"Since I had nowhere permanent to stay, I had no interest whatever in keeping treasures, and since I was empty-handed, I had no fear of being robbed on the way" [Matsuo Bashô , The records of a travel-worn Satchel]
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
Queen of Hearts
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023
Dois pra frente, dois pra trás...
segunda-feira, 16 de janeiro de 2023
Chocolatinho
segunda-feira, 5 de dezembro de 2022
Adultescência, tardia mas precoce
O pleito, as pestes e a copa do mundo
segunda-feira, 21 de novembro de 2022
A peste e o pleito
Fiquei doente há umas semanas. Aconteceu do covid finalmente chegar a mim. O café com um gosto horrível aquecia minhas manhãs com um amorgor sem igual. Me pergunto se é este o gosto que pessoas que não gostam de café sentem ao tomá-lo... se assim fosse pra mim, eu me compadeço: também eu nunca beberia dessa bebida.
Foi foda e foi triste. Ouvia do apartamento as pessoas comemorando a vitória do Lula (ou seria, comemorarem a derrota de Bolsonaro?), ouvia fogos, "tchau, miliciano!", eu me segurando pra não sair na rua e ir comemorar numa das avenidas da cidade. Foi um dia e tanto, cheio de preocupações e no qual fiquei em casa, ouvindo de longe a esperança de que esse pesadelo acabou sem nem mesmo poder participar. "-Paciência... celebre por dentro". E assim, o fiz.
Isso foi há algumas semanas. Desde então, a covid se foi, o atual governo continua governando (bom... continua no poder e sem fazer nada - como sempre, mas bem menos ruidoso que antes). Eu tento aguardar o primeiro de Janeiro sem ter uma crise de ansiedade: vem logo, vem logo!
Estranhamente, estes 4 anos me fazem pensar que não dá pra esperarmos um governo fazer muito pelas mazelas que afligem este país. Fico me perguntando se posso contribuir com algo, se posso fazer algo pra ajudar. Será que voltei pra isso? Em conversas tenhos ouvido bastante a metáfora de que não sou uma folha em branco, que por mais que tente assimilar a diferente cultura que me cerca, tenho muito a trazer de volta. Eu, pareço ficar incerto entre esses dois universos (o de dentro e o de fora) e fico em conflito: será que existe um meio termo?
Nem sei como cheguei a este tema. Nem falei também que minha mãe pegou covid; provavelmente de mim. Por sorte, não teve nada de grave e levou a doença melhor que eu. Fico imaginando oque teria sido em outro caso, pensando nas tantas estórias nesse país de pessoas que carregam o peso nas costas de terem infectado alguém que amam. Dei sorte, e mais sorte ainda é saber que hoje eu posso aproveitar um pouco mais a companhia de diversas pessoas que até então estavam longe de mim. OK, por uma manhã e tarde me perguntei se tudo isso não seria um grande erro, representado por mais 4 anos desse governo estapafúrdio e desumano... será que aguentaria? Nessas horas me pergunto se o Brasil faz sentido e chego à resposta de que não, não faz. Assim como nenhum outro lugar faz. Mas aqui tem uma grande densidade de gente que eu gosto, então...
...enfim: a covid passou, tanto a minha quanto a da minha mãe. Estamos bem. Agora é só esperar por Janeiro, que vai ficar ainda melhor.
terça-feira, 8 de novembro de 2022
Primeiros passos
sábado, 5 de novembro de 2022
Próximos passos
terça-feira, 1 de novembro de 2022
Semana pós-apocalíptica
domingo, 30 de outubro de 2022
O final de semana mais sombrio
Depois de uma semana difícil, cheio de violências e um primeiro turno no qual eu ainda acreditava que os brasileiros nunca mais seriam coniventes com a barbárie que estes últimos 4 anos viram, lá vamos nós: hoje é dia de eleição.
Estranho demais estar aqui e ver essas pessoas nas ruas com a camiseta da seleção de futebol brasileira (hoje em dia, o símbolo das pessoas que votam na extrema direita). Oque será que essas pessoas vêem que eu não vejo? Oque elas estão dispostas a comprometer para que possam votar em um cara tão indigno e incompetente quanto o Bolsonaro? Fosse esta uma eleição entre todos os outros candidatos, eu acho que estaríamos ok. Mas justo ele?
A extrema direita me estarrece e surpreende pela sua destreza em conseguer extrair oque as pessoas têm de mais primitivo: as respostas impulsivas, a desumanização daqueles que divergem em opinião, a falta de projetos claros, o excesso de pautas morais, a maneira esguia pela qual conseguem fugir de qualquer responsabilidade gerencial que têm. É uma tristeza estar aqui no Brasil e assistir esse teatro enquanto sentado no picadeiro.... por que sim, é uma grande palhaçada.
Hoje é domingo e acabo de descobrir que peguei covid. Mas estou bem, ou oque é que isso signifique. Fui votar pedalando: está um dia lindo lá fora. Quero sair, mas quero me refugiar desse mundo de balbúrdia e incompreensão em que vivemos. Quero descansar.. quero poder virar as costas e dizer que esse problema não é mais meu como, de alguma maneira, fiz por uns bons anos.
Agora não.
Agora estou perto. Vejo as entranhas do país mais de perto e como este sofre e se debate em tremores, frágil. Me pergunto oque posso fazer. Será que algo? Só esperar?
Tenho dito a amigos que apesar de ter ojeriza à extrema direita, ela nos ensina muitas coisas. Por exemplo: o nível de engajamento e participação deles é muito grande. Claro que isso não vem de graça: há o apoio incondicional, os questionamentos jogados pra debaixo do tapete, a corrupção da qual ninguém fala (ou, em muitos casos, pode falar). Bom...talvez retire oque escrevi acima... por que não dá pra dissociar uma coisa (boa) da grande maioria daquilo que a extrema direita representa (algo ruim).
Fico me perguntando oque o amanhã há de nos trazer.. será, mais 4 anos? Me pergunto se ver isso lá de fora seria mais fácil.... ou se me deixaria igualmente angustiado. Páro e me lembro do dia em que soube que Trump ganhou enquanto nos eua: "Trump triumphs", dizia o new york times... fiquei com uma ressaca gigantesca.
O Brasil, em 2018, não chego a mim. Claro, fiquei triste, mas... de certa forma já imaginava que o elegeriam: o Brasil, país da novela, adora algo desconhecido, uma trama (olha a facada!), alguém que se clame fora do sistema para salvar a pátria. É um povo que não se baseia em métrica alguma pra tomar decisões (well... sendo honesto, que povo é?) Mas agora, depois de 4 anos de desarranjos e desgovernos, quem, em sã consciência, ainda votaria num cara assim? Sei lá se é a covid que me derruba e deixa prostrado, mas acho que não, é a política mesmo: difícil engolir.
Nessas horas eu me pergunto, mais do que se vai ser aqui mesmo que eu vou ficar, se há algum lugar no mundo onde se esconder. Não há! Tá tudo muito parecido. E OK, ressalvas sejam feitas: a qualidade de vida em vários lugares onde morei é muuuuuito melhor que em São Paulo. Em sendo assim, que diferença faz passar por isso longe, ou perto?
Não sei...voltar foi difícil, mas me parece fazer muito sentido. Por que não é algo que se vê por uma única perspevctiva, mas sim diversas delas ao mesmo tempo. Somente quando estamos satisfeitos com nós mesmos só sei que está sendo uma delícia estar aqui, ter contato com o melhor que o Brasil pode me dar, me perder diante de tantas possibilidades, não entender as piadas que se referem a coisas que perdi enquanto não estava aqui, ter dificuldade para entender memes, poder abraçar as pessoas, pegar covid, votar pra tentar tirar esses extremistas fdp do poder etc. O Brasil e suas mazelas, às vezes um gosto amargo, noutros momentos um gosto agridoce... isso que nem falei que aqui é a terra do bolo de rolo...
... ai Brasil.... olho pra você, olho pros EUA e sua bagunça, olho pro Japão e sua apatia, a Europa com sua xenofobia... e fico confuso... vai ver o melhor é ficar parado e tentar mudar oque puder por aqui mesmo.