quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vizinhos (novos) + últimos dias de paupérias (adendos )



Ter vizinhos é bom no fim das contas... se eles não forem gambás melhor ainda, por que eles podem te emprestar uns trocados quando você gastou todo o seu dinheiro com cerveja ( foram $10... duas Stellas e mais $1 de tip.. tive que quebrar o meu porquinho pra ir lavar roupa)

[no caso, gastei minha nota sagrada de dois dólares =/  ]
[foi de cortar o coração ]

O post anterior e a ausência de vizinhos que pudessem me emprestar alguns quarters  me fizeram lembrar deste filme do Norman McLaren ( que fala, claro, sobre vizinhos).


                       


sábado, 7 de setembro de 2013

Vizinhos (novos)

Por estes dias eu voltei pra casa e lá estava ela: na frente de casa. Fiquei com receio em princípio e achei melhor não arriscar uma aproximação: são bichos um tanto arredios esses gambás. Comecei a mexer a chave de casa no ar de maneira a fazer barulho mas ela nem aí pra mim. Após um certo tempo, sendo notado, ela(e) me olhou meio de lado, mostrou os dentes e andou para trás de uma moita, tentando se esconder. O engraçado foi ver a ingenuidade do ser, já que a cauda, por ser tão grande,  ficava toda à vista hahaha

Adoro meus novos vizinhos, mas realmente... ficar nesse estado de sítio quanto a entrar e sair de casa não é algo muito agradável. Meu receio ao falar pro meu landlord é que eles dêem um fim nos bichos ( são dois, cada um com uma cor de cauda diferente); seria triste =/

Isso me lembra do dia que mostrei pro Mohhamed (?) uma aranha incrivelmente bonita - não que eu fosse tocá-la, mas era bonita - que estava na parede do lugar onde eu estudava no Rio. O cara, um matemático iraniano que despirocou ao ver tanta mulher no Rio de Janeiro ( sem burca nem nada), não era lá muito de falar comigo, muito menos eu com ele, mas.. por ele estar perto achei que poderia compartilhar a descoberta. Em coisa de segundos ele esmagou a aranha na parede com o pé. Fiquei indignado com o fdp. 

Isso tudo me lembra de mais uma coisa: uma animação dos simpsons que trata do assunto  É muito boa, acho que vcs vão curtir 

=)

sábado, 24 de agosto de 2013

... said my name is called disturbance ( adendo)



A parte mais esquisita em ter quase me enredado numa briga por aqui com alguém foi algo que aconteceu depois do intercalço: todo mundo foi perguntar pro cara como ele estava, ninguém veio ver como eu estava. Na hora eu me vi como no final do "Do the right thing", do Spike Lee, no qual as pessoas de um bairro negro em NY se rebelam contra o dono de uma pizzaria ( pelo oque me lembre), ao que se segue um saque, quebra-quebra etc.






Me senti como aquele chinês dono da loja que está prestes a ser saqueada: por um  momento pensei na possibilidade daquelas pessoas se juntarem contra mim; nunca me senti tão sozinho, tão "gringo" como antes. Por sorte, nada aconteceu.

Por outro lado, diferentemente, não estou aqui esparando que esta pátria me adote; I'm not american... e nunca vou ser... embora eu seja igual a todo mundo.

Apologia a um sushi quadrado


Eu ainda lembro de que a surpresa não partiu de mim; aquilo me parecia natural, até alguém, numa festa, apontar que não:

[..numa festa...]
[bla bla bla]

"- ...meu amigo que faz matemática me falou que um círculo e uma bola são equivalentes.." 

[bla bla ]

Eu parei e pensei... e vi que ele tinha razão: aquilo tanto era verdade ("topologicamente"..sem mais detalhes) como não era assim tão intuitivo como eu imaginava.

Bom...tô falando tudo isso diante da minha recente experiência em aprender a fazer sushi pela internet: no fim das contas o sushi sai...mas ao invés daquele sushi redondinho e bonito que vc come naquele restaurante japonês incrível na Liberdade, os sushis saem quadrados =S





É... preciso aprimorar minhas técnicas culinárias =P

domingo, 18 de agosto de 2013

... said my name is called disturbance


O título de hoje vem de  "street fighting man", dos Stones. Chamaria isso de 'peso na consciência'... ainda mais depois do remorso em ter ( quase) brigado no meio desta última  noite/manhã. Acho que é o James Gleick que, num de seus livros no qual fala sobre teoria do caos, diz que existe um horário na madrugada em que as chances de coisas erradas acontecerem aumentam: um ponto, uma curva, uma singularidade; sim, acho que tropecei numa dessas ontem. 

E aí vc volta pra casa e tenta traçar o por que, onde faltou a razão, onde a razão de perdeu, onde vc se deixou levar por tudo aquilo que não o bom senso. 

... 5 minutos ... algumas poucas fagulhas foram o necessário.
... 5 minutos.. e isso. 

Não sei... talvez a maior lição que possa tirar disso seja a prática da paciência. Interessante por que muitas vezes temos essas palavras como adjetivos... mas não é bem verdade: a exemplo de amar, que não é um sentimento apenas, mas um verbo, no qual se condensam atitudes, gestos e sinceridade... por que não o mesmo com a palavra "paciência"? Paciência, enquanto ato para si mesmo, dada ao mundo e ao que te cerca. Talvez paciência seja um caminho limítrofe entre a racionalidade e esse mundo cheio de fagulhas onde as coisas fogem ao nosso controle.

Enfim... termino esse post com um trecho de Fernando Pessoa em seu "livro do desassossego" 


[10]

E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como com uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre ...
Bom domingo a todos. 

Love + peace .... + patience

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Paupéria

Oque será 
que dá pra fazer com
brócolis, 
ameixas desidratadas 
amêndoas?


é...  não é muito difícil adivinhar 
que este é o conteúdo
 da minha geladeira 
esta noite



[Milonga em ré, Astor Piazolla]

quarta-feira, 31 de julho de 2013

San Francisco







Acabei nem desenhando muito nos dias que fiquei em SF; até voltei antes do que previa. Foi bom, mas acho que precisava de um pouco mais pra me inspirar. De qualquer forma, acabei fazendo alguns desenhos.





terça-feira, 16 de julho de 2013

Veni, Vedi, Vici

Segunda-feira, 5:47  da manhã, e eu caminhava dois blocos em direção ao "official parking lot" da casa branca, que se trata de uns bike racks que ficam em frente a um mercadinho local. Olho de longe antes de atravessar a rua, avisto minha bicicleta; ao lado, uma cartola roxa com os dizeres

Veni
Vedi
Vici

da qual pendiam duas orelhas. Aproximo-me, já com a chave do cadeado da bicicleta na mão. Com o canto do olho observo um coelho dormindo dentro da cartola. O barulho da chave o acorda. Eu, não querendo incomodar, sussuro-quase-digo: 

"-..good morning"

Ouço de volta algo.

"... Gooooood moooorning..."

[bocejo espreguiçado]

Perguntei ao coelho oque ele fazia tirando uma soneca ali. Vejo sua bicicleta escorada num poste, solta.

[traduzido]

"-Vim de bicicleta do Wal-mart até aqui. Trabalho lá.".

" -Sério?! O Wal Mart é longe pra cacete!", disse-lhe, estarrecido.

" - É.. parei aqui pra descansar um pouco e continuar a viagem pra casa", disse o coelho.

" - E oque um coelho faz no walmart?!", perguntei estarrecido.

" - Eu sou um coelho que finge ser uma americana loira... aí eu trabalho no caixa".

" ...ahhhh...", exclamei, surpreso, mas sem entender direito.

Subi na minha bicicleta e olhei pra frente. Liguei minhas bike-lights, pus meu capacete. 

"- Have a good one", disse o coelho. 

"-You too", lhe disse, já pedalando.  

Pensava no quanto nadaria ainda, na minha corrida contra mim mesmo. Pensei no que é nadar para chegar mais adiante quando a qestão não se é ir longe, dado que nadar em piscinas é um exercício monótono de idas e voltas.... Lembrei da corrrida de Aquiles e da tartaruga e do paradoxo de Zenão (Zeno, em alguns livros) sobre a qual li no primeiro ano de faculdade; veio à cabeça o abrir do livro e o desenho de um homem apostando corrida com uma tartaruga. A legenda dizia 

"...os gregos não entendiam como somas infinitas poderiam convergir."

[Um exemplo seria,

$$ 1 + \frac{1}{2^2} + \frac{1}{3^2} + \frac{1}{4^2}  + \ldots $$
]

 Lembrei-me então de, por um certo tempo, não conseguir entender o porque daquele "paradoxo" ser realmente um paradoxo, e oque a soma da série infinita trazia à coisa toda dado que era evidente que não se tratava de um paradoxo, mas sim de um grande mal entendido. Me sentia um tanto confuso - pra não dizer um tanto "grego" hahaha -  com a confusão dos nossos antepassados. Visualizei na minha cabeça aquele funcionário coelho do walmart apostando corridas com os funcionários lesmas ou tartarugas para ver quem ganhava em eficiência e habilidade pra chegar ao trabalho na hora certa e  bater ponto  ("to clock in", nos dizeres americanos) e tinha então sua foto estampada na parede como "funcionário do mês". 

Nadei pensando um pouco no assunto. E foi só.



ps: indo por um tempo pra outras terras pra curtir tão almejadas e necessárias férias; voltarei em Agosto, quando terei notícias, mais histórias e, espero, alguns desenhos =)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Pequeno manifesto por um mundo sem #hashtags

A primeira vez que eu tive contato com as divisões taxonômicas em biologia eu pensei no trabalho hercúleo que aquilo era. Sem falar no aspecto arbitrário que algumas coisas pareciam ter quando a coisa transcendia reino, filo, classe etc e chegava nos finalmente: bicho com nome de jogador de baseball, de popstar, de matemático até!! (mentirinha hihi =) Me lembrava também de um trecho do livro "cem anos de solidão", onde as pessoas de uma cidade começam a esquecer o nome das coisas ( não me lembro se, além do nome, também esqueciam a funcionalidade delas): à partir daí as vacas tinham um nome escrito nelas, a campainha, a janela, as panelas etc... e por aí vai. Vendo mais de longe eu resumiria a situação como: as coisas perdiam o significado por si mesmas e tinham, pois, que ser explicadas. 

Recentemente as pessoas começaram a colocar oque se chamam "hashtags" nas coisas.. como se eu escrevesse 

Adoro este blog e o rapaz que o escreve é muito fofinho
#blogs, # gentebonita, #matematicobrasileirofofinho 

Ou poderia também mudar pra
Adoro este blog e o rapaz que o escreve é muito fofinho#blogs, #falsidade, #textoridiculo

Ou seja... o mundo passa a ser menos arbitrário. E não que eu goste de arbitrariedade!!! Muito pelo contrário!!! Logo eu que... whatever hahaha =P Acho boa a idéia de catalogar algumas coisas, palavras, conteúdos, fotos ( como no caso das manifestações recentes no Brasil) mas vir a usar isso em frases? Ow gente... que é isso... cadê o "livre arbítrio"?! hahaha Quem é que vai me impedir de interpretar textos alheios sem que a pessoa que escreveu me apurrinhe com hashtags dizendo oque eu deveria pensar?

Pronto, falei tudo!!! 

[Espero que vcs amados leitores consigam ainda dormir em paz depois dessas palavras tão contundentes!! =P ]

#manifesto, #verborragia, #hashtag, #=), #gostodeusarhastagsmasminhafamilianaosabe, #meseguraquevouusarumahashtag, #caldinhodefeijaocomcouvemineirasóR$7.89, #matemáticosmarcovaldos