domingo, 27 de julho de 2014

Pause - summer 2014



Chicago - mid July/summer 2014


Em meio a ondas de shock e Glimms schemes, aulas um tanto cedo, piscina logo antes
... respire... férias
Estado da vida enquanto verão: uma pausa
Me dissecando, dias sabáticos
... nada de flertar com as flores

quinta-feira, 10 de julho de 2014

"7x1" e a mercantilização da força de vontade






































Do livro, "Rules of Summer", de Shaun Tan

Hoje, 30 anos desde quando o Amyr Klink completou a travessia do Atlântico a remo, três pessoas estão planejando a mesma travessia. Perguntado sobre o caso e se botava fé em algum deles, o próprio Amyr disse (segundo meu cunhado ouviu numa palestra do Amyr):

"-Dois deles já ficam cantando vitória, postando fotinho no facebook, no instagram... ao invés de se dedicarem ao projeto. Acho que esses não vão conseguir. O terceiro é diferente... este eu acho que pode conseguir."

Lembrei dessa história depois da derrota por 7 a 1 contra a Alemanha. Pensei no papel de moleques mimados a que os jogadores se prestaram... e vi que havia uma conexão. Jogador postando fotinho no instagram o tempo todo, ou preocupado em mostrar a cueca da qual faz merchandizing durante os  jogos...   existe seriedade nisso? Como confiar num profissional desse? Quão inesperado foi ver a seleção brasileira jogando como um time de 3a divisão diante de um time técnico e extremamente profissional como a Alemanha?

Acho que dá pra divagar muito sobre o assunto, mas hoje fico por aqui. 

ps: vou virar Argentino!!! =P

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sonho #2 (cinco garfos)

Recebo visitas na casa branca

Me dirijo à cozinha para pegar talheres

Abro a gaveta e só encontro cinco garfos

WTF????!!

Olho para as pessoas surpreso ...

... e de certa forma aterrorizado

Essa noite ninguém come sopa.


Sonho #1 (confessionário )

Chego numa sala.

O padre que fez minha primeira comunhão (é, eu sofri essas coisas também ) está com mais alguém (coroinha?) e se preparando pra rezar a próxima missa.

Peço desculpas por não vir há anos numa igreja e não mais acreditar em deus.

Começo a falar e a falar, mas pergunto se ele tem um tempinho para que eu continue ...

" - ... posso voltar mais tarde",digo.

Ele pede para que eu continue.

Eu continuo.

Ele insistentemente olha para o relógio....

[Acordo]
[Que merda foi essa?]

domingo, 15 de junho de 2014

...um grão e uma semente...



Acordo no meio da noite. 

"- Open your hands... fell the energy spreading through your fingers..."

[ a frase na minha cabeça]

Durmo com as mãos fechadas... minha energia flui? Quero toda ela pra mim por que pareço ter pouco; agarro-me ao que me resta com afinco... é necessário. Penso...  recordo... Brasil... saudade (?)...quero cair no sono mas não consigo.....lembro... sinto... acordamos cedo...manhã já.... ela precisa ir pro trabalho. Saio da casa dela, sem casa, sei pra onde me dirijo, não sei direito pra onde vou... saio atordoado... first dates? Nunca sou muito bom com eles... acho que sou meio tímido. A timidez desaparece quando a vejo... admiro o andar dela... a minha curiosidade...

"... just smile... spread good energy..."

Um mundo novo de novo. Começa a chover sementes e grãos lá fora. As ruas da zona sul carioca se tornam intransitáveis... sementes que, mesmo sem água, insistem em ir fundo dentro do terreno asfaltado do meu eu... atordoa e me abala... intensidade.... grãos... aflição.

[tosse]
[tosse]
[... é excesso de pólen... o mundo quer criar vida...]
[...e você tem que engolir aquilo]

não sei se ela quer mais uma vez.. ouço sim mas a dúvida também. ..."algumas pessoas têm que ir para poder voltar..."

" ...open your hands..." 

....minhas mãos se abrem entre as mãos dela... não há energia pra dissipar... o toque da pele cria energia por si mesmo... amanhã você acorda cedo, vamos dormir.

Acordo. Me levanto, mas continuo dormindo ao lado dela... que caiu no sono em algum momento... a cama coberta de pólen... frutas pro café da manhã.. não sei oque fazer... corto a fruta que ela mais gosta... não sei oque fazer... van gogheio: arranco um dedo fora e o escondo debaixo do sofá.. assim um pedaço de mim fica pra trás de vez .

[ou será que sempre tive um pedaço de mim ali?]

 Ela vai... eu vou... ninguém sabe se haverá um voltar, um outro encontro. Penso nos quatro anos ausentes e distantes... me entristeço, não sinto arrependimento por ter ido, mas penso se tudo valeu a pena.. distância, sonhos... intensidade.

Caminho.
Caminho...

...uma pedra no sapato... pedra-semente.. a jogo de lado... ela germina e sua folha verde parece me acenar um tchau. Significaria isso algo? Não respiro muito bem... " it's pollen, man...it's pollen... "... sua mente está longe dali... você pensa se valeu a pena... "tudo vale a pena quando a alma não é pequena"... você se lembra do trecho mais chato/cheap de Fernando Pessoa ... sua alma tem o tamanho de um grão... que não germina.

Relaxe... vc relaxa e flutua... sua cabeça no teto. Seus olhos caem sob o peso do sono. Diante de algo que te parece óbvio, vc sussurra pra si mesmo.... o problema é outro... o problema é espiritual.

"...open your hands..."

.... minhas mãos se abrem entre mãos algumas... há energia pra dissipar mas eu as fecho... "amanhã você acorda cedo, vamos dormir", digo pra mim mesmo. Caio no sono, mas acordo ainda mais uma vez antes de chegar o dia. Minhas mãos estão cerradas.

sábado, 7 de junho de 2014

UM UM UM

[Pra ser lidouvido]


[111]

Todo o homem de hoje, em quem a estatura moral e o relevo intelectual não sejam de pigmeu ou de charro, ama, quando ama, com o amor romântico.

O amor romântico é um produto extremo de séculos sobre séculos de influência cristã; e, tanto quanto à sua substância, como quanto à sequência do seu desenvolvimento, pode ser dado a conhecer a quem não o perceba comparando-o com uma veste, ou traje, que a alma ou a imaginação fabriquem para com ele vestir as criaturas, que acaso apareçam, e o espírito ache que lhes cabe.

Mas todo o traje, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e em breve, sob a veste do ideal que formamos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em quem o vestimos.

O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceita desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
Fernando Pessoa, O livro do desassossego

domingo, 25 de maio de 2014

Formiguice abstracionista

Sim... vcs já imaginaram o meu usual post pós visita ao Brasil... mas não vou falar muito... melhor não falar muito sobre isso agora. Vou falar, isso sim, sobre um pedaço da viagem que achei muito bonito, que foi sobrevoar o deserto (conexão L.A. para o midwest): realmente, fiquei impressionado. Lá de cima, tantas linhas (rios? falhas geológicas?), desenhos, cores de terra e montanhas, curvas, traços, riscos que mais pareciam um quadro de arte moderna... me senti uma formiga caminhando por um imenso quadro de arte abstrata... me senti uma formiga caminhando sobre o Pollock que enfeita meu quarto.

Tantos pensamentos... lembrei de um trecho do paper/tese que escrevi, onde queria fazer uma analogia entre periodicidade temporal e periodicidade espacial 

"uma formiga que anda sobre a pele de uma zebra vê-se num mundo que muda de cor de tempos em tempos"

Por um segundo aquela formiga era eu... por um minuto me senti pequeno diante de tanta beleza e pequeno diante de tantas coisas que me afligem agora. Será que no meu caso sou um caramujo andando sobre os traços desformes da minha própria vida, percorrendo as linhas inexatas de uma vida que até então parece sem muito rumo.... um quadro onde duas retas paralelas se emaranham, se perdem em si mesmas e, no fim, acabariam sendo uma mesma coisa? O uno, a união de todas as cores.... no fundo talvez tudo não passe de um quadro pintado de branco.

Não sei se a formiguice da vida me veio por associação com um trecho -incrível e hilário-que havia acado de ler em um livro... enfim, acabo o post de hoje com ele (que por sinal, é muito bom)


"
Quando Júnior passa em frente a uma loja, que está fechada como todas as outras, o alarme dispara. Desconcertante. Antinatural. Um ruído ininterrupto. Monótono. Provavelmente alguém tentou roubá-la. Ou o alarme disparou por causa da súbita mudança climática. De qualquer forma Júnior apressa o passo. Não quer ser o suspeito.
O botequim que serve o pior café da cidade está aberto. Júnior pede um conhaque. Há outro náufrago a dois assentos, bebendo cachaça. Há tanta amargura no rosto dele que Júnior procura puxar papo.
-Dia estranho, não é mesmo?
-Como?
- Dia estranho.
-Todo dia é estranho.
-Não. Hoje... essa névoa... essas ruas desertas...
- Pra mim, todo dia é estranho. Eles nunca me convencem
- Quem não te convence?
- Os dias.... são falsos... estranhos... isso não pode ser a realidade... não é possível  que seja... isso é.... sei lá que porrra é isso tudo.
- Talvez....
-Sabe? Eu descobri como funciona esse esquema.
- Ah, é?
- Você já viu aquele planetinha daquele livro do Pequeno Príncipe?
-Sei, acho que me lembro
O outro faz um gesto com as mãos formando uma esfera no ar.
- É um planetinha, pequeno... Tem uma flor e acho que uma casinha.... É assim.
Diz isso projetando a pequena esfera na direção de Júnior.
-Sei, sei...
- É isso, porra! É isso...
- Entendo.
-Entende, nada. Entende?!
O outro faz um gesto de desprezo, que desmancha a esfera.
- Eles botaram a gente aqui.
- Claro...
- Deus botou a gente nesse planetinha do caralho. Do caralho do pequeno Príncipe. Aí ele falou: Meu amigo, tudo isso é seu. Tem ali uma plantinha de merda que dá um fruto gostoso. Ali tem uma vaquinha de bosta que dá leite. E tem trigo pra fazer pão. Até aí tudo bem, não é?
-É tudo oque precisamos...
- É. Mas aí ele mostra um buraco na terra. Um buraco feito uma cova.
-Certo...
Então ele diz: Tudo isso é seu. E ainda vou te mandar uma mulher e umas crianças... Isso eu achoque é só pra encher o nosso saco e distrair dessa merda toda. Assim não sacamos o esquema, tá ligado?
- E qual é o esquema?
-Posso continuar?
-Claro.
Então faz o favor de não ficar me interrompendo. Bom! Aí Deus explica o esquema. Ele diz: Meu filho, tudo isso é seu. A única coisa que você precisa fazer é tapar aquele buraco. A tal cova que eu te falei.
-Sei.
-Pois então. Cada vez que esse homenzinho tapa a porra do buraco, acaba fazendo outro do mesmo tamanho. Percebe?
-Entendo.
-Então. É isso. É isso sem fim. Tapa um buraco, faz outro igual. Tapa um , faz outro. Até o dia em que o infeliz morre. Só assim você pode tapar o buraco sem fazer outro igual. O buraco é sob medida.
-Legal.
-Porra! Legal, o caralho!
-A história, qus dizer.
-Ou seja, é pau no teu cu. Percebe? É isso. Pra Deus nós somos apenas os que podem tapar o buraco que ele não conseguiu tapar. Entende? É como na obra. Se falta areia, cê não faz parede. Não adianta tijolo, nem cimento. Eu acho que Deus errou nos cálculos. Aí, como já estava de saco cheio, inventou a gente. Tipo umas formigas. Uns formigões. Sacou?
-Tem até aquela música que diz mais ou menos isso. Como é mesmo? Ah! - Júnior cantarola: - Essa é a terra que queria ver dividida, é a terra que te cabe nesse latifúndio....
-Não tem nada a ver. Isso é política. Política! E nós estamos falando de religião. Religião!
-Está certo...
-Percebe?
Claro.
-Uns formigão do cacete!
Júnior termina a bebida. O filósofo não pára mais de falar.
-Bom, meu amigo, eu vou nessa.
-Vai, formigão, vai que vai! "


A arte de produzir efeito sem causa - Lourenço Mutarelli

terça-feira, 20 de maio de 2014

Life beyond a barbed wire fenced sky
































[No final do inverno eu andava e ficava olhando para a copa das árvores, sentindo os galhos ganhando dimensão à medida que as folhas iam crescendo e brotando. Me pareciam em muito com cercas, arame farpado que crescia cobrindo o céu... talvez tentando impedir o inverno de regressar]

[Diversas vezes eu parei minha bicicleta pra ficar fotografando a copa das árvores por baixo] 

[Depois de um tempo eu larguei mão: me tomava um certo tempo parar, tirar o celular do bolsto e tentar capturar algo minimamente decente]

[Passei só a apreciar]

[Ficava pensando então em como seria um país em que o céu fosse feito de arame farpado: oque não impediria sol e chuva de entrarem, mas ainda assim seria um céu de cerca. Imaginei que, se muito alta, não seria vista e que, mesmo se as pessoas soubessem dela ela ainda estaria lá] 

[Não tive como não associar com a cerca que separa os EUA do México.. da qual pouca gente sabe e/ou vive sem nem mesmo imaginar que ela lá está. Fiquei pensando na analogia céu/terra, EUA/México, as pessoas cruzando o deserto pra procurar uma vida "melhor", o país da liberdade MAS com um céu feito de arame farpado ...etc.. o pensamento indo longe quanto à história na cabeça...aí desencanei e resolvi só postar as fotos]

domingo, 13 de abril de 2014

Pas de deux


Pas de deuxbyNorman McLaren, National Film Board of Canada

[Norman McLaren faria 100 anos por estes dias]
[Filme meio "longo"-13 minutos!!!- mas muito bom]
[...ainda mais se vc levar em conta que foi feito em 1968]
[ Os "efeitos especiais" brincam com essa idéia do dueto por meio de imagens duplicadas + delay]
[em suma, espero que gostem]