sábado, 17 de setembro de 2011

Sobre a arte de ser/ter um roommate

Continuando sobre o tema "morar junto".  Agora, oficialmente, eu sou uma pessoa que mora sozinha! \o/ \o/

Isso me trouxe à lembrança vááários e vários casos de quando eu morei com mais gente. Afinal, qual é o grande porém em se morar em uma república?

Primeiro, o termo república pode gerar controvérsias. Não quero entrar no mérito da questão aqui, mas existe uma diferença muito grande entre vc ter um lugar no qual a única coisa que te importa é o seu quarto (a única coisa pra qual vc liga) e num lugar onde todos zelam pelo bem estar um do outro. Já morei nos dois tipos de casa... o último, definitivamente, foi o que me senti melhor.

Uma grande diferença tbm em se morar com gente "estranha" é que eles no geral não são parte da sua família. Então, quando o seu roommate deixa louça suja na pia, ou toma banho e seca com a sua toalha de rosto ( poréns de se morar com gente de outros países, que não compartilha dos seus hábitos "culturais"), vc não vai sair gritando , entrando no quarto do indivíduo(a) xingando, dizendo que ele(a) não faz porra nenhuma, é um preguiçoso do caraleo, fdp, eu não sou seu escravo etc etc...


Não. Isso não funciona.

Nessas horas vc acaba aprendendo a conversar um pouco mais de leve com as pessoas. A tentar entender, a tentar ensinar-aprender...Aprender, sim sr, pq a gte sempre acaba fazendo besteira, ou coisas que vão/podem incomodar o seu amigo-colega-roommate que mora no quarto ao lado.


Dividir o espaço... complicado =/





[Nature break - roommates , de Mike Hollingsworth]



Dividir a geladeira... nossa, complicadíssimo. As "geladeiras da minha vida" seguiram um curso histórico que pode ser representado como o seguinte...



ops...me desculpem...essas são as capitanias hereditárias =)(mapa extraído de http://viajarnotempo-historia.blogspot.com/2007/12/diviso-do-brasil-em-capitanias.html. Parece  ser um blog legal.)

O mapa da evolução dos tratados de ocupação de geladeiras (as que "conquistei", ao menos, é o seguinte:




A primeira é...bom, pra dar um tom lúdico à coisa toda, ligue o desenho à descrição:








  • Tratado família;
  • Tratado vamos  evitar inconvenientes (como quando alguém vai e ocupa toda a geladeira e não sobra espaço pra vc guardar o seu... leite, por exemplo);
  • Tratado "não houve acordo" - Quando tudo fica uma zona...(dica: esta geladeira parece o mapa da África, ou o dos Estados Unidos);
  • Tratado "você aqui, eu lá", quando se mora em duas pessoas, ou em dois grupos distintos de pessoas (duas famílias, por exemplo).


Caminho pra uma "outra vida", talvez. Não sei o quanto aprendi neste meio tempo, de vidas-geladeiras divididas. Muito? Definitivamente, muita muita coisa. Dividir é uma arte, que eu só fui aprender em estágios bem distantes da minha vida... e ainda estou aprendendo outras maneiras e coisas a se dividir: tempo, paciência, tempo, salário.... tempo...etc

Vou pedir pra alguns que moraram comigo darem uma olhada neste post: eles devem ter muito a acrescentar, já que  acho que esqueci muita coisa.

É isso. Agora vou limpar a casa pra remover os "vestígios" do meu antigo roommate (são muitos, acredite)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Dias de páprika





Quando se está em crise tudo tenta nos levar mais pra baixo: a primeira figura apareceu naturalmente durante meu almoço de ontem. Tentei modificá-la pra inserir um sorriso e uma gravata borboleta...

Apesar do sorriso, o lado negro/broto de brócolis ainda estava à espreita.

Saio dessa inteiro...

... espero

sábado, 10 de setembro de 2011

Sonhejamento familiar

O sonhejamento familiar  é algo inerente à natureza humana: a gte nasce, brinca de lego construindo casas, vai pra escola e aprende um monte de coisas (há controvérsias) vai pra faculdade e aprende mais um monte de coisas... (bom, melhor ficar quieto... ) e depois pensa:

"bom...estou adulto já. Hora de ter minha própria casa..."

Aí chega aquele período de dúvidas...vc pensa: "será que fico mais um tempo com meus pais e economizo uma grana que eu posso gastar em viagens pra europa todo ano, comprar besteiras na amazon etc, ou eu saio, num vôo solo, mundo a fora...?"

O caso acima, vcs devem ter desconfiado, foi o meu (exceto pelas viagens à Europa e compras na amazon). O vôo solo, no entanto, não se deu antes de viver em repúblicas: algumas com pessoas às quais hoje sou indiferente, outras com pessoas que hoje tenho como irmãos (irmãs, na verdade =).... Know-how o bastante pra pensar que morar junto segue um princípio galileliano: deve ser a mesma coisa em qqr lugar do mundo. Vim pros eua com essa idéia na cabeça, e achei que fosse ser parecido. Bom, falo disso no próximo post (sobre roommates e outras coisas)

No geral,  eu gosto de planejar as coisas: acordo de manhã e penso nos teoremas que vou estudar (não nos que vou entender..isso é mais complicado), no horário em que vou nadar, no horário que sairei da aula, no que pegarei minha bicicleta pra ir não sei aonde....  Nesta linha, o sonho da "casa própria" seria realizado depois de uns dois anos em terra estrangeira. Claro, veio todo aquele sonho da casa com cerca branca, um cachorro com nome esquisito....como... maçaneta

(hummmm...pq o nariz dele é engraçado, meio torto e grande )



Pois bem,  aconteceu de ser antes do que eu esperava... e eu vou adentrar o mundo das pessoas "solitárias" que moram sozinhas em breve ( em alguns dias): meu roomate vai embora!!! \o/


Detalhes dessa pequena novela mais adiante. Vou lavar roupa agora (puts...to ansioso, com medo de ter manchado minhas roupas .,,, =/  Um dia lavar roupa ainda me mata do coração, vcs vão ver só )

 =|

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Everything is free in America, for a small fee in America - um ano na terra do Tio Sam

Incrível pensar nisso, mas hoje faz um ano que cheguei a esta terra. Eu, Rafael A M Staden, acreditando que seria devorado por selvagens nesse dysneylândinóspito país, acabei resistindo. 

É pessoal... um ano....

Depois das férias no Brasil, em que eu li o livro do Amyr Klink, eu passei a ver essa minha passagem por aqui como uma longa jornada em que eu tenho que remar e remar pra atravessar um oceano de conhecimento, saudade, pessoas, junk food e outras coisas.... para poder aportar enfim em alguma terra e encontrar algo que eu não sei oque pode ser.


[ou seja... futuro vago e incerto =]



A saudade, chega uma hora, deixa de vir tão frequentemente; os selvagens locais já não são mais tão hostis a você, que começa a se adaptar melhor e a ver o que te cerca mais amigavelmente. Acho que aquela frase do Old Boy:

ria e o mundo rirá com vc, Chore, e vc chorará sozinho.  


[acho que era isso]

expresa bem essa mudança de perspectiva. Ter isso em mente faz as coisas fluirem mais facilmente....e então você pode seguir remando, remando...


Embora já há um ano por aqui, sempre me lembro da supresa inicial, do choque, e da angústia. Não houve muito deslumbramento, oque me fazia pensar muito em Pero Vaz quando se dirigiu ao rei de Portugal na sua carta em que descrevia essa terra chamada Brasil.

Termino o posto roubando as palavras de despedida de Pero Vaz:


[meus poucos leitores: a vocês deixo o papel de alteza =]

"Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!

Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!
E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo."
[a parte em que ele fala em "salvar a gente" local é demais]
[ hahahaha]


Passando pelo miúdo então, me despeço por hoje




[mentira...não vou passar pelo miúdo não, mas ir ao supermercado, isso sim ]


=)



sábado, 6 de agosto de 2011

Sobre aquilo em que "podemos" acreditar e também sobre aquilo em que queremos acreditar...

Os posts anteriores, sobre a arte de se acreditar no que se quer  me levam a escrever aqui sobre oque separa, no pequeno- grande universo que cada um de nós levamos dentro de nós, nossas crenças daquilo que realmente vemos. Há um outro trecho no livro do Heisenberg- a parte e o todo -no qual eles falam sobre a descoberta do méson-pi. Aí o Heisenberg levanta a questão de se fazia mesmo sentido analisar a trajetória de um átomo por conta do princípio da incerteza; como se oque se visse não fosse a real trajetória do átomo.... pois, pensa-se, pode se ver o átomo ali por que ele deixa um traço numa câmara de vapor (acho que é câmara de vapor... se algum físico ler isos, pfv, corrija-me =), mas pode se pensar no átomo, ou suas partículas componentes, como objetos?

Acreditar é em parte ver, e ver  é um motivo para se acreditar... uma simbiose; posso eu acreditar num átomo se nunca vi um? Posso eu acreditar em deus se nunca o(s) vi? Oque é a indicação direta de uma existência, da presença, de uma verdade, uma realidade, um indício, um princípio? Como no post anterior, onde eu falo sobre aquelas imagens que aparecem em vidros e chegam a reunir algumas mil pessoas, pronunciamento do papa à respeito.


[Para vcs verem como isso vai longe, há outros vídeos sincronizando álbuns de rock com filmes. Vou deixar um link nos comentários aqui a título de curiosidade, sincronizando parte do álbum The wall, do Pink Floyd, com Alice no país das maravilhas]
[Há versões sincronizando o the wall com O Grande ditador, do Chaplin] 




Pensando/refletindo e lendo sobre isso tudo, eu me lembrei de um momento da minha infância- deveria ter uns 7, 8 anos- no qual eu e um amigo ( o mesmo do post da lasanha ) estavamos no último andar do prédio em que nossas famílias moravam, tentando subir para o terraço pra ver oque havia lá. Para colocar mais lenha na fogueira da nossa curiosidade, a chave de entrada pro telhado (sim, há um telhado no terraço) estava ao lado da porta, dentro de uma caixa protegida com um vidro. Aí a nossa imaginação foi longe né:  ter que quebrar aquilo, pegar uma chave (quem precisa de Harry Potter num mundo como estes? =)...  Para dar um clima de terror à coisa toda, havia um barulho muito, mas muuuuito alto mesmo que surgia de tempos em tempos neste corredor à medida que andávamos em direção à caixa com a chave.


[Depois a gente soube que aquele era o barulho da casa de máquinas do elevador, mas a gente acreditava piamente que aquele barulho acontecia porque estavamos pisando nos pontos errados do chão]
[ =P]


 Bom, nem preciso dizer que a gente deve ter perdido por volta de uma hora pulando de um lado pro outro naquele corredor, até que fomos lá, quebramos a caixa com a chave, subimos no terraço do prédio, o síndico descobriu, nossos pais descobriram... e levaram uma multa por conta disso.

Acho engraçado lembrar disso pela "ingenuidade" em acreditar em todo aquele acaso mirabolante do pisar nas pedras erradas ou certas... como no post sobre o dark side of the moon e o mágico de oz: a gente acreditava no que a gente queria acreditar.. talvez não exatamente isso; acho que no que nossa realidade nos permitia acreditar.

Que post confuso, nossa... merda, cheguei num beco sem saída =|

De qualquer forma, há uma animação ilustrando tudo isso que eu falei; talvez seja um dos filminhos mais fodas que eu já vi, no enredo e na qualidade gráfica.



A suspeita - José Miguel Ribeiro, 1999









Incrível ver como o homenzinho articula toda uma história, vendo as coincidências de uma maneira que chega até a convencer a mulher magricela... mas a coisa toda perde todo o sentido quando a verdade vêm à tona, que ele fica até embaraçado por ter ido tão longe em sua imaginação.

Divirtam-se =)

terça-feira, 26 de julho de 2011

The great gig in the sky + Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen (addendum)

Merecida continuação ao post anterior, bem lembrado fui do assunto: citei o livro Wizard of Oz por conta da lenda urbana que há por trás dele e o álbum Dark side of the moon... nunca tinha visto o filme usando o disco como soundtrack, por isso deixo uma palhinha aqui


Wizard of Oz, DSotM, video 3 from kevin gilmore on Vimeo.


De qualquer forma, não acredito na história de que o álbum foi feito como um acompanhamento ou inspirado no filme. Acho isso balela, e acredito que, certamente, se vc colocar um álbum onde as músicas são interconectadas (como...por exemplo... humm deixe-me pensar num exemplo. Não sei de nenhum agora... acho que o Ok computer, do Radiohead, junto com Corra lola, corra





Ahh!!! A música!!! =P



GUIDELINES!!!!!

Agora a gente tem que criar um ponto de inicio... vc deve começar o disco no momento em que a câmera fica totalmente escura na boca do monstro do relógio (parece não fazer sentido...veja o filme e entenda =)

Buscando coincidências:

  • Deixe o filme no mudo!!! O bom é que dá tempo de fazer tudo e vc não precisa gritar pra alguém no quarto: " - o leão rugiu uma, duas...três!!! vezes!!! Corre pra sala pra ver com a gente, já tá pardendo o filme!!! "
  • Repare que quando ele fala na letra "in an interstelar burst" aparece o policial. Não fique muito surpreso com essa dentre tantas outras coincidências, mas o  policial tem uma estrela no chapéu;
  • Quando ele fala " I am born again" aparece uma mãe com um filho;
  • Note que a música tem um momento de calmaria no momento que o policial chuta a bola pro alto e então, quando a bola "penetra" exatamente no centro da letra "ó", a música fica agitada de novo  (será coincidência?);
  • A música tem uma parte de calmaria quando o cara está desesperado na cabine do telefone e o filme apresenta uns trechos em preto e branco;
  • A música fica tensa de novo quando Lola fala que está com medo e e o rapaz diz que vai ser morto se não pagar a dívida que tem;
  • A música da primeira faixa acaba justamente quando o carro pára na frente de uma casa.
  • Obviamente, vc deve correr pra colocar a segunda faixa... eu é que não tive tempo de fazer isso.
  • Há muitas outras coincidências... mas eu não quero falar aqui,  se não vou parecer chato rsrsrs

Façam o teste e espalhem!!! Será que vira lenda tbm? (mas acho que o filme foi feito depois...bom, que seja. Pode-se falar ainda que o filme foi baseado no álbum rsrs)


Só pra vcs verem que a gente vê as coincidências que quer, onde quer, como quiser e com o sabor que mais  - ou menos - gostar.

Vemos oque quisermos, acreditamos no que queremos acreditar; que sua(eu) namorada(o) te trai só porque vc nao conseguiu falar com ela(e) no celular ontem (e ela(e) disse que estava fora de área), que a Capitu traiu traiu mesmo ( puta), que A, que B, que Ó, que....


Por exemplo, tem gente que acredita que deus existe (ou se manifesta aos homens)  porque vê uma mancha numa janela

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55045.shtml

Oque leva muita gente a peregrinar e se reunir


http://www.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u55074.shl

 Ter ao que se apegar: uma pedra, um uso de pelúcia, um toco, uma bóia, um patinho de borracha, um guarda chuva que o avô deixou...... Bem, vá fundo e acredite. Eu acredito no axioma da escolha; é como uma fé, que %99,9999999 dos matemáticos (já me designo como um, qdo convém =) nutrem. Acreditar é ter motivo pra seguir adiante... mas isso é tema pra outro post.


Divirtam-se

sábado, 23 de julho de 2011

The great gig in the sky + Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen

Eu ia deixar pra mais tarde, mas eu acho que é melhor vc leitor dar play agora e seguir lendo, muitíssimo bem acompanhado      

Ontem rolou uns caras tocando Pink Floyd num bar. Engraçado e curioso que uma das músicas que eles tocaram, "the great gig in the sky",  me lembra a ária da rainha da noite, da flauta mágica, de Mozart .



Não em forma ou estrutura!!!! Não é disso que falo!!! Creio que no que diz respeito ao sentimento de angústia, desespero e, de certa forma, alívio que a música passa.Fiquei sabendo depois (viva Wikipedia o/  ) que a música/peça trata de morte. Alguém que morre no desespero, pra quem a morte é uma angústia e um alívio ao mesmo tempo? Seria isso?

 Eu ouço a música e não posso deixar de ter uma imagem na cabeça: uma mulher desesperada (talvez como a do post do violino e violão), mas poderosa, que canta/grita/ sofre de angústia no alto de uma torre em um castelo. Gritar é parte deste desespero, mas tbm um alento, um alívio. A imagem da bruxa (uma das ) do Mágico de Oz tbm me vem à mente: morrendo, no alto da tal torre.

Dá pra imaginar seu chapéu é como uma chaminé enraivecida, cuspindo cinzas, pó, poeira e asfixia . Todos na cidade vêem o céu enegrecendo por conta dessa fúria e temem diante do poder que emana de uma mulher como esta, mas tbm acham belo (que mistura de sentimentos estranha... acho que o mais próximo do que posso imaginar que isso seja são essas músicas).



Aí vejo imagino os dedos da mão bem magros, engruvinhados, dobrados, rígidos como se fossem garras...  garras de corvo, oqual não tem mais nada a que se garrar senão à morte.


Enfim: as músicas são lindas. Espero quevcs curtam (e compartilhem suas impressões, claro!)

sábado, 16 de julho de 2011

Ser diferente parecendo igual + variações Goldberg + sonecotron

Tenho uma tarefa mto grande pra fazer, então resolvi postergá-la pro Domingo.... Decidi então escrever um pouco.

O post de hoje é uma mera continuação do anterior, sob uma diferente perspectiva: no post anterior eu falava sobre como pessoas diferentes tocam a "mesma" música colocando sensações, emoções e elementos diferentes, que a música chega a ser outra.

Aí fiquei pensando em como isso se dá quando a mesma pessoa toca a música, só que mudada (a pessoa, digo). Oque, por sua vez, me fez lembrar de uma frase  -Fernando Pessoa, acho - que diz que uma pessoa não se banha no mesmo rio duas vezes. Quando ouvi isso pela primeira vez - época do colégio - eu fiquei meio "insatisfeito", porque a frase não acrescentava nada. Eu poderia dizer que eu não teclo a tecla p da mesma maneira duas vezes, não digo oi da mesma forma duas, ou mesmo três vezes... enfim.  Uma frase que me deixou assim....  não acrescenta nada, é isso.

Acho que essa imprecisão das palavras para descrever sentimentos e sensações perdurou durante muito, até que eu admitisse que o essencial nessa frase ( a meu ver) não é o rio, mas a pessoa que se banha nele.

[ok..isso pode te parecer óbvio pra vc, leitor. Mas pra mim era a arte de ser totalmente incompleto. Pra que fazer uma arte que não acrescenta? Não que arte que não acrescenta não seja importante, isso quando ela é feita com este intuito.... bom... isso foi uma indignação minha, enquanto adolescente. Só estou contextualizando =]

Mais tarde eu tive oportunidade de perceber o quanto isso era possível. E oque eu trago hoje não é nada mais que um exemplo disso.

Podem até dizer que o Glenn Gould estava melhor em questão de técnica na segunda versão, mas acho que este não é bem o ponto da peça - a técnica será nossoo rio aqui: a pessoa era outra. Mais velho, mais sóbrio, menos vivacidade, mas uma paixão tão grande quanto a que tinha na juventude, senão maior, por aquele ectoplasma-algo-coisa intocável que emana da música de.... (adivinhem?) Bach!!!

Ok... estou ultra repetitivo. Lá vem ele com essa de Bach de novo! Tá virando religião já... daqui a pouco ele tá tomando o chá do Daime com coca-cola e falando de...

Bom, pessoal... não há muito oque dizer quanto a esta peça. As variações, pelo que eu saiba, foram feitas por Bach para um rei que sofria de insônia. Então, quando o rei não conseguia dormir, ele ia apurrinhar o pobre do seu pianista  - o tal de Goldberg- que tinha que ficar lá, tocando as variações pra tentar fazer o rei cair no sono. Oque me traz à memória tbm um filme do Wallace and Gromit, sobre o sonecotron


[eu queria um]
[embora eu ache um desaforo com o coitado do Gromit]

que é muito, mas muito bom (quem me dera eu tivesse um mecanismo deste para me salvar nos momentos de insônia =)



[The Snoozatron - Cracking Contraptions - Wallace and Gromit]

Mas voltemos a Johann. Oque vocês estão prestes a ouvir é a primeira parte das variações Goldberg, tocada pelo mesmo pianista em dois períodos diferentes de sua vida: o primeiro, no ápice da juventude. O outro, no ápice da velhice (se é que há ápice na velhice rsrsrs...


[ai ai... um dia eu ainda leio isso e me arrependo]
[ =) ]

Esta primeira versão tem todo esse lance de juventude que eu falei: abraçar o mundo, velocidade, agir de maneira desmesurada às vezes... Paixão, muuuuuita paixão por algo. Intensa.

(1955)


A segunda eu acho a mais foda de todas (as versões que ouvi): comedida, sóbria e de uma vivacidade única quando parece que isso é necessário. Não há mais espaço pra palavras não ditas ou para se desprezar o silêncio: o silêncio é importante (não só em música, acredito). Saber respeitar o tempo das coisas, o tempo necessário para que cresçam e tomem forma; sairem pra ganhar o mundo, à sua maneira. E paixão; sempre/muita/desmesurada

(1981)


Durma bem hoje

Bons sonhos =)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O violino e o violão

Oi, pessoal

O post de hoje nasceu de uma leitura da bíblia... hahaha piada =)

nasceu enquanto eu lia um livro do Heisenberg (A parte e o todo) no qual ele começa a descrever uma reunião de jovens na alemanha pós primeira guerra. Pelo que ele conta, ele estava andando na rua quando recebeu um folheto explicando sobre essa reunião, que iria acontecer num castelo.  Vários discursos, jovens falando sobre como reconstruir um país devastado, inflação altíssima, que teve que assumir a culpa pela primeira grande Guerra... oque aquela geração poderia fazer pra mudar aquele estado? Aí, durante uma das tantas discussões acaloradas (lembrando, tudo dentro de um castelo!!! Imaginem a cena!!! ) um cara aparece numa das janelas e começa a tocar a Chaconne de Bach. Puts!!! O pessoal deve ter ido ao delírio!!! Gente subindo no palco e dando uns moshs, rodinhas... Imagina...nada melhor para restaurar a paz entre os homens do que a música divina que vem de Bach

A Chaconne de Bach é uma peça linda.. linda mesmo. E, curiosamente, ela foi escrita pra violino, mas a versão qeu eu mais curto é a pra violão.  Engraçado ser a "mesma peça" que, quando tocada por instrumentos diferentes, ganha novas cores. Bom...talvez as mesmas cores, embora em outros tons...o  violão a deixa mais sóbria, menos estridente. Quanto ao violino... hummm.... como dizer?




O violino pra mim soa como uma mulher  louca que mora numa casinha pequena, em cima de uma barbearia... e nunca paga seu aluguel no dia certo.

Ela fica na janela, olhando para o horizonte por horas a fio, esperando o marido voltar da guerra. Pra sufocar a saudade, ela canta umas árias na sacada; o coração pesado, vazio por dentro. Os vizinhos saem nas janelas, se emocionam....  e ficam lá embaixo da tal sacada, chorando a saudade dela.



E o violão é um senhor simpático, boa praça e galanteador, que vai todas as tarde à padaria
 comer um sonho, conversar com o dono do estabelecimento, e cantar uma daquelas músicas antigas..tipo um Carlos Gardel





Mas, voltando ao ponto central deste post, a comparação entre estes dois seres maravilhosos, figuras marcantes de um vilarejo minúsculo ao sul da Itália, ouviremos a Chaconne de Bach!!!..

A primeira versão que vocês vão ouvir é a da mulher louca que canta maravilhosamente ... digo, a versão do violino


Itzhak Perlman - parte I





Itzhak Perlman - parte II






Como todos os homens únicos, o violão têm seus imitadores, que ficam se engraçando em outros tantos  bares/padarias pelas esquinas do mundo. Eles cantam a mesma canção, mas não com o mesmo vigor e alegria.


A primeira versão é a que eu acho a mais original e bonita ( do John Williams). É daquelas que vc tem que ouvir pela manhã, quando o sol está entrando pelas frestas da janela do seu quarto, querendo te dar bom dia ( forçosamente). Todas as nuances muito bem trabalhadas... um crescendo ultra lindo, carregado de um peso duro e sofrido, mas ao mesmo tempo de uma beleza que, por mais que a gente não possa tocar, está evidentemente ali.
Infelizmente deixaram o arquivo dividido (um crime!!!! ), mas vocês não vão me condenar por isso, vão?  A culpa não é minha, acreditem

John Williams - parte I



John Williams - parte II



Aqui tem uma versão do Manuel Barrueco. Não acho bonita como a do John Williams, mas... gosto é gosto (tá...de certa forma eu estou induzindo vocês a não gostarem. Me desculpem.... é que este blog prima pela sinceridade rsrs Sempre! =)

Manuel Barrueco




Essa outra é do Leo Brouwer. É boa tbm... mas a do John Williams... (ok...vou ficar quieto )

Leo Brower




Há uma outra, com o David Russell... mas aí já é apelar pra paciência de voc... tá, vou colocar. Mas pq acho que essa é uma das versões legais- legais mesmo.


David Russell




Pra quem nunca ouviu essa peça, espero ter trazido um pouco de luz à vida dessa ovelha desgarrada! =P

Aos que já ouviram, ouvir uma vez mais é sempre um prazer; vcs vão curtir novamente.

=)