, mas o  policial tem uma estrela no chapéu;
  • Quando ele fala " I am born again" aparece uma mãe com um filho;
  • Note que a música tem um momento de calmaria no momento que o policial chuta a bola pro alto e então, quando a bola "penetra" exatamente no centro da letra "ó", a música fica agitada de novo  (será coincidência?);
  • A música tem uma parte de calmaria quando o cara está desesperado na cabine do telefone e o filme apresenta uns trechos em preto e branco;
  • A música fica tensa de novo quando Lola fala que está com medo e e o rapaz diz que vai ser morto se não pagar a dívida que tem;
  • A música da primeira faixa acaba justamente quando o carro pára na frente de uma casa.
  • Obviamente, vc deve correr pra colocar a segunda faixa... eu é que não tive tempo de fazer isso.
  • Há muitas outras coincidências... mas eu não quero falar aqui,  se não vou parecer chato rsrsrs

Façam o teste e espalhem!!! Será que vira lenda tbm? (mas acho que o filme foi feito depois...bom, que seja. Pode-se falar ainda que o filme foi baseado no álbum rsrs)


Só pra vcs verem que a gente vê as coincidências que quer, onde quer, como quiser e com o sabor que mais  - ou menos - gostar.

Vemos oque quisermos, acreditamos no que queremos acreditar; que sua(eu) namorada(o) te trai só porque vc nao conseguiu falar com ela(e) no celular ontem (e ela(e) disse que estava fora de área), que a Capitu traiu traiu mesmo ( puta), que A, que B, que Ó, que....


Por exemplo, tem gente que acredita que deus existe (ou se manifesta aos homens)  porque vê uma mancha numa janela

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55045.shtml

Oque leva muita gente a peregrinar e se reunir


http://www.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55074.shl

 Ter ao que se apegar: uma pedra, um uso de pelúcia, um toco, uma bóia, um patinho de borracha, um guarda chuva que o avô deixou...... Bem, vá fundo e acredite. Eu acredito no axioma da escolha; é como uma fé, que %99,9999999 dos matemáticos (já me designo como um, qdo convém =) nutrem. Acreditar é ter motivo pra seguir adiante... mas isso é tema pra outro post.


Divirtam-se

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cogumelos na cidade: finalmente,a origem do nome do blog - última parte

     
Bom, pessoal... hoje acaba a história do Marcovaldo (continuando este post) ; este é só o primeiro conto do livro...recomendo o livro inteiro, que é muito bom. O conto é todo cheio de imagens, de personagens que são bem presentes no nosso dia-a-dia: o cara com espírito fflch, o varredor, o próprio Marcovaldo... espero que vocês tenham curtido.
     Era sábado; e Marcovaldo passou a parte do dia dando voltas com ar distraído perto do canteiro, controlando de longe o varredor e os cogumelos, e calculando quanto tempos seria necessário para que crescessem.
     Choveu à noite: como os camponeses que, depois de meses de seca,acordam e pulam de alegria ao rumor das primeiras gotas, Marcovaldo, o único em toda a cidade , sentou-se na cama, chamou a família.
     - Chove, chove! - e respirou o cheiro de poeira molhada e mofo fresco que vinha da rua.         
     Ao amanhecer -era domingo - , com as crianças e um cesto emprestado, saiu correndo para o canteiro. Os cogumelos estavam lá, empinados em seus talos, com os chapéus altos sobre a terra ainda encharcada. " Viva!", e começaram a colhê-los.
      - Papai! Veja aquele senhor ali, quantos ele apanhou!  - disse Michelino, e o pai, erguendo a cabeça, viu, em pé ao lado deles, Amadigi também com um cesto cheio de cogumelos debaixo do braço.
     - Ah, vocês também estão colhendo? - falou o varredor. -Quer dizer que são bons pra comer? Catei um pouco, mas não sabia se dava pra confiar.... Na avenida, ali na frente, nasceram maiores ainda...Bem, agora que já sei,aviso aos meus parentes que estão lá discutindo se convém colhê-los ou deixá-los... - E se afastou com largas passadas.
     Marcovaldo perdeu a fala:cogumelos ainda maiorores, em que ele não reparara, uma colheita inesperada, que lhe era arrancada assim sem mais nem menos, debaixo do seu nariz. Permaneceu um momento quase petrificado pela raiva, pela fúria, depois - como às vezes acontece - o refreamento daquelas paixões individuais se transformou num impulso generoso. Àquela hora, muita gente estava esperando o bonde, com o guarda chuva pendurado no braço, pois o tempo continuava úmido e incerto.
     - Ei,vocês aí! Querem preparar uma fritada de cogumelos hoje ànoite? - gritou Marcovaldo ao grupo que se amontoava na parada. - Cresceram cogumelos aqui na rua! Venham comigo! Tem pra todo mundo! - E saiu na cola de Amadigi, seguido por uma comitiva.
ainda encontraram cogumelos para todos e, na falta de cestos,usaram os guarda-chuvas abertos. Alguém comentou: " Seria bom almoçarmos todos juntos!" Mas cada um pegou a sua parte e foi pra casa.
     Porém não demoraram a se reencontrar, ou melhor, foi na mesma noite, no mesmo setor do hospital, depois da lavagem estomacal que os salvou do envenenamento: nada de grave, porque a quantidade de cogumelos que cada um ingeriu foi bem pouca.
     Marcovaldo e Amadigi estavam em camas vizinhas e se olharam enviesado.

domingo, 22 de maio de 2011

Cogumelos na cidade: finalmente,a origem do nome do blog - parte II

Continuando...ainda vai ter a terceira e última parte
     No trabalho, ficou mais distraído que de costume;pensava que enquanto estava ali descarregando pacotes e caixas, no escuro da terra os o]cogumelos silenciosos , lentos, de cuja existência só ele sabia, amadureciam a polpa porosa, assimilavam seivas subterrâneas, rompiam a crosta dos torrões. "Bastaria uma noite de chuva", disse consigo mesmo, " e estariam no ponto de serem colhidos".E não via a hora de comunicar a descoberta à mulher e aos seis filhos.
           - Ouçam oque eu tenho para contar! - anunciou durante o magro jantar. - Dentro de uma semana vamos comer cogumelos" Uma bela fritada! Garanto a vocês!
     E aos filhos menores, que não sabiam o que eram cogumelos, explicou animado a beleza das muitas espécies, a delicadeza do sabor e como se devia cozinhá-los; e envolveu a discussão também a mulher, Domitilla, que se mostrava incrédula e distraída.
     
     - E onde estão esses cogumelos? - perguntaram as crianças - Diga-nos onde estão crescendo!
     Diante de tal pergunta, o entusiasmo de Marcovaldo foi refreado por uma suspeita:" Se lhes disser onde estão,vão procurá-los com um dos costumeiros bandos de moleques, corre a notícia pelo bairro, e s cogumelos terminam na panela dos outros!" Assim, aquela descoberta que lhe enchera o coração de amor universal, agora lhe acendia a obsessão da posse, cercava-o de temor ciumento e desconfiado.
     
     - Eu é que sei o lugar dos cogumelos e só eu - disse aos filhos - , e ai de vocês se abrirem o bico.
     
     Na manhã seguinte, Marcovaldo, aproximando-se da parada do bonde estava bastante apreensivo. Inclinou-se sobre o canteiro e viu com alívio os cogumelos um pouco mais crescidinhos, ainda quase totalmente ocultos pela terra. Estava assim inclinado , quanto percebeu que havia alguém atrás dele. Levantou de um salto e tentou simular uma expressão indiferente. Um varredor de ruas o observava, apoiado na vassoura.
     Esse varredor,em cuja jurisdição se achavam os cogumelos,era um jovem magricela que usava óculos grandes. Chamava-se Amadigi, e Marcovaldo tinha antipatia por ele havia muito tempo, quem sabe por causa daqueles óculos que perscrutavam o asfalto das ruas em busca de qualquer vestígio natural a ser eliminado a golpes de vassoura.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cogumelos na cidade: finalmente, a origem do nome do blog ( parte I )

Eu sabia que todos vocês estavam afoitos. Um veio me perguntar em off de onde o nome tinha vindo, outro veio me mandar email ou me perguntar em momentos inoportunos... mas eu não cedi. O nome do blog foi especulado, chutado, cuspido, surrado e lavado no bolso de uma calça amassada que estava no meio da roupa suja.


Mas ninguém descobriu de fato de onde o nome viera.


Hoje acaba o mistério \o/\o/


O nome veio de um livro lindo que eu li do Italo Calvino (recomendo todos os livros dele!!!), que se chama "marcovaldo, ou as estações na cidade". A descrição da personagem é muito boa, e bate com o que ele é:


"Em plena selva de asfalto e cimento da cidade industrial, o operário Marcovaldo busca a Natureza. Mas existe, ainda, a boa e velha Natureza? Ou tudo não passa de imitação, artifício e engano?Personagem cômica e melancólica, o sonhador Marcovaldo não tem olhos adequados para semáforos, cartazes ou vitrines, signos da vida urbana e da sociedade de consumo. Mas está atento aos cogumelos que brotam no ponto do bonde, ao mofo nas bancas de jornais, às aves migratórias ou às possibilidades de caçar e pescar dentro da cidade, enfrentando as mudanças de estação e descobrindo as misérias da existência."

Quando eu li o primeiro conto eu ri mto, e pensei em começar um blog. Claro!!! nunca acreditei que iria escrever como ele... eu sou realista! Mas .. enfim, q se dane. Eu vou transcrever em partes este primeiro conto:

Cogumelos na cidade


       O vento, vindo de longe para a cidade, oferece a ela dons insólitos, dos quais se dão conta somente pocas almas sensíveis, como quem sofre de febre defeno e espirra por causa do pólen das flores de outras terras.

Certo dia, num sulco de canteiro de uma avenida, apareceu, sabe-se lá de onde, uma rajada de esporos, e ali germinaram cogumelos. Ninguem se deu conta disso, exceto o carregador Marcovaldo, que todas as manhãs pegava o bonde exataente ali. 

           Esse Marcovaldo tinha um olho poco adequado para a vida da cidade: avisos, semáforos, letreiros luminosos, cartazes, por mais estudados que fossem para atrair a atenção, jamais detinham seu olhar. que parecia perder-senas areias do deserto. Já uma folha amarelando num ramo, uma pena que se deixasse prender numa telha, não lhe escapavam nunca: não havia mosca no dorso de um cavalo, buraco de cupim numa mesa, casca de figos e desfazendo na calçada que Marcovaldo não observasse e comentasse, descobrindo as mudanças da estação, seus desejos mais íntimos e as misérias de sua existência.                

       Assim, certa manhã,esperando o bonde que o levava à empresa SBAV, onde suava a camisa, notou algo de estranho junto à parada, na nesga de terra estéril e cheia de crostas que acompanha a arborização da alameda: em determinados pontos, ao pé das árvores, parecia que inchavam os monturos que lá e cá se abriam e deixavam aflorar corpos subterrâneos arredondados. Inclinou-se para amarrar o sapato e observou melhor : eram cogumelos, cogumelos de verdade, que estavam rompendo a terra bem no coração da cidade! Marcovaldo teve a impressão de que o mundo cinzento e miserável que o circundava  se tornava de repente generoso em riquezas escondidas e que ainda se poda esperar alguma coisa da vida, além das horas pagas pelo salário contratual, de compensação de perdas, do salário-família e da carestia.

Estou cansado de teclar
Termino depois... não fiquem ansiosos! 
Em toda esquina 
há uma perua branca
distribuindo sopa
E um fusca vermelho
distribuindo ansiolíticos e charutos
Vocês aguentam uns dias mais
certo? 


=)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

...e do que não precisa ter ordem

Ganhei a manhã ouvindo essa versão que o André Mehmari e o Hamilton de Holanda fizeram pra "Sete anéis", do Egberto Gismonti




=)

A versão do Egberto é linda tbm (aqui, no programa ensaio, da graaande tv cultura)....





Parece-me que ele fez a música pra uma tal de Amélia.
Essa tal de Amélia está em todas... como pode?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Bike project again

Sábado nublado, mas sem neve. Sinal de bons tempos para a região de B-town =)


Felizmente, pela primeira vez em váááários finais de semana, não vou ter que ir consertar minha bicicleta. É claro, vc pode dizer que fui por burrice, por ter furado o pneu duas vezes no mesmo lugar (no meio da ladeira que chega à minha casa).... enfim, sábado tranquilo, regado a um bom café.

Na verdade eu só queria escrever hoje pra falar de como eu me sinto enquanto estou lá, desmontando pra tentar montar de novo a minah bicicleta, oque é uma história sem precedente na minha vida. Minha mãe sempre falava que, no que eu colocava a mão, eu destruía: bonecos do aqua-man, o aparelho de vinil, o rádio, minha gaita.... Não sei como a tv de casa sobreviveu àquela queda


[eu estava tentando abrir a tv por acreditar que, dentro dela haviam vááários bonecos, 
que eram os bonecos que apareciam nos desenhos.
 Minha mãe me pegou no pulo do gato com uma chave de fenda na mão.... 
no desespero, a tv caiu no meu pé. 
Pelo menos o pé machucado impediu minha mãe de me dar uma bronca maior hahaha ]

De qqr forma, no bike project as coisas não são lá tão diferentes. Soma-se a isso  aquela trilha sonora, que sempre me faz lembrar daquele filme, "deliverance", do qual eu só assisti metade ( mto forte o filme). Esta cena do começo é muito bonita.




E pra vcs verem em que isso me faz lembrar as minhas manhãs de sábado com as mãos sujas de graxa, eu gravei um vídeo (ééé...acredite)... no qual essas mesmas sujas mãos são personagem principal

sábado, 22 de janeiro de 2011

Matemática pop - isso acontece de quando em vez =)

Bom, dessa vezfoi na Espanha... virando assunto de um daqueles programas vespertinos de fofoca

Acho que todos vão entender...




...basta usar todo o portunhol que existe dentro de usted

=P

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Livro de receitas

Pegue um nabo. Coloque duas ou tres palavras dentro dele; por exemplo: bastão, ouro, amplidão. chacoalhe. Você não vai ouvir ruído algum. É normal. Aí ajoelhe-se com o nabo na mão e diga:

Como  bastão que me foi dado
com o ouro que me foi tirado
e sem nehuma amplidão
de conceitos e dados
quero renascer brasileiro e poeta


Quem te ouvir vai ficar besta


Hilda Hilst - contos d'escárnio- textos grotescos

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

The bicycle project - continuação

Mas  eu não contei muito bem como terminou o lance daquela primeira bicicleta que eu estava montando. Ééééé,  pessoal.... mais de uma bicicleta.

E porquê???? Como assim mais de uma?



Bom... a primeira de todas  (do outro post )eu deixei lá no depósito do projeto, pq estava por terminar. Cheguei lá no sábado seguinte pra terminar o trabalho (só faltava colocar os pedais nela) eeeee..... cadê!!!!!????


Fiquei meio frustrado... nem digo que fiquei mto frustrado, pq tô meio ciente já de que tudo que lida com o bom senso humano tem chance de dar errado (uns 50% de chance.. cara ou coroa mesmo).  Na hora eu virei pra mim mesmo e toquei um foda-se: ia construir outra, começar naquela hora mesmo.

[Sol]
[Sol Sol]... 
[Parafusos]
[Frame novo]
[Troca roda]
[Põe roda]
[Põe freio]

.... fiquei o sábado e domingo passado trabalhando 3 horas cada dia neste projeto. Hoje era pra terminar: faltavam os cabos de freio e os da marcha. Certamente não ia deixar a menina lá sozinha e indefeza, ao alcance de qqr um: trouxe a garota pra casa, sem freio mesmo. Hoje cedo eu acordei e fui andando com ela, descendo as ladeiras freiando como nos flintstones, i.e., no pé-chão rsrs



Até que um dos voluntários fala bem alto que eles vão fechar em 20 minutos. Eu só tinha o freio da frente, mal colocado, e o de trás, muito ruim e dando uns problemas. Melhor do que nada.

Quanto aos cabos de marcha... pqp... não queria nem pensar: ia dar um trabalho absurdo, parecia que ninguém conhecia aquele sistema qu ea bicicleta tinha.

Resolvi desencanar do meu ''piece of crap'' e ajudar o pessoal a colocar as coisas dentro da garagem. Mas aí eu vi uma bicicleta que só faltava a roda da frente. Gritei pro indonésio que mora no prédio da frente do meu, empolgadaço, falando que ele poderia sair dali pedalando. Não sei se ele me entendeu muito bem (os dois lados carecem de um inglês bem falado..rsrs) mas ele fez uma cara meio de '' no no...I can't take it now...'' Então eu corri pra dentro da gareagem, peguei a primeira roda que eu encontrei, coloquei na bicicleta.


''-Tá...só testar!''

[Pneu da frente murcho]
[Óbvio]

[Enche]
[ENche]
[ENChe]
[ENCHe]
[ENCHE]

''-Tá...só testar.''

[Pneu de trás murcho]
[Não tão óbvio]

[Enche]
[ENche]
[ENChe]
[ENCHE]
´

Eu me parecia a bruxa do pica-pau, testando as vassouras




Pedalei um pouco ... mais um pouco.

[Dei uma volta]
[Outra volta]
[Olhei pro indiano...digo, indonésio!!]
[Dei uma volta]

Falei pro cara da garagem que ia ficar com aquela e deixar a minha.

''-Sure'' Um sure seguido de um joinha.

[Joinhas são coisas universais]

Falei pro indonésio que ele poderia terminar o meu projeto. Só faltam algumas coisas.. (mais ou menos..);  melhor do que começar do zero, como eu estava fazendo.

Voltei pra casa pedalando.

=)

sábado, 14 de agosto de 2010

The bicycle project

Mais um post chato (dois no mesmo dia...tsc tsc ...ninguém merece ). E pior: como se fossem páginas de um  diário!!!  É verdade, é verdade... não gosto de ficar fazendo isso, falando da minha vida ultra mega animada aqui. Eu estou postando essas coisas aqui para que eu mesmo, daqui a algum tempo, as leia e veja pelo que passei e como a situação melhorou (espero rsrs)

Ontem, no supermercado, eu conheci uma família colombiana. No meio da conversa, falei que tava meio perdido e tal e tals..e que vim pra fazer o doutorado em matematica. A senhora me falou na hora " minha filha faz doutorado em matemática tbm!!!"

Aí fiquei mto feliz mesmo... sério, me senti acolhido na hora!! Eu, ali, no meio daquele monte de gente falando mandarin... conversamos sobre uns detalhe sque tenho que resolver ainda: cartão da universidade, celular etc etc.. e sobre bicicletas. quero muito comprar uma. Ela me indicou entao um lugar chamado " the bicycle project", onde eu poderia comprar uma bicicleta usada.


Saí no outro dia cedo pra ir la... passei por uma pracinha linda, onde perguntei pra uma mulher onde era o tal lugar... ela me explicou falando extremamente rápido, crente que eu era um americano.. nao entendi mta coisa. Aí  um cara meio hippie, daqueles que andam pela galeria do rock, todo rasgado e tatuado, me chamou, perguntando onde eu gostaria de ir... ele estava lá, sentado no chão, com um laptop apoiado no banco da praça. Ele me perguntou onde eu gostaria de ir, pq ele poderia ver na internet num mapa (tem uma rede aberta pra quem quer usar na rua, acho) e me ajudar a chegar lá

Me falou depois que o lugar que eu queria ir era bem legal, que eu poderia conseguir uma bicicleta sem pagar nada...  q se trata de uma especie de projeto voluntário..algo do tipo.. não tinha idéia até então. Mas de fato, era tudo o que eu precisava: economizar dinheiro (ainda mais depois dos $170 que eu tive que pagar de hotel na primeira noite, pq cheguei tarde demais aqui, nao conseguindo pegar as chaves do ape). Fui la e vi.
  O projeto que funciona mais ou menos assim: se vc tem uma bicicleta velha, uma roda, um aro, qqr coisa que já esteve numa bicicleta, vc pode deixar la como doação;  as pessoas podem passar lá, ver o que lhes é útil, e pegar pra utilizar, desde que façam o conserto ali.  Se vc quiser um frame (aquela parte onde vai roda e guidão) ou vc deve comprar ou vc pode pegar de graca, contantop que trabalhe como voluntario pra eles por 3 horas. E vc aidn apode agendar o seu horario de trabalho.

Não deu outra: escolhi um frame e, mudando todos os meus planos de ir ao mercado e isso e aquilo, já fiquei por lá, construindo minha bicicleta. Um bloomingtoniano ficou me ajudando a construi-la. Tive que colocar o pneu no frame, montar aquela paradinha onde passa a correia das marchas... ajustar freio, escolher um aro e montar um pneu (isso mesmo: desde a camara de ar )... e fiquei lá até umas 3 da tarde. Mas não terminei  ainda: sábado que vem eu volto lá (não funciona todos os dias, pq é um projeto voluntário; não há empregados)




Falei pros caras que queria exportar a ideia,mas eles so riram e falram que a idéia é antiga. No final todo mundo ficou me perguntando pq o Brasil nao ganhou a copa... logo pra mim ....

..deixei eles discutindo sobre káká e outros e segui pro supermercado: preciso comprar uma panela. Acho que hoje rola meu primeiro jantar em casa por aqui

=)

sábado, 15 de maio de 2010

Propagando a arte - post # 2

Achei!!!!

puts..eu via isso qdo era criança...é uma puta duma propaganda. O elefante é demais =)


A música tbm, mto boa

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Propaganda é arte?

Vc acha que os publicitários tem alguma serventia nas nossas vidas? Na nossa sociedade?

Naaaaaahhhh.. acho que não.  Eles meio que forçam os filhos que a gente não tem a comprar brinquedos caros e bobos, arruinaram vários natais ao redor do mundo de famílias que não tinham como consumir várias coisas que eles propagandeavam por aí, à torto e à direito.  Mas eles ainda conseguem fazer coisas interessantes. Vou inaugurar uma sessão no blog, a seção propaganda, que vai conter ...eu não preciso dizer o que vai conter, vcs sabem desde já... Se alguém encontrar aquela propaganda legal, com desenho ou alguma coisa extremamente doida, que via na infância, ou que rola por aí pfv, mande pra mim!





Audi_Unboxed from Philip Tavares on Vimeo.


ps: to procurando aquela propaganda da coca-cola,  na qual um elefante ia nadando pelo mar, roubava uma garrafa de coca de uma mulher que tomava sol num colchão inflável, e deixava uns amendoins em troca... mto boa aquela